Quinta, 13 de Agosto de 2020
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Geral AGRESSÃO FEMININA

Roger Dageerre e a Indolência; uma realidade mais que diária

Contista maranhense

25/07/2020 21h31 Atualizada há 3 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: ROGER DAGEERRE
Foto google
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Indolência

Convidado: ROGER DAGEERRE


Era uma vez um homem chamado Roberto e que morria de ciúmes de sua esposa. Ele tinha uma gráfica que funcionava na própria residência. Sua esposa era costureira, e também trabalhava em casa. Num determinado dia, ele saiu para fazer uma entrega de serviços gráficos, deixando-a sozinha. Quando retornou, encontrou-a na sala tirando as medidas de um moço que estava encomendando um blazer. Roberto não gostou e começou com os escândalos de sempre. Ela procurou acalmá-lo:
- Tenha calma! Ele só veio fazer uma encomenda...
- Justamente na hora em que precisei sair?
- E o que tem demais isso? – Perguntou o cliente.
- Não se meta. Estou falando com ela e não com você. Não o conheço e não me dirija a palavra.
- Calma, Roberto! Ele é só um cliente. – Disse a esposa, tentando acalmá-lo.
- Quem me garante que vocês não se aproveitaram da minha ausência?
- Que absurdo! Respeite-me. Sou uma senhora, esqueceu?
- Eu a conheci agora, fui indicado por uma cliente dela...
- Já disse! Não se meta! – E partiu para agredi-lo. O moço simplesmente se esquivou, pois não estava ali para brigar. Cancelou a encomenda do blazer e saiu deixando os dois discutindo.
- Não aceito este tipo de safadeza. Minha mulher tem que ser só minha e de mais ninguém...
- Desde quando eu sou de outro homem?
- Não mude de assunto. – E partiu para agredi-la também. Ela correu para fora da casa para evitar ser espancada pelo marido furioso. A vizinhança apareceu para ajudar, mas Roberto ainda chegou a quebrar alguns móveis da casa. Ele só ficou calmo quando a polícia apareceu. Pediu desculpa e os policiais prometeram voltar caso fosse necessário; e aconselharam a esposa a registrar uma queixa contra ele.
- Roberto, assim não dá! Na semana passada você criou o maior barraco por causa de um telefonema de uma cliente, acusando-me de armação. Ela só estava tentando pagar o vestido que fiz, e você achou que ela estava intermediando um caso amoroso com outro, que só você sabe quem é, porque isso é coisa da sua cabeça, um absurdo, uma falta de respeito imenso. Outro dia você quase espancou um vizinho, só porque ele me cumprimentou. Você não pode agredir uma pessoa que passa na porta e diz “bom dia”. Nem sei onde ele mora. Sei apenas que passa aqui todos os dias por ser o caminho dele. Isso é uma obsessão, uma loucura, não podem ser normais essas atitudes. Você precisa de tratamento psiquiátrico.
- Eu não gostei da forma como ele pronunciou o “bom dia”. – Disse Roberto explicando-se.
- E naquele dia em que nós saímos para jantar fora e você agrediu o garçom só porque ele foi gentil comigo?
- Ele estava tomando gosto.
- Ele não disse nada demais. Apenas dirigiu-se com delicadeza. Ele não é educado só comigo; ele trata assim a todos os clientes.
- Você pensa que eu não percebi o seu jeito charmoso de cruzar as pernas quando o garçom aproximou-se da mesa sorrindo com você?
- Ah, não! Pra mim chega. – E arrumou as malas, embalou a máquina de costura e chamou um táxi. Quando o motorista estava colocando a máquina na mala do carro, Roberto tentou impedi-lo, mas ele era forte o suficiente para controlar um homem ciumento. Como não conseguiu dominar o motorista, tentou argumentar com a sua esposa, declarando arrependimento e prometendo controlar o ciúme. Mas não adiantou, ela saiu sem olhar para trás, abandonando tudo.
Talvez Roberto estivesse pagando o preço por causa do ciúme exagerado, por ter vivido o tempo todo vigiando a sua esposa e duvidando da fidelidade dela. Ela nunca deu motivo, sempre deu satisfação de tudo e nunca saiu sozinha depois que se casou com ele. Estavam sempre próximos um do outro, já que trabalhavam no mesmo local em que moravam. E ainda assim, ele sempre alimentou a fantasia de que existia outro. Além de acompanhar todos os passos dela, ainda cheirava as suas roupas, conferia o aroma do perfume, mesmo sem ela sair de casa. Verificava todos os contatos no
aparelho telefônico e, quando percebia uma ligação de um desconhecido, ele cobrava satisfação e acabava sempre em confusão. Ela procurava contornar tudo sem perder a calma, pois nada tinha a esconder. Todas as acusações eram levianas. Tinha a sua vida rotineira, cuidava da limpeza da casa, preparava as refeições diárias e dava conta das costuras encomendadas. Ela foi embora sabendo que ia sentir falta do esposo, e que, com certeza, ele saiu perdendo, e muito, pois viver no abandono é tão cruel quanto ficar viúvo.
Roberto ficou curtindo a solidão e, desde quando ela se foi, ele nunca mais a viu. Nunca descobriu o endereço dela. Depois de vários anos tentando encontrá-la, conseguiu o número do telefone e ligou para tentar, pelo menos, falar com ela. O telefone chamou e, antes que alguém atendesse, ele disse:
- Alô, amor! Sou eu, o seu querido esposo. Não se espante, não sou mais aquele homem ciumento. Se você voltar, prometo que vou deixar você cuidar só de você. Não vou mais te proibir de ir ao salão de beleza, de usar óculos escuros, de ir ao cinema. Pode até cortar o cabelo do jeito que você quiser, pode usar roupa curta com decote sensual, saltos altos, bastante maquiagem, inclusive batom vermelho forte. Você vai poder fazer tudo que gosta. Volta, amor! A nossa casa está com aspecto de abandono total. Perdeu o valor desde quando você foi embora. As plantas, apesar de
eu regar todos os dias, murcharam; elas sabem do tamanho do meu sofrimento, sabem que eu morri quando decidi esperar você. Se você voltar, não precisa me acusar, porque tudo que fiz foi para salvar o nosso amor. Se me descontrolei foi porque não pude suportar. Se você voltar, pode fazer o que quiser. Se você voltar, tudo vai ficar em ordem. O abandono diz tudo que sinto: saudade, arrependimento, falta de carinho e remorso de tanto esperar. Sei que você está me ouvindo; se não quer falar, não tem problema, e nem precisa. Eu só quero que você volte. – Roberto ficou com o telefone na não, não ouviu a voz dela, ouviu apenas o sinal de desligado: pi, pi, pi, pi pi, pi...
Decepcionado, ele continuou com o telefone na mão recusando-se a desligar, mesmo sem ter certeza de que era ela que estava do outro lado da linha. Se era a sua esposa, não quis falar e, se não quis falar; com certeza nunca mais vai voltar, pois o amor, mesmo que seja infinito, jamais vai sobreviver suportando as agressões e os escândalos provocados por ciúmes doentios de um homem totalmente desequilibrado.

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