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José de Ribamar Macau (Ratinho), amigo de infância de Mhario Lincoln, escreve sobre A Bula dos Sete Pecados

Mhario Lincoln nasceu em São Luís-Ma

27/07/2020 17h26 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: ML
Esta é a cada onde Mhario Lincoln foi logo após ter nascido. São Luís-Ma. Rua dos Afogados, 593
Esta é a cada onde Mhario Lincoln foi logo após ter nascido. São Luís-Ma. Rua dos Afogados, 593

A sensibilidade de José de Ribamar Macau (Ratinho) ao escrever sobre Mhario Lincoln e A Bula dos Sete Pecados. Simplesmente emocionante

 

Carta a Mhario Lincoln

(*) José de Ribamar Macau

Não sou poeta, nem escritor, nem nada. Sou amigo de Mhario Lincoln desde criança. Nasci quase defronte à casa dele, na Rua dos Afogados, no centro de São Luís. Lá o conheci durante as chuvas torrenciais do mês de abril. Brincávamos de nos deixar levar pela força da água que era muito forte. Nossa casa ficava exatamente no final de duas ladeiras. A enxurrada descia dos dois lados e subia alto, formando uma montanha d’água, onde nos jogávamos. Era um perigo pois as águas eram engolidas por um imenso sumidouro chamado “Boca de Lobo”. Antes não tinham grades e por um amigo nosso ter morrido afogado numa dessas brincadeiras, decidiram colocar na entrada do sumidouro, grades. Isso salvou as nossas vidas. A minha, nem tanto, mas a de Mhario Lincoln foi relevante para que ele produzisse o que está produzindo agora.

Tomei-me de surpresa quando ele me ligou e pediu que eu escrevesse. Disse pra ele que aos meus 67 anos, não estou mais vendendo juventude em razão de um acidente de trabalho que me tirou a mobilidade dos braços e de uma perna. Mesmo assim, ditei esta carta para uma de minhas filhas que é ‘afilhada’ dele. Dei o nome de Orquídea, em razão da irmã dele que era criancinha em nossa época, mas já era bonita o suficiente para sonhar com esse nome, se filha viesse a ter um dia.

Ela, a minha Orquídea, leu demoradamente cada verso, cada soneto, cada quadrinha, cada frase e eu confesso que em algumas ocasiões, chorei. Mas de felicidade em ter o Mhario Lincoln, entregue essa mis são de escrever uma das apresentações deste livro pra mim. Sou velho amigo, apenas um funcionári

A Bula dos Sete Pecados.

o público municipal, que durante a maior parte de sua vida, recolheu nas madrugadas o lixo público pela então companhia de limpeza urbana da cidade. Foi nesse honra do trabalho que recolhi quase toda a minha biblioteca onde meus dois filhos, Orquídea, médica e Junior, das Forças Armadas do Brasil, estudaram e passaram nos concursos públicos para os quais se submeteram.

A bondade de Mhario Lincoln é imensa. Nunca esqueci quando minha mãe morreu em 2007 e ele, mesmo lá de Curitiba soube e me telefonou. Passamos mais de uma hora conversando sobre nossa infância. Ele me lembrou do episódio da música. Ele participou de um conjunto musical e eu ia como ‘ajudante da montagem dos instrumentos.’ Ele arranjou um jeito para eu estar junto. Agora ele me surpreende mais uma vez me dando uma missão como essa. Não fugi e estou escrevendo do meu jeito.

Li alguns prefácios aqui escritos. Quem sou eu para falar da obra de Mhario Lincoln. Mas ouso assim afirmar que existe algo que me chama muito a atenção na linguagem de Mhario Lincoln. Ele é romântico sem ser pastoso. Ele consegue rimas excepcionais, sem se perder na métrica. Deixa o

leitor, como eu, bem à vontade para viajar em sua poesia leve e bonita.

Fiquei muito animado com essa oportunidade. Eu que já estava quase desistindo da vida, na situação em que me encontro e com meus filhos já formados, bem casados e bem empregados. Mas essa centelha de Mhario Lincoln me renovou. Me jogou novamente para o alto, como quando éramos crianças e o encontro das enxurradas nos levava ao pico das ondas da Rua dos Afogados.

Obrigado meu amigo. Quando você for lançar o livro em São Luís quero estar lá, na primeira filha, mesmo em cadeira de rodas, para abraçá-lo fervorosamente e revelar o segredo que eu guardava dentro daquela lata de leite ninho e que nunca te deixei abrir.

Não vou revelar o que tinha dentro até rever você e este livro, cuja honra de prefaciar foi tão imenso o quanto imenso é minha amizade e meu respeito por você.

Um grande abraço.

JOSÉ DE RIBAMAR MACAU DOS SANTOS

Ratinho

 

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