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Cidades RUAS DE S.LUÍS

O que guardam os Segredos das Ruas de São Luís do Maranhão

Dr. José Carlos Sousa Silva, Domingos Vieira Filho e Carlos Lima

07/09/2020 23h40
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Por: Mhario Lincoln Fonte: ML
Foto Google
Foto Google

 

1 - CARTAPÁCIOS E PESQUISAS

(*) Mhario Lincoln

 

O advogado, jornalista e professor da UFMA e Universidade Ceuma, mestre em Direito pela UnB, membro da Academia Maranhense de Letras, José Carlos Sousa Silva, em 2017, publicou uma crônica muito interessante sobre o professor Domingos Vieira Filho e seu livro "Breve História das Ruas de São Luís". O texto abaixo, recuperado do site público da Academia Maranhense de Letras.

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Textos Escolhidos

"(...)"

Breve História das Ruas de São Luís

Dr. José Carlos Sousa Silva.

José Carlos Sousa Silva

Recentemente, eu consegui localizar na biblioteca da Academia Maranhense de Letras o livro “Breve História das Ruas de São Luís”, publicado em 1962, da autoria do professor Domingos Vieira Filho, membro efetivo da referida Academia e do Instituto Histórico do Maranhão.

Trata-se, sem dúvida, de uma excelente obra de valor histórico e por isso mesmo deve ser urgentemente republicada, em várias edições, a fim de que as novas gerações no meio social maranhense tenham conhecimento importantíssimo das origens das ruas em São Luís, capital do Estado do Maranhão, e, hoje, Patrimônio Cultural da Humanidade.

O professor Domingos Vieira Filho nasceu em São Luís a 25 de setembro de 1924 e faleceu a 11 de setembro de 1981. Eu fui seu aluno na Faculdade de Direito de São Luís e aprendi muito através de suas aulas, nas quais ele expressava muita inteligência e cultura.

Na Academia Maranhense de Letras ele ocupou, como membro efetivo, a Cadeira de nº16. Nesta Academia sempre atuou sob os aplausos de todas as pessoas que ouviam e liam as suas manifestações. Foi um atuante muito importante na história da cultura popular brasileira.

Eu já solicitei ao presidente da Academia Maranhense de Letras, dr. Benedito Buzar, que o livro “Breve História das Ruas de São Luís” seja reeditado e assim fui atendido. Estou, portanto, esperando a reedição.

Cada rua em São Luís tem uma história muito importante. Revela fatos, atos e pessoas, que merecem ser reveladas aos seres humanos que amam a capital maranhense.

Sempre digo que estive, estou e estarei dentro da cidade São luís e ela dentro de mim, por ela, por mim, e pelos seus habitantes que sabem nela viver.

O livro, acima citado, revela muito bem a história das ruas e praças da cidade São Luís, que, hoje, sendo também Patrimônio Cultural da Humanidade, merece estar sempre bem administrada, conservada integralmente, a fim de que não perca o seu valor histórico.

Ela nunca deve ser destruída. As suas ruas, praças, os seus lindos sobrados, enfim, todos os seus imóveis, merecem proteção perfeita.

As suas paisagens naturais e arquitetônicas me conduziram sempre a valorizar o que existe de melhor e mais lindo no mundo: amor à vida e respeito aos que nela e por ela fazem o melhor para todos.

Para que ela, como Patrimônio Cultural da Humanidade, possa seguir no espaço universal, precisa estar sempre bem administrada, e que, desse modo, as suas ruas e praças permaneçam belas e acolhedoras a todas as pessoas que nelas queiram estar pelo bem da humanidade.

Para a cidade São Luís e para todas pessoas, que a amam, quero, aqui, deixar registrado este meu poema: “Ela diz bem o valor da saudade,/ exalta a inteligência dos que se foram,/ porém nela suas obras ficaram,/ ela é rica, tem valor no tempo e no espaço,/ várias gerações nela expressam a sua bondade,/ a inteligência não morre,/ é imortal, assim, está em São luís e na eternidade.”

A cidade São Luís tem história e espaço hoje e sempre para estar nas memórias e nos corações dos que sabem pensar e amar.

José Carlos Sousa Silva (AML).

 

(...)"

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2 - CARTAPÁCIOS E PESQUISAS

(*) Mhario Lincoln

Além do livro do professor Domingos Vieira Filho, há um outro, de

Carlos Lima, que igualmente fala das curiosidades das ruas de São Luís. Bem à propósito, matéria em "O Imparcial", matutino onde trabalhei por quase 10 anos, publicou em 14 de Setembro de 2016, uma matéria interessante sobre a origem dos nomes das ruas de São Luís. Vale a reprodução:

14 de Setembro de 2016

Já se perguntou o motivo dos nomes das ruas da nossa cidade? Rua do Sol, Rua da Paz, Beco do Quebra-Bunda entre muitos outros nomes, carregam um pouco de uma história que muitas vezes passa despercebida. Alguns desses nomes e seus significados foram extraídos do livro, “Caminhos de São Luís”, de Carlos de Lima.

Praça da Pacotilha

Em seu lugar havia uma casa, que foi derrubada dando lugar a Praça da Pacotilha, que tem esse nome pelo famoso jornal “A Pacotilha”, que funcionava em um casarão naquela casa. Esse jornal se tornou o que hoje é O IMPARCIAL.

Rua Grande

A Rua Grande além de um importante ponto comercial de São Luís é a rua mais antiga da cidade, estando presente em mapas de 1698. Antes de se tornar uma rua com um comércio movimentado, a Rua Grande era um famoso ponto de passeio no centro.

Rua das Flores

No início a Rua das Flores era chamada Rua Aluízio Azevedo, mas não há indícios em sua história que esteja ligado a flores. Rua adjacente do comércio do centro e nas suas esquinas está a Igreja São João, a Loja mais antiga da Maçonaria, entre outros.

Rua Portugal

Era chamada de Rua do Trapiche e em 1906 mudou de nome para Rua Portugal, por causa das homenagens a visita da corveta À Pátria, da Real Marinha Portuguesa. A concentração de compra e venda de mercadorias na antiga área portuária da ilha deu origem ao complexo comercial da Praia Grande.

Beco do Quebra-Bunda

Um despenhadeiro existente na esquina da Praça João Lisboa com a Rua Formosa (Afonso Pena), o chamado Canto Grande, que um engenheiro tratou de dá uns cortes para evitar as quedas. Mas mesmo depois da investida, o trecho da Rua João Vital não deixou de ser menos perigoso. Quem passava pelo lugar corria o risco de cair com a bunda no chão. Também foi popularmente chamado de Quebra-Costas. Hoje é conhecido como Beco da Pacotilha e deve-se ao fato de o prédio de azulejos verdes, na esquina, ter sido sede do famoso jornal do século XIX, O Imparcial.

Beco da Bosta

Que nome mais estranho. Mas o Beco da Bosta é um beco estreito que durante o período colonial servia de passagem para os escravos levarem os tonéis de excrementos das famílias da cidade e jogá-los na maré, único meio de despejo da época, já que não existia rede de esgoto. Esses escravos eram chamados de tigres ou cabungos. Também ficou conhecido como Beco da Baronesa, porque na esquina ficava o sobrado da baronesa de São Bento. Hoje tem o nome de Travessa 28 de Setembro em alusão ao dia da assinatura da Lei do Ventre Livre.

Canto da Fabril

Um dos pontos de referência mais famosos da cidade, o Canto da fabril, tem esse nome devido ao fato de ali próximo ter funcionado a Companhia Fabril Maranhense, fundado por Crispin Alves dos Santos, quando o boom das fábricas sonhava modificar a cidade. O Canto da Fabril fica na intersecção da Rua Senador João Pedro e a Rua Grande (Oswaldo Cruz). Sim! A Rua Grande vai até ali. Oficialmente o Canto da Fabril compreende o trecho da Rua Senador João Pedro, antes uma continuação do Caminho da Boiada.

Beco da Caéla

O nome deste logradouro localizado no Centro de São Luís tem origem inusitada. Reza a tradição que vivia ali um portugues louco por crianças e que ao ver uma não resistia e pedia: “Dê-me cá, ela!”. Dá cacofonia surgiu o apelido. Hoje o beco, que começa no Anel Viário e termina na Rua Formosa (Afonso Pensa), antes um grande lamaçal, leva o nome do poeta Maranhão Sobrinho.

Rua dos Afogados

(N. de ML: Nasci nessa Rua).

Segue da Rua do Egito até a Rua Rio Branco. Já chamou-se Rua dos Afoga Bugios. Conta-se que o divertimento dos meninos de antigamente era afogar os muitos macacos que existiam por aquelas bandas nas águas do riacho. Claude d’Abbeville descreve em sua obra que outrora, “uma fonte, particularmente bonita… cercada de palmeiras, guacos, murtas e outras árvores maravilhosamente grandes, sobre as quais se veem muitas vezes, monos, macacas e micos que vão beber água”.

Rua do Giz

Deve-se o nome provavelmente a ladeira de argilas brancas onde hoje é a escadaria. Começa no Largo do Palácio, continuava até a ladeira Vira-Mundo (Rua Humberto de Campos), para depois subir pela rua nova cascata (Jacinto Maia). O trecho entre o Largo do Palácio e a escadaria foi aterrado para formar o passeio que fica em frente ao Palácio do Comércio (Associação Comercial). Muitos artistas pintaram essa rua pela majestosa paisagem das fachadas dos prédios coloniais na ladeira.

Rua do Sol

Ela liga a Praça Deodoro ao Largo do Carmo, palco de passeatas cívicas e dos desfiles militares e escolares que eram saudados pelas famílias ali residentes, seguindo pela Rua do Sol em direção a Av. Magalhães de Almeida. A Rua do Sol recebeu o nome de Nina Rodrigues e por ela passaram grandes levantes políticos de protesto. As concentrações populares ocorriam na Praça Deodoro e através da Rua do Sol seguiam até o Palácio dos Leões, continuando pela Rua de Nazaré e Praça Benedito Leite.

Rua Formosa

Seu nome deu-se em homenagem à beleza do local. Também ficou conhecida como Estrada Real, por ser uma rua longa. Recebeu também o nome de Rua Afonso Pena. Inicia-se nas proximidades do Largo do Carmo e segue até a Rua do Portinho. Segundo os pesquisadores, foi a primeira a receber calçamento de cantaria “cabeça-de-negro”. Nessa rua, segundo a pesquisadora Magnólia Sousa Bandeira de Melo, havia um local chamado de Canto Pequeno, localizado na esquina com a Rua de Santana, onde os negros de carga sempre se reuniam para, entre outras coisas, falarem mal dos outros.

Canto da Viração

Quem não já marcou um encontro no Canto da Viração? O logradouro é a esquina da Rua Grande com a Rua do Passeio, no Centro. Bem, ali não tem as melhores brisas da cidade, nem é onde o vento faz a curva. Na verdade, o local foi chamado assim porque era o ponto aonde os bondes que vinha da Rua Grande viravam para seguir para a Rua Rio Branco, em sentido à Praça Gonçalves Dias. Hoje o sentido do trânsito inverteu, mas o local continua sendo ponto de encontro de muita gente.

Praça Benedito Leite

A praça antes era chamada de Largo João Velho do Val (ou do Vale) e mudou de nome após a construção de uma estatua de bronze em homenagem a Benedito Pereira Leite, estadista que levou o nome do Maranhão no Senado da Republica. Fica lado da Catedral Metropolitana, Igreja da Sé, e do Palácio do Comércio.

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