Quinta, 13 de Agosto de 2020
Dúvidas pelo seguinte e-mail
Especiais POESIA

POETAS E SUAS OBRAS MARAVILHOSAS

Maranhão & Paraná

17/07/2020 13h53 Atualizada há 4 semanas
386
Por: Mhario Lincoln Fonte: ML
POETAS @ POETAS
POETAS @ POETAS

PÁGINA POÉTICA

Convidados:

 

Ana Neres Pessoa.

Promessa da volta

Ana Néres Pessoa

 

Rasga o ar presságio

Uivo nas passagens do tempo

Terremoto no chão da vida

Desmoronando encostas

Atiçando Palmeiras

Revoltando o rio

 

No rastro da Andorinha 

Na terra do Carcará

De voo seguro e

Coração pulsante de Ave

Que nunca conheceu gaiola

 

Agora presa em fios e veias

Reclamam seu canto

Bocas, mãos e olhos

De um sem fim de fiéis

Que não suportam a ideia

De um céu sem sua presença

 

Que sua promessa de amor

Batizada no berço do Rio 

Traga de volta pra gente 

Esse pássaro amado

Dessa ausência fora do combinado!

 

(Uma homenagem a Samuel Barreto)

======================================

 

 

 

Kalil GUIMARÃES

 

POETA CANTOR

 

Tua hora foi antecipada 

       o relógio quebrou

               não continuou o giro

       vou sentir saudade

                é a lei da amizade

Kalil Gimarães

 

com tua partida a lembrança 

            -por momentos-

                  sufocará o dia a dia

         terá gosto de tristeza

                  porque não nos despedimos

                           a vida nos despediu

 

foste

       mas deixaste

                 teus poemas 

                 tuas músicas 

                 teu sorriso

                 tua alegria

                 tua voz não se calou

 

perdi um amigo

       foi para o céu levar

                seu canto

                sua poesia

       te desculpo por teres

                ido embora tão cedo

       foi um privilégio ter-te como amigo

 

a despedida gera saudade

       que faz chorar o coração 

       meu afeto por ti não morrerá 

       a lembrança permanecerá 

                  para perpetuar-te

 

quando nos despedimos de um amigo

       o coração sofre

                mas nosso adeus não é definitivo

Samuel nos encontraremos na eternidade.

 

 

Kalil Guimarães 

Em 14.07.2920

 

 

Dione MS Rosa.

Róseos lábios (Dione M. S. Rosa)

 

                                            (Inspirado no poema “Vinho do Assassino” 

                                             de Charles Baudelaire)

 

 

Perfume suave nos lábios de sangue

Dão sabor ao amor ainda amargo,

Ansiando pelo ardor dum beijo exangue

(Longa noite de Inverno e temor largo). 

 

Albor da aurora brilha sobre as folhas,

Raios da lua espalham-se no mar

No silêncio de amores. As escolhas

São feitas pela oculta face a amar...

 

O homem de róseos lábios vem inspirar

Profundos desejos num coração

Esquecido, sem luz para brilhar.

 

A jovem cede aos encantos e beijos

Corados pela loucura de então,

 

Numa taça de lírios e festejos.

===================================

 

 

Noilves Araldi.

VIDA

(Noilves Araldi)

 

Fagulha que se acende 

E que ascendeu ao se ver vida, 

E do alto reverenciou 

Tantas e tantas outras vidas.

 

Quem será que as soprou, 

Esculpiu e arquitetou

Com presteza e perfeição 

Tudo o que idealizou? 

 

Somos núcleos, somos pontos 

A vagar nos perguntando: 

Quem será que nos deu 

Essa vida que hoje somos? 

 

Vasculhando o conteúdo 

Escondido em mil lençóis, 

De prazer e de desejos,

De amores e de intenções. 

 

Nossas interrogações 

São respondidas 

Com nosso próprio eco, 

 

Somos vida.

 

=========================================================

 

 

MINHA HOMENAGEM AO POVO INDÍGENA DO MARANHÃO QUE ESTÁ SENDO DIZIMADO COVARDEMENTE:

 

João Batista do Lago

O CANTO DO TIMBIRA

De João Batista do Lago

 

Ó, guerreiros da Nação Timbira,

Onde está Tupã agora!?

Terá Tupã abandonado tua glória,

Ó, guerreiros da Nação Timbira!?

 

‒ Ouvi-me, povo timbirense,

Vós que sóis o lume da glória

Não vos deixeis intimidar agora

Sabeis que somos todos tabajaras

Sabeis que somos todos guajajaras

Todos somos filhos de Nhanderuvuçu:

Suprema energia de todo Mar’Anhan

Que nos há de garantir vitória cidadã

 

Ó, guerreiros da Nação Timbira,

Onde está Tupã agora!?

Terá Tupã abandonado tua glória,

Ó, guerreiros da Nação Timbira!?

 

‒ Ouvi-me, povo timbirense,

Não vos deixeis abater pelo verde-metal

Vossa sina é pisar na cabeça de Anhanguera

Que vos quer roubar toda riqueza imaterial

Que vos quer atolar num pantanal de misérias

Que vos quer subjugar como besta fera

Não vos deixeis enganar pelo neocolonial:

Desgraçada “mão invisível”… riqueza amoral

 

 Ó, guerreiros da Nação Timbira,

Onde está Tupã agora!?

Terá Tupã abandonado tua glória,

Ó, guerreiros da Nação Timbira!?

 

Ouvi-me, povo timbirense,

‒ índios, negros, pardos, brancos, amarelos, vermelhos,

filhos ou não da nação maranhense ‒ ouvi-me!

‒ É chegada a hora de assumir Nhanderuvuçu:

Juntei-vos uns aos outros… uni vossos corações

Vosso poder existe desde antes do universo

Capaz de vencer por toda eternidade a besta fera

E devolver para os confins do Tártaro o miserável Anhanguera

 

=============================================

 

Poeta Eloy Melonio

VOZES VORAZES

Eloy Melonio

 

Vozes famintas de poder e glória

enchem o vazio do céu.

A todo instante, de todas as cores,

nos mais aguados tons da insensatez.

 

Aos milhões,

elas se vão: zoando, voando, zoando.

No rastro fresco do vento,

atravessam as noites, as estações.

 

E varam-nos o peito

sem vestígios de claras intenções.

 

E nessa rota de infames ruídos,

muita gente

sem vez, sem viço, sem voz.

 

No meio de todo esse vozerio,

um velho poema implora

aos seus versos

 

que não subvertam a sua essência.

========================================

 

Anna Liz.

O ESPELHO E A FACE

Anna Liz

estou aqui. bem aqui sentada

no meio-fio de uma rua qualquer,

penso nas desilusões e me vem

uma vontade de fumar um cigarro

sem qualidade. fecho os olhos e

penso-me inspirando e expirando

aquela fumaça em um movimento

lento de meditação. assim como a fumaça

as desilusões esvaem-se, quisera eu.

olho para o lado esquerdo, talvez seja  direito

(não sei, tenho dificuldade com lateralidade),

há um caco de espelho, terei coragem de encará-lo?

ele guarda o segredo da guerra entre o tempo

e a face. neste momento, quero a paz da

face inaudita. alguém me diz que se deve encarar

os medos. a mão titubeia: devo pegá-lo?

o que de mais horrendo poderá haver

neste reflexo, senão a aspereza, a rugosidade,

a face disforme, o olhar sem esperança?

a guerra entre o tempo e a face

é uma guerra perdida...

(Anna Liz)

12 comentários
500 caracteres restantes.
Comentar
Mostrar mais comentários
* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
Ele1 - Criar site de notícias