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PAULO RODRIGUES, escritor Premiado na UBE, resenha o livro A BULA DOS SETE PECADOS

Resenha para o Jornal AGORA SANTAINÊS

25/07/2020 10h26 Atualizada há 2 semanas
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Por: Mhario Lincoln
Paulo Rodrigues resenhou a 'Bula dos Sete Pecados' para o jornal AGORA SANTA INÊS
Paulo Rodrigues resenhou a 'Bula dos Sete Pecados' para o jornal AGORA SANTA INÊS
Paulo Rodrigues.

A BULA DOS SETE PECADOS: UM OLHAR PARA A EXISTÊNCIA

(*) Paulo Rodrigues 

 

        Mhario Lincoln é advogado, auditor fiscal aposentado, poeta e escritor brasileiro e presidente da Academia Poética Brasileira, instituição da qual sou membro com muito orgulho. Realizamos muitos eventos juntos em São Luís e também em Santa Inês, divulgando o trabalho cultural da APB.

       Somos inquietos. Acreditamos que a literatura pode interferir na ordem social, alterar as rotas e até construir um país mais justo. Sonho? Talvez, mas é preciso sonhar. No entanto, vamos deixar de conversa. O assunto da vez é o livro A Bula dos Sete Pecados do Mhario. Uma coletânea produzida pela editora PalavraeVerso (120 páginas) em 2020.

 

A Bula dos Sete Pecados.

O poeta é dono de um estilo leve, que observa as cenas do cotidiano para extrair delas o elixir da vida. Com a sapiência dos homens maduros, consegue a jogada certa com o melhor da linguagem. Li e reli os textos com a mesma empolgação, porque ficamos motivados para a leitura da obra.

      Destaco ainda que o Mhario Lincoln trabalhou durante 40 anos como jornalista profissional em jornais e TV (entre eles, o SBT/Difusora). Talvez esta atividade deu a ele a capacidade de usar imagens profundas na construção no texto poético. Parece mesmo um passeio numa sala entre o cinema e a página poética.

      O poeta vai buscar inspiração no cânone, reconstrói os passos do nosso maior poeta romântico:

 

A GONÇALVES DIAS

  

Gonçalves,

que Dias

o amor intenso,

mas proibido

na volta ao porto,

apenas teu corpo

carregado pelas brumas

da baía de São Luís

náufrago da paixão e dos oceanos

da incompreensão humana.

      O diálogo é intenso, lírico, com uma intenção de remodelagem do sentimento poético sobre a morte de Gonçalves Dias. A intertextualidade é uma constante nos textos pós-modernos. Graça Paulino afirma: “a apropriação, enquanto prática intertextual, transita em muitas remodelagens de ideias e acontecimentos”. Acontece isso, nas reconstruções do poeta Mhario Lincoln.

       Num outro momento do livro, o poeta recupera a libido da palavra com lances de linguagem, muito ligados ao vivido (dando mesmo concretude ao simbólico). Ele faz com galhardia o reviramento das nossas sensações:

 

por que amo tanto ciganas?

uma cigana

fata Morgana

rosto nirvana.

  

a alma engana?

o coração reclama

a libido inflama.

 

      Mhario sabe incendiar o lirismo moderno com a raiz entomológica do verbo latino “vocare”. É uma invocação quase sinestésica, que estimula o leitor a continuar se desafiando na leitura do poemário. Faz excursões interessantes nas suas próprias comoções, nos apresentando reflexões interessantes sobre a existência.

      Parabéns, Mhario!

 

 

TEXTO: Paulo Rodrigues (Caxias, 1978), é graduado em Letras e Filosofia, especialista em Língua Portuguesa, professor de literatura, poeta, jornalista. É autor de vários livros, dentre eles, O Abrigo de Orfeu (Editora Penalux, 2017); Escombros de Ninguém (Editora Penalux, 2018). Ganhou o prêmio Álvares de Azevedo da UBE/RJ em 2019, com o livro Uma Interpretação para São Gregório. É membro da Academia Poética Brasileira. 

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