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Geral BONECOS DE MACHÊ

Exposição organizada por Joana Bittencourt mostra 'Brincadeiras do Maranhão'

Bonecos elaborados em papel machê.

29/08/2020 12h00
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Por: Mhario Lincoln Fonte: ML/Mônica Rodrigues
Parte da exposição.
Parte da exposição.

Exposição organizada por Joana Bittencourt

mostra 'Brincadeiras do Maranhão'

 

Texto de Mônica Rodrigues

 

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Produção do Vídeo, abaixo:

Sociedade Artística e Cultural Betto Bittencourt Presidente: Joana Bittencourt Vídeo: Produção iTV (Curitiba-Paraná) Imagens: Adelman Baltazar Texto: Arte educadora Mônica Rodrigues Narração: Ator Claudio Marconcine Edição e Direção: Mhario Lincoln

Acesse o linkhttps://www.youtube.com/watch?v=iyjW_GcjZwQ&feature=youtu.be

 

Joana Bittencourt, curadora da exposição.

INTRODUÇÃO:

Como uma paixão familiar, o amor bonequeiro resistiu a partida do saudoso e genial artista Beto Bettencourt pelas mãos da escritora e ativista cultural Joana Bittencourt. A perpetuação dessa artesania que já data de mais de três mil anos, tem como função, a comunicação, a representatividade cultural dos povos e sobretudo, a promoção da diversão e da alegria.

A Exposição “Brincadeiras do Maranhão”, representa um recorte do imenso universo que permeia a cultura de nosso estado, através de bonecos criados e restaurados na Companhia de Artes Beto Bittencourt, na técnica de papel machê, vestidos e ornamentados para uma nova função além da original arte teatral. Um novo olhar através da apreciação estética, como objeto artístico que simboliza, além das brincadeiras e festejos aos quais representam, a sua verdadeira função que é a animação – a vida simulada.

O preciosismo dos detalhes dos bonecos da exposição advém de um longo período de isolamento social ao qual toda humanidade vem a passar, e que a artista Joana Bittencourt aproveitou para dar vazão ao seu projeto museal que há anos vem construindo.

Em seu lampejo criativo, essa artista percebeu que se a Arte deve estar onde o povo está, e se hoje, as redes sociais são os caminhos possíveis desses encontros – a exposição de bonecos também deveria ganhar esse espaço com uma proposta artística expositiva.

Brincadeiras do Maranhão é originalmente uma exposição física localizada no bairro da Cohama – sede da Sociedade Artística e Cultural Beto Bittencourt, em São Luís, no estado do Maranhão, mas se propõe nesse momento a ser apresentada ao público no formato online para democratizar o acesso e oportunizar aos internautas a fruição e conhecimento das várias faces de nossa cultura via esses objetos simbólicos.

Existe nesse acervo expositivo três temas culturais representados: Bumba-Meu-Boi em vários sotaques, com o vaqueiro, amo, brincantes, índios e índias, caboclo de pena e o próprio boi. O Tambor de Crioula e suas coreiras, tambores e tambozeiros. Por fim, Festejo do Divino Espírito Santo, com imperador e imperatriz, caixeiras e bandeiras, mordomos, a coroa, a pomba, o mastro e outros simbolismos que compõem o conjunto dessa festa religiosa sincrética.

 

Texto 2: SOBRE A FESTA DO DIVINO

A Festa do Divino é oriunda de Portugal e chega ao Brasil por volta de 1620 com os primeiros açorianos no Maranhão. O Divino é cultuado, principalmente, em São Luís, onde destacam-se as festas promovidas pela “Casa das minas” e pela “Casa de Nagô” e em Alcântara, onde tem grande brilho com romeiros vindos de vários lugares.

Os festejos do Maranhão distinguem-se pela presença marcante das caixeiras que, com toques característicos rufam suas caixas e tiram as cantigas. São compostos por: Imperador e Imperatriz, mordomos, aias, caixeiras, pajem da coroa e bandeireiro. Um dos momentos mais esperados é o levantamento do tradicional mastro na véspera da Ascensão. Ele é retirado de uma mata das redondezas e enfeitado com ramos de murta, frutas e bebidas. Depois de preparado é batizado, solenemente, pelos padrinhos com vinho tinto e erguido pelos populares em meio a muita festa.

 

Texto 3: SOBRE O BUMBA-MEU-BOI

O Bumba-meu-Boi é um auto teatralizado com temática que se renova a cada ano. É a história da gravidez de Catirina e seu desejo insofreável de comer a língua do boi mais bonito da fazenda, compelindo pai Francisco, seu homem, a satisfazê-lo, furtando o boi. A partir daí desenvolve-se o auto com cenas e cantorias.

Compreende o “guarnicê” (reunir), que convida os participantes a iniciarem a festa; o  “lá vai”, um aviso de que a brincadeira dirige-se ao local da apresentação; a “licença” ou “chegou” em que pede permissão para exibir-se; a “saudação”, com toadas de louvação ao dono da casa e ao boi. Daí em diante começa o auto com a história de Catirina e pai Francisco, o sequestro do boi, sua morte e cura, culminando com o “urrou”, momento de grande euforia pelo restabelecimento do boi, que contagia brincantes e espectadores; e a “despedida”, ponto final da encenação, o adeus da brincadeira, com agradecimentos ao público e ao dono da casa. Os personagens dessa brincadeira, são: o Boi, o Amo (comandante da festa que personifica o dono da fazenda), o Cantador (personagem mais importante depois do Amo), os vaqueiros e brincantes, pai Francisco ou Preto Velho, ou ainda Chico  (personagem cômico), Catirina (mulher do Chico), Índias e Caboclos de penas ou Caboclos Reais e as Mutucas (espécie de contrarregras). São cinco os sotaques ou estilos: Costa de mão, Matraca, Pandeirão, Orquestra e Zabumba.

 

Texto 4: SOBRE O TAMBOR DE CRIOULA

O Tambor de Crioula é uma dança afro-brasileira cuja principal característica coreográfica é a formação de um círculo com solistas dançando alternadamente no centro. Um de seus traços distintivos é a pungada (umbigada). A música é tocada por três tambores, sendo que o tambor maior é chamado de “tambor grande”, o médio de “meião” ou “socador” e o menor de “crivador”. Antes de serem tocados, são colocados diante de uma fogueira para esticar o couro, afinando-os. O tambor grande é amarrado à cintura do tocador chefe, de pé, preso entre suas pernas. Os dois menores são apoiados no chão, sobre um tronco, com os tocadores sentados sobre eles. Cada cântico inicia com um solista que canta as toadas, repetidas ou respondidas pelo coro, composto por homens que se revezam nos toques (tambozeiros) e por mulheres dançantes (coreiras). É, sobretudo, dança de divertimento, mas costuma ser realizada em homenagem a São Benedito, padroeiro dos negros do Maranhão.

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