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Geral NASCIMENTO MORAES

CAMINHARES, in memoria, ao poeta José Nascimento de Moraes Filho

Poeta João Batista Gomes do Lago (São Luís-MA)

18/07/2020 12h21
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Por: Mhario Lincoln Fonte: JB Gomes do Lago
Nascimento de Moraes Filho
Nascimento de Moraes Filho
JB Gomes do Lago

CAMINHARES

(dedico este poema, in memoria, ao poeta José Nascimento de Moraes Filho, que faleceu no dia 21/02/2009)

© de João Batista do Lago

 

Não me queiras tu indicar-me caminhos,

Todos os traçaste com pés de porcos.

Não. Não queiras tu impor-me teus santos;

Teus cânones – pérolas que brotam das lamas –,

E se instalam no altar da sacristia

Onde se rezam orações profanas ao

Deus dos mercados que te encanta…

 

“Não, eu não vou por aí”.

– já dissera um poeta Régio –,

Mas tu insistes com ar de vitória

Conquistada com o vintém dos bajuladores

Que tomam tua obra como hóstia sagrada

Para em seguida cagá-la no colo ilustre

Da tua bem-aventurada sapiência burocrática.

 

Afasta de mim o cálice das canonizações fáceis,

Não me pretendo entre mortos das velhas escolas

De sabedorias guardadas nos armários das velhacarias,

Donde soam vozes e signos dos vampiros

Que sugam a alma do povo trabalhador,

Vilmente esquecido pela tua ânsia de atingir estrelas

Com versos de galanteador.

 

Não. Não me convides para seguir este teu caminho…

Meus pés não suportariam os mármores da tua igreja!

Por certo me aleijariam… E sangrariam até a morte…

Prefiro o calvário da dor… E da fome… E da miséria,

Que o banquete da pajelança dos curadores e dos ímpios

Versejadores que desfilam na corte da ignomínia;

Que vendem sua alma ao diabo como anjos de sabedoria.

 

De que me adianta seguir o teu caminho,

Se nele apenas se compraz a reprodução do visível?

Não. Não pretendo seguir o teu caminho.

Prefiro dar visibilidade ao não visível,

Àquilo que se esconde por detrás do teu versejar,

Mesmo que me acuses de incompreensível

Meu desejo é rasgar o verbo até ele sangrar.

 

Este, sim! Este é o meu caminho.

E nada me fará mudar este destino

– de escrever no pergaminho da vida

a sólida robustez da miséria e da fome,

da insensatez do homem,

do deus perdido no aquário do ser,

do sujeito obra da natureza entre Deus e diabo.

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