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Especiais A Poesia e o Homem

“A importância da poesia na formação da personalidade do homem”. Keila Marta

Uma análise aplaudida da imortal APB, Keila Marta, coordenadora do perfil da academia no Facebook.

24/03/2020 12h20
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Keila Marta
Pedagoga e crítica de literatura e arte. Membro da Academia Poética Brasileira.
Pedagoga e crítica de literatura e arte. Membro da Academia Poética Brasileira.

O artigo “A importância da poesia na formação da personalidade do homem”, escrito por Juliana Rinaldi, aborda diversas nuances da linguagem, no que tange a formação do pensamento e da produção poética. Ela começa chamando atenção do leitor para a poesia como fruto das percepções e dos sentimentos humanos, sendo necessário o estímulo desde os primeiros anos de vida, através do contato com a leitura em ambientes lúdicos.

Se as crianças forem estimuladas à leitura desde a infância e o ambiente onde iniciamos for carregado de magia, será possível uma relação entre o pensar e o sentir, um jogo de palavras sedutor que chamamos de poesia, pois esse mundo é fascinante e imprevisível.

 E, apesar da poesia está implícita no cotidiano, nas experiências socioculturais, seja pelas manifestações folclóricas, cantigas, parlendas, lendas e causos, a autora ressalta a relevância da escola como espaço para a poesia, pois esse ensino impacta na vida de muitos alunos cujos pais não fazem uso da leitura como aporte cultural. Nesse sentido, a produção de escrita criativa se faz necessária, a fim de que seja formada uma consciência autoral e aprendizagem significativa, rompendo com o engessamento de certas normas e estereotipias no ensino da gramática e da literatura.

A poesia tem grande importância no âmbito escolar, pois ela pode apresentar experiências humanas que podem ser consideradas no que se refere ao conhecimento. Sendo a escola o local que tem o papel de formar o homem integral, composto de razão e emoção, ela também é lugar de poesia. Com isso, não se quer fazer dos alunos, poetas; mas sim possibilitá-los ao contato com a beleza, a brincadeira com as palavras, significados e formas.

Seguindo essa linha de raciocínio, a partir do sétimo parágrafo até por volta do décimo 15, são discorridos argumentos que envolvem os elementos da teoria da comunicação, como língua e linguagem e as diferenças entre as funções da linguagem conforme os linguistas Roman Jakobson e Bühler, dentre as quais Rinaldi fala da função poética, que segundo a concepção de Jakobson, vai muito além de fazer poema, mostrando que não deve haver reducionismo da função poética à poesia e tão pouco da poesia à função poética. Já Kloepper ao defender a poética como sequenciamento da Linguística, salienta os benefícios da sua contribuição “para que a competência comunicativa de todos nós atinja o seu melhor desenvolvimento possível”.

Além do mais, é endossado sobre as competências e desafios envolvidos no processo de ensino-aprendizagem com a poesia nas diferentes etapas da educação básica e que sofre certos preconceitos em meio ao mundo globalizado. E por conseguinte,

 

Alguns acreditam que mexer com a poesia é “perda de tempo”. Outros, por não perceber o poder de encantamento dos poemas e por não disporem de condições mínimas de análise – que lhes permitam estudar e entender essa matéria-prima tão especial e que se configura por um refinadíssimo trabalho com as palavras – preferem fugir do poema.

Desse modo, este é um estudo que desperta os interesses da comunidade acadêmica, de escritores, poetas e demais profissionais do âmbito das letras e pedagogia, para o ensino de leitura e produção de gêneros não somente os jornalísticos e acadêmicos, mas para a poesia e a função poética que se faz presente no gênero poema, seja ele lírico ou narrativo.

Assim, essas ideias pedagógicas revelam o quanto é relevante o pensar poético para além do texto escrito, pois propicia ao aluno ser mais que mero expectador e repetidor da literatura e de pensamentos canônicos, mas atuante no protagonismo da escrita de suas ideias e inspirações.

 Vale ressaltar, que parte dos percalços no ensino da Língua Portuguesa e nas demais disciplinas se devem ao fato de que educação brasileira vem sofrendo sérias consequências históricas, pelo modelo de currículo, com sobrecarga de conteúdos, centrados no professor transmissor e no aluno receptor, carga-horária que nunca fecha e nas escolas públicas salas de aulas na sua maioria superlotadas e hoje aos poucos as mudanças e melhorias vem acontecendo.

E não dar para planejar o ensino com poesia, sem pensar na interação do aluno com as novas tecnologias e na produção científica, pois mais do que nunca o professor precisa ser estratégico com a organização do tempo, com quantidade e a qualidade dos recursos oferecidos, aproveitando melhor o potencial inventivo e o tempo de assimilação de cada um.

Um ponto pertinente que envolve esse raciocínio trabalhado por Rinaldi, é a defesa da poesia no despertar da livre imaginação, do olhar curioso, do pensamento reflexivo das crianças sobre outros campos do conhecimento, considerando que o texto literário, tanto oral quanto escrito, trabalha com a linguagem simbólica em dimensões que estão aparentes e imbuídas nas entrelinhas.

Portanto, a necessidade que o ser humano possui de romper com certos padrões e expressar artisticamente, o acompanha desde tempos mais remotos, e muitos são os exemplos de pinturas rupestres pertencentes a Pré-História e textos antiquíssimos como a Epopeia de Gilgamesh, escrito por volta de 200 anos antes de Cristo na Mesopotâmia, em escrita cuneiforme feitas em tabuinhas de argila.

Esses achados surpreendem os pesquisadores, levando-os a crer que a produção poética não tem uma evolução, ela nasce junto com a linguagem na sua completude e assim o homem sensível pode com sua perspicácia melhor materializá-la e por isso muito precisa dessa educação atenciosa para poética nessa fase de construção da personalidade do homem que tanto escola espera formar.

Referências:

http://alb.com.br/arquivo-morto/edicoes_anteriores/anais15/alfabetica/RinaldiJuliana.htm

 

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