Sábado, 11 de Julho de 2020
Dúvidas pelo seguinte e-mail
Geral Roger Dageerre

Conto de Roger Dageerre: O turista e o contador de histórias.

Foi nessa praia que o turista francês aprendeu a comer caranguejo e a saborear o famoso peixe pedra.

18/03/2020 12h30
150
Por: Mhario Lincoln Fonte: ML
Roger Dageerre. O turista e o contador de histórias
Roger Dageerre. O turista e o contador de histórias

Roger Dageerre.

O turista e o contador de histórias

O francês Daniel Louis resolveu fazer turismo no Brasil e escolheu como destino três capitais, todas elas ilhas. Primeiro, visitou Vitória, no Espírito Santo, depois, foi conhecer Florianópolis, Santa Catarina. No dia 05/07/2014 chegou ao aeroporto Marechal Cunha Machado, em São Luís – MA. Logo ao desembarcar, soube que estava na Ilha do Amor. Acenou para um táxi e ordenou ao motorista que seguisse em frente. Percorreram toda a Avenida Guajajaras e quando chegaram ao retorno da Forquilha mandou o motorista dobrar à direita. Foi uma intuição, pois ele não sabia aonde ia. Então seguiram pela Rodovia Ma-201 - Estrada de Ribamar. Passaram pelo Maiobão, um bairro muito movimentado, pelo Rio São João e Pindaí. E ao se aproximarem da Igreja São José dos Índios pediu para o motorista fazer uma parada.

Desceu do veículo e foi olhar a Capela de perto, mas como a igreja estava fechada viu apenas por fora. Retornou ao táxi e seguiram em frente. Quando já estavam próximo à cidade de São José de Ribamar perceberam um clima de festa, era o encerramento das festas juninas, com o tradicional encontro de grupos de bumba meu boi, que reúne principalmente o boi da Maioba e de Ribamar. Ali estava sendo encerrada a 61ª edição do Lava Bois. Nas proximidades da placa onde estava escrito sejam bem-vindos a São José de Ribamar, o turista Daniel despachou o taxista, pôs a sua bagagem nas costas e se misturou aos quase cinquenta mil brincantes. A intenção do turista francês era conhecer o número máximo de igrejas, e para chegar à igreja de São José de Ribamar teve que seguir pelo bairro da Campina e Barbosa, pois a Av. Gonçalves Dias estava interditada porque contava com a presença dos bois: Tamarineiro, Inês Maranhão, Novo Brilho, do batalhão da Maioba e do batalhão de São José de Ribamar, bem como com a animação da Banda Dois Corações. Por isso, o francês teve que usar os atalhos para visitar a Igreja Matriz. Contam os fiéis antigos, que fizeram três tentativas para construir a igreja, todas desabaram misteriosamente porque foram construídas de costas para a Baía de São José. A atual, construída em 1915 de frente para o mar, permanece até hoje de pé. Daniel Louis entrou pela porta lateral da igreja e ficou encantado, pois dentro sentiu a presença de “Deus”. Ajoelhou-se e rezou a Oração que Deus nos ensinou. Tomou a benção ao padroeiro da cidade e saiu pela porta da frente para apreciar a beleza da Praça da Matriz. Parecia um sonho, pois o francês pôde se misturar às esculturas existentes na praça que contam a história da peregrinação da família de “Jesus”. Esculturas do tamanho de humanos e de animais, que ele fotografou bem de perto. Depois de apreciar toda a história da peregrinação, visitou a Gruta de Lourdes, que é uma réplica da Gruta da existente na França, local mais visitado do Maranhão. Ao sair da Gruta, ajoelhou-se aos degraus da Concha Acústica e fez o Sinal da Cruz. Levantou-se, comprou um chapéu de palha, óculos escuros e desceu para a Praia de Banho. Depois, seguiu à esquerda em direção à Praia de Panaquatira, uma praia sem poluição e que, embora seja considerada de ondas fracas, a força da maré arrancou um imenso muro de arrima o que era uma prova de que não existe fraqueza em fenômenos da natureza, por isso têm que ser eternamente respeitados. Incrível como a maré arrancou o muro por completo como se não aceitasse aquele obstáculo. Um alicerce construído para evitar que a maré de quarta danificasse o morro de barro. Ele fez questão de caminhar sobre o muro de arrima como se fosse um tapete da sua sala de estar. Tapete de pedra bruta com quase três metros cúbicos. Parou, e Inconformado, perguntou ao garoto que estava lá em cima do morro apreciando a praia: - Foi a maré que arrebentou esse muro? O garoto confirmou apenas gesticulando positivamente com a cabeça.

Daniel Louis desceu da pedra e continuou sua caminhada apreciando os encantos da Praia de Panaquatira. Foi nessa praia que o turista francês aprendeu a comer caranguejo e a saborear o famoso peixe pedra. Depois caminhou mais um pouco e chegou à Praia do Araçagi, que fica ao norte da ilha de Upaon-açu, na Região Metropolitana de São Luís uma praia bastante cobiçada, com orla de dunas e vegetação rasteira típica, que possui um farol que pode ser visto da praia, além de ter muitos hotéis, pousadas, vilas, albergues e motéis. Muito cansado, Louis pagou um catraieiro para leva-lo até à Praia do Olho D’ água. Agradeceu, desceu da canoa, foi em direção ao primeiro bar e ficou ouvindo a lenda que um violeiro contava em melodia: - “Antigamente, existia aqui, nesta praia, uma aldeia indígena, o chefe era Itaporama. A filha dele se apaixonou por um índio que gostava de tomar banho no mar e que foi desejado pela “Mãe D’ Água”, que se apaixonou pelo jovem e o enfeitiçou com seu canto, levando-o para sua morada nas profundezas do mar. A filha do chefe, sofrendo de saudades, recusou-se a comer e a beber. Assim, ela faleceu e foi enterrada na areia da praia. No local onde a índia havia sido enterrada, nasceram dois olhos d’água. Diz a lenda que foram dos olhos dela que surgiram duas nascentes que correm sem parar em direção ao mar”. O francês aplaudiu o violeiro e pediu ao dono do bar para guardar a sua bagagem enquanto foi mergulhar nas ondas do mar. Depois, continuou a sua caminhada em direção à Praia de São Marcos. A maré estava enchendo e os surfistas se espalhavam pela beira da praia aguardando o momento ideal para a prática do surf. Um dos jovens ofereceu a sua prancha ao francês. Ele arriou a bagagem e, sem tirar o chapéu, pisou na prancha e ficou equilibrado. O jovem surfista disse: - Quero ver sobre as ondas... O francês respondeu falando o português arrastado: - Quando a maré encher... Os dois deram gargalhadas. O surfista pegou a prancha de volta, e o francês pôs a mochila nas costas e seguiu a sua caminhada. Andou todo o percurso da Litorânea até chegar à Praia do Calhau.

Logo percebeu que a praia era cercada por dunas e coqueiros e também por 02 uma grande quantidade de esportistas e uma variedade de comidas típicas. Digamos que se tratava de “uma bela praia”. Daniel pegou um ônibus e foi à Praia da Ponta da Areia. Procurou saber a origem do nome e descobriu que foi por causa de sua localização e formato; e também por ficar próxima da foz do Rio Anil, que forma uma ponta onde começa a praia. Quando chegou, percebeu que a praia era muito habitada. Muitos hotéis, bares, restaurantes, festas, principalmente de reggae. E logo encontrou a Lagoa da Jansen. Ficou impressionado com a quantidade de restaurantes, quadras poliesportivas, ciclovias, pistas para Cooper e muito espaço para quem gosta de ar puro e espaço livre. Sem falar na diversão noturna. Logo depois, andando pela Lagoa da Jansen, Louis avistou a Ponte do São Francisco e a Ponte Bandeira Tribuzi. Mas não quis passar sobre a ponte e procurou fazer contato com tripulantes de uma embarcação que estava ancorada. Era um veleiro de Cajapió – Ma. O francês começou a gritar até que apareceu, no convés, um velho perguntando: - O que deseja? – perguntou o mestre da embarcação. - Quero atravessar o mar... Com o gesto, deu para entender o que ele queria, e então ele disse: - Pode ir pela ponte... - Não. Quero ir veleiro... - (Não. Quero ir de veleiro). O mestre autorizou um catraieiro a trazer o francês até a embarcação, pois precisava entender melhor o que ele queria. Depois que Daniel conseguiu explicar que queria ir embarcado, o mestre reconheceu que se tratava de uma pessoa muito simpática e concordou em satisfazer o desejo dele. Abriram as velas e seguiram em direção à Beira Mar, pois ele queria conhecer a Fonte do Ribeirão. O veleiro atravessou do bairro São Francisco à Beira Mar, encostando ao lado da ponte. Dali mesmo o mestre mostrou a rua que ele deveria seguir direto até encontrar a Fonte do Ribeirão.

O mestre não cobrou pelos serviços e o francês agradeceu. O veleiro retornou e Louis saiu procurando a Fonte. Poucos minutos depois, o francês encontrou a Fonte do Ribeirão. Pôs a bagagem no chão e, levado pelo cansaço, deitou-se sobre a própria bagagem. Um rapaz que estava na porta do prédio da Fundação Municipal de Cultura, preocupado com o turista, que aparentava desmaiado, foi verificar de perto. Ao se aproximar, percebeu que ele estava cansado e perguntou: - O senhor está bem? - Muito cansado. Pelo sotaque percebeu que não era brasileiro. E perguntou: - O senhor é de onde? - Sou francês e quero saber toda história de São Luís. Principalmente das igrejas. Você conhece a lenda desta fonte? - Um pouco. O francês Daniel Louis levantou-se e disse: - Conte-me... - A lenda mais conhecida trata de uma imensa serpente adormecida que cresce aos poucos no subsolo, a cabeça está aí dentro. – E apontou na direção da fonte – e a cauda está abaixo da igreja São Pantaleão. No dia em que a cabeça encontrar a cauda, a serpente acordará e destruirá a cidade. O turista não resistiu e deu uma boa gargalhada. - Não é só essa não! São muitas histórias... - Obrigado. Vou ter muito tempo para ouvi-las, pois resolvi residir nesta terra maravilhosa para sempre, porque aqui tem muita inspiração e muita história para se contar...

Fim

1 comentário
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias