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Internacional VICEVERSA

OLINTOSIMÕES ENTREVISTA MHARIOLINCOLN QUE ENTREVISTA OLINTOSIMÕES

Opiniões pessoais e intransferíveis

10/07/2020 11h13 Atualizada há 4 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: ML
OLINTOSIMÕES/MHARIOLINCOLN/OLINTOSIMÕES
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MHARIO LINCOLN PERGUNTA:

Na verdade, meu caro Olinto Simões. Convidei 10 pensadores universais para perguntarem por mim.

 OLINTO SIMÕES RESPONDE:

Meu presidente, você me atirou na Arena Literária da Academia Poética Brasileira e não sei se conseguirei enfrentar os "Leões" que pôs ao meu encalço. Como bom Gladiador que me considero, não fujo a um embate. Aí está o enfrentamento. Começa instigando minha insensatez com um dos mais puros escritores que muito admiro, porém, isso não quer dizer que feche com ele, em todos os sentidos.  

 

1 – ARIANO SUASSUNA: “Eu acredito em Deus por uma necessidade. Se Ele não existisse, a vida seria uma aventura amaldiçoada. Então, ou existe Deus, ou a vida não tem sentido nenhum”. Concorda?

R – Você me pergunta se eu concordo com o Grande Ariano Suassuna e para responder, preciso comentar que concordo em parte. Primeiro não acredito, pela etimologia dessa palavra, mas, dou crédito à possibilidade da existência de "Uma Deusa", considerando que o único poder gerador de vida, sabidamente, é feminino. A vida..., pela vida, a meu ver, venturosa, com aventura ou até mesmo em desventura, jamais é amaldiçoada. Assim sendo, sempre vejo sentido na vida. Por esse meu prisma visual, não concordo.  

 

Num raio descendente à Terra, você Mhario, me derruba das Hostes Divinas, e me despacha numa Comunidade do Mar Egeu, num tempo em que aprender era um Prazer Peripatético, mas, atualmente, como não há quem goste de estudar, a formação das comunidades é feita por quem delimita perímetros, e praticamente a maioria das comunidades é formada apenas de patetas. Contudo, sendo eu um Peripato em isolamento de "Quarentena Covidiana", respondo.

 2 – ARISTÓTELES: “Toda comunidade visa um bem”. Esse bem, com certeza não se refere ao bem correto, universal, ou se refere, ao contrário?

R – Sim, toda comunidade visa um bem, todavia, depende do bem pra quem; de quem faz o bem; de quem usufrui ou ainda, se realmente há um bem de comuna-idade. Não posso me dar por entender um "bem correto" como o loco citato por você – Mhario – devido a explanação que acima fiz, porém, também não entendo um Bem Universal, Ecumênico, por aventar a possibilidade de outro bem, limitado, ou quiçá, usando de fértil imaginação, posso imaginar tal bem num Buraco de Minhoca.

 

Tirou-me do céu terreno Nordestino, lançou-me no que seria "A Comunidade Evolutiva" e agora me Acende Ribaltas, abrindo Boca de Cena no Palco do Mundo. Sim, aceito o desafio. Protagonizarei embora sem máscara, monologando como ele – Téspis – tão bem fazia.

     

3 – TÉSPIS: o primeiro ator do teatro grego, século VI a.C, usava as máscaras para “visualizar o sentimento da cena pelas máscaras”. Os mascarados modernos usam as mesmas máscaras para esconder os verdadeiros sentimentos, nas cenas do cotidiano?

 R – Não, não as mesmas. As Tespisinianas eram faces sem expressão, cabeças grandes que escondiam inclusive quase todo o pescoço. Assim, sem ele mostrar a própria face (mais ou menos como as pessoas fazem no FACEBOOK) conseguia avaliar a reação das plateias sem que se envolvesse emocionalmente na representação. Isso quer dizer que ele usava a emoção das pessoas para em voz e texto, passar o que as pessoas demonstravam..., sem saber que o faziam. Os mascarados modernos, como os chamou, usam máscaras não diabólicas, porém, maquiavélicas, expressões falsas, e sempre com intuito de se darem bem. É pena que a Mágica da Arte de Representação Cênica tenha descido do Palco Teatral ao palco mundo, à vida mundana, onde as representações não são cênicas e sim, cínicas.   

 

4 – SCOTT ADAMS: o cartunista norte-americano, autor das tiras de Dilbert, disse uma vez em entrevista: ‘Se você quer entender OVNIs, reencarnação e Deus, não estude OVNIs, reencarnação e Deus. Estude pessoas.’. E você?

 R – Não conheço o trabalho do Scott Adams, mas, considerando a fala dele, deve ser um cara consciente do "Quem somos". Não gosto muito de falar sobre OVNIS porque minhas Experiências "Práticas" existem e não são poucas. Seria narrativa por demais longa. Estudar a reencarnação, me é outro tema particularmente vivo, pois, o faço desde os meus 9 anos e tenho provas cabais da existência do "Depois". Estudar Deus, já o fiz de tantas maneiras que criei e defendi (como defendo sempre que posso) uma tese direta e objetiva de quem é essa (figura) para muitos, esse inenarrável ser imaterial. En passant, falei disso na resposta a seu questionamento quando usou o Ariano Suassuna. (Risos). Finalizando, estudar pessoas é o que faço todos os dias, sendo o Terapeuta que sou. Só não sei..., se me estudo. (Risos).  

 

5 – CARL JUNG: “Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade”. Na sua opinião isso ‘é uma verdade’?

R – Concordo plenamente, só retiraria a palavra "Fundamentos". Minha compreensão é que os erros são "A Verdade". Quando fazemos só o que sabemos, nada aprendemos. Vivemos a mentira existencial do, "olha como faço tudo certinho". Viver é aprender. Só aprendemos quando erramos. Por isso Jung superou o papai Freud. 

 

6 – FERNANDO PESSOA: "Tenho em mim todos os sonhos do mundo”. Será que uma pessoa tem realmente ‘todos os sonhos do mundo? Então, o que fazer com eles?

R – Considerando que cada pessoa é um mundo, sim. Tenho no mundo que sou, todos os sonhos meus”.

 

7 – ELEANOR ROOSEVELT: “Todos os dias faça alguma coisa de que você tem medo”. É válido?

 R – Sim, lógico, não sou incoerente. Veja minha resposta a Jung. O que não fazemos por medo, é porque nosso Cérebro Reptiliano, não nos permite fazê-lo, porque ele é o emissor do medo. Se não fizermos o que temos medo, não erraremos e consecutivamente, não cresceremos, não evoluiremos, não viveremos.

 

8 – ZYGMUNT BAUMAN. (Um dos maiores pensadores modernos, polonês): “A ideia de progresso foi transferida da ideia de melhoria partilhada para a de sobrevivência do indivíduo. O progresso é pensado não mais a partir do contexto de um desejo de corrida para a frente, mas em conexão com o esforço desesperado para se manter na corrida...”. Concorda?

 R – Infelizmente tenho que concordar com ele, no sentido que é assim a modalidade de vida do agora, o que não quer dizer que seja o certo. Se uma pessoa evoluiu, cresce, progride, ela melhora. Primeiro: melhorou no amor próprio e lutou para evoluir; a evolução é coisa íntima. Segundo: se cresceu não foi sozinha; o crescimento arrasta quem está à volta. Terceiro: se progrediu automaticamente conseguiu ajudar quem arrastou por estar à volta. Por fim, se melhora, houve progresso. Esse progresso é quase que de maneira simbiótica, contaminante do meio e acaba partilhado por muitos. Essa é minha visão, baseado no pensamento de Elizabeth Leseur: "Quando uma alma se eleva, eleva o mundo inteiro".

 

9 – PAULO FREIRE: “Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua própria produção ou a sua construção”. Desdobre!

 R – Muita gente vai me descer o cacete pelo que vou expor agora: não gosto do Paulo Freire..., "Endeusado". Gosto de um Paulo Freire, Educador, que se preocupava em tecer comentários mais evolutivos e menos classicista. Prefiro uma Educação Aberta ao invés da "Pedagogia do Oprimido". Que o leitor avalie: Pensamento e aplicação dele na Educação Brasileira: "Qual a razão da situação opressora?" – Essa tendência de frisar opressores e oprimidos, cria revolta gerando situações agressivas por parte de quem se sente oprimido. Por que discordo da maneira de pensar dele? – Porque prefiro um Darcy Ribeiro, que criou os CAIC's (Centros de Atenção Integral à Criança e ao Adolescente), que eliminou os antigos depósitos de crianças, as antigas Creches de pouquíssimas boas lembranças e montou um sistema em que crianças e adolescentes, passavam o dia na Escola. Do Darcy, uma fala que muito gosto e multiplico: "A mais terrível de nossas heranças é esta de levar sempre conosco a cicatriz de torturador impressa na alma e pronta a explodir na brutalidade racista e classista". A escola transfere conhecimentos sim! – Desde que não direcionado, será a ferramenta de desenvolvimento intelectual que fará a criança de qualquer "Berço", se transformar em gente pensante e produtiva.  


         Em epílogo textual, você me coloca de frente a um espelho e pede que eu me explique entre o bem e o mal que me habita e que habita qualquer pessoa. 

 

10 – OLINTO SIMÕES: “Se... o demônio do nada ‘engoliu’ o ‘poeta’, o deus do nada, antes, deve tê-lo regurgitado...”. Pode explicar melhor esse contexto?

R – Precisaria de mais três laudas para destrinchar a minha visão. Estou no final do espaço concedido. Resumirei. Nas últimas linhas da minha obra que pariu esta pergunta, há a resposta: "Poeta cria Poesia e se o Poeta é o contrário do nada, a Poesia por ele criada É Tudo. Se o Poeta Cria ele é Criador sendo ele Criador de Tudo, O Poeta É DEUS, e se fomos criados por Deus..., Somos Poesia. Assim sendo, que os Ignóricos nos engulam"!

 

 OLINTO SIMÕES PERGUNTA:

Mhario Lincoln, agora, aí vão as minhas pedradas contra sua cabeça. 

1 – Quais as diferenças ou similaridades entre a criatividade, o conhecimento e a Técnica, na escrita literária?

MHARIO LINCOLN: Nada se compara ao talento. A criatividade, por exemplo, não é genialidade. Não considero a criatividade como “inspiração divina”, nem mesmo algo fora do comum. Li certa vez que a criatividade estava muito mais ligada à energia interna do humano (o talento inato), esperando que um ‘insight’ na mesma vibração, seja absorvido. O conhecimento é algo bem estranho. Veja: o talento vai direcionar, quer queira ou não, o conhecimento, a partir dessa partícula energética. Por essa razão, tem pessoas especialistas em Futebol, outras em Cinema, etc. Então, de nada adiantaria alguém estudar demasiadamente Cinema, se o talento do estudando, se limita às criações no Futebol. Desta forma, o filho do maior jogador de futebol do Mundo, não conseguiu ter uma carreira saudável dentro das quatro linhas, tendo sido, apenas, um goleiro de média inspiração. Já a Técnica está direcionada diretamente ao Talento. Se eu tenho tendência a ser um pianista clássico, procurarei estudar através de métodos de música clássica. E assim, sucessivamente.

  

2 – Quais os gêneros de escrita mais lhe aprazem e para a leitura, quais?

ML: Imagina que eu comecei no jornalismo em 1967, como repórter-‘freela’, nas reportagens policiais do Jornal Pequeno, em São Luís, um dos matutinos que mais vendia naquela época. Em 1972, já como colunista semanal, recebi minha carteirinha do JP, como jornalista-colaborador. Foi uma das maiores felicidades que tive. E foi nesse período que eu aprendi muitas coisas, trabalhando ao lado de vários intelectuais, Eider Paz, Othelino Nova Alves, Nascimento Moraes Filho, Eloi Cutrim. E outros com quem convivi, bem à propósito, Bernardo Coelho de Almeida e a professora de incrível capacidade de resumo, Mary Santos.  O jornalismo escrito é a base de tudo para mim. Meu primeiro livro lido realmente no cenário nacional, cuja crítica foi imensamente favorável, estava diretamente ligada à reportagem investigativa: INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO. Foram vendidos muitos nas edições 1 e 2. Quanto a leitura, gosto de tudo que cai na minha rede. De HQ a Odisseia. Se bem que li Odisseia, também em quadrinhos. É a novidade do mercado. Enfim, gosto de absolutamente tudo. Porém, um livro que me deu um rumo para construir meus textos foi CEM ANOS DE SOLIDÃO. Nada, até o momento, me trouxe mais subsídios didáticos do que essa obra fantástica do escritor colombiano Gabriel García Márquez.

                                                                                                                   

3 – Na Hermenêutica Olintíada, comento a dificuldade instrucional do Brasil aos filhos da terra, desde 1980 pra cá. Nas minhas andanças pela ABL, falávamos nós, então alunos, sobre a Poesia Arcádica, por exemplo de um Basílio da Gama[1]. Dele..., pesquei sem anzol, e lhe sirvo em farto prato.

 

Ergue de jaspe um globo alvo e rotundo,

E em cima a estátua de um Herói perfeito;

Mas não lhe lavres nome em campo estreito,

Que o seu nome enche a terra e o mar profundo.

 

A pergunta é: qual o tamanho da placa para conter seu nome?

ML: Basílio da Gama! Gosto de tudo que reverta um ‘status quo’. Você, Olinto, por exemplo, reverteu a métrica, abarrotou as linhas e ultrapassou as Tordesilhas com um pensamento ágil e rápido. Como os franceses dizem: “au delà des frontières”. Por isso gosto de Basílio talvez por ter revertido um método épico – de como se construía a linguagem lírica da época – porém (e ele não era louco) conservando alguma das coisas tradicionais, como narrativa e epílogo. Quanto à placa que poderia conter 'seu' nome, não fujo do tradicional: que não ultrapasse o tamanho original de “O Uruguai”. Tá bom demais.  

 

4 – Fugindo do Complexo Arcadista e emergindo de cara no Modernismo não tão moderno de um Manoel Bandeira, vemos que em "Poética", 1922, ele grita: "Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo". Num repente, vejo chamarem de poesia moderna (em minúsculo mesmo) coisa assim: "Copo na mão e as inimigas no chão. Copo na mão e as inimigas no chão. Claudinha lacradora dando nas recalcadas. Enquanto a gente brinda, elas tomam pisão". "Lacradora" Claudia Leitte, 2017. Apenas, 95 anos se passaram do primo exemplo à hecatombe do segundo. Que abalo sísmico pode ter aberto tamanho grotão entre essas duas épocas não tão distantes?

ML: Não vejo assim, perdão. Dentro do meu bestunto, acho que todas as tendências nascem e renascem com o passar do tempo e com mudanças intrínsecas, inerentes ao pensamento e condição humanas. São princípios culturais pertinentes à época. Veja: cristãos foram queimados na Roma antiga, hoje sede da República Católica. Na época essa era a norma. Os Incas, sacrificavam crianças para apaziguar a força dos vulcões ou outras catástrofes. Portanto, não se trata de Bandeira escrever à la Manoel Bandeira e Claudia Leitte escrever à la Claudia Leitte. Se trata da absurda tese de que as evoluções mágicas da humanidade, especialmente no pertinente as letras, nem sempre vai agradar a nós, gregos; mas, quem sabe, a tantos troianos que ainda se perpetuam pelo Planeta. Sabe, Olinto, passei a respeitar (não cultuar) nesses mais de 100 dias (23.03 a 06.07.2020) que permaneço em exílio residencial, o quadrado de cada um. Isso passa por uma coisa chamada liberdade individual. Inclusive com apoio constitucional, a se ver: “Os direitos e garantias fundamentais são previstos na Constituição Federal e inerentes à pessoa humana”. Com isso, veja lá quanto não vendeu D. Claudia Leitte e quantos livros vendeu, à época dele, Manoel Bandeira? Esse fato comparativo, quer queiramos ou não, acaba fugindo do contexto, enquanto século XXI e enquanto a derrocada cada vez mais explícita do conhecimento humano.

 

5 – Você Mhario, como artista plural, brinca com as baquetas no couro que não mais mugi; tecla nas teclas que não imprimem caracteres; pinta com letras, paisagens imagináveis e/ou ilações impossíveis. Tem algo que gostaria de ter feito e "ainda" não fez?

ML: Um dia, quando era baterista de um conjunto musical no Liceu Maranhense, onde cursei o Ginásio e o Clássico, enquanto os outros músicos não chegavam, liguei o órgão elétrico e estava dedilhando algumas notas quando o titular do instrumento chegou e disse em alto e bom som: “Não suba além dos couros da bateria...”. Aquilo me irritou muito. Quis até não mais ensaiar e sair do grupo. Mas aprendi a lição. Por mais plural que eu seja – em razão de ter-me abusado em aprender sempre – sei exatamente a hora de me recolher. Nesse recolhimento de agora, reorganizo todo o aprendizado e coloco-os em escaninhos perfeitamente alinhados. Cada um, elencado conforme a importância. Neste momento fico devendo essa resposta, pois estou reorganizando todos os insights que me caíram do Céu, nestes últimos dois anos.

 

6 – Eu, já tive a felicidade de fazer arte em São Luís e quero voltar lá. Você aqui em Curitiba permeia por todos os ambientes. Quando faremos alguma "Arte" juntos?

ML: Tirou a resposta daqui: há muito venho me preparando para levar alguns amigos para fazer 'arte' em São Luís. Há imensa necessidade de intelectuais, artistas, poetas e músicos curitibanos, conhecerem a Cidade-Patrimônio da Humanidade. O modo de vida, a culinária, os cânticos regionais, as festas populares. Acredito que ainda terei oportunidade de fazer tal convite. Com certeza, Olinto Simões e Geraldo Magela serão os primeiros.

 

7 – Ordene por favor, com as prioridades suas, as seguintes ações: Advocacia; Jornalismo; Rádio/TV; Música; Literatura Romancista; Poesia; Crônicas Críticas (Resenhas); Aforismos, Editoria de Imagens, e por fim, a Grandiosa APB. A meu ver esses são seus "TOP 10".

ML: Nada fiz. Nada construí. Aprendi a fazer. Todas essas atividades vieram seguindo uma determinada linha de importância, em cada momento de minha vida.  A Advocacia teve momentos de glória. Escrevi dois livros de Direito Administrativo, os quais me levaram a Academia Maranhense de Letras Jurídicas. No jornalismo, consegui aprender a fazer muitas coisas diferentes. Do repórter de rua, às bancadas dos jornais, passando pela direção de vários programas televisivos. O rádio foi uma excepcional escola. Daí para frente, tudo foi uma consequência lógica desse aprendizado. Se você estuda, aprende. Contudo, o ciclo só se completa se a teoria virar prática. Fiz então todas as teorias virarem prática, sem que me apegasse a determinadas alavancas pessoais. Passei e passo por todas elas como um surfista deslizando por sob um tubo magnífico de 20 metros de altura. Quaisquer que sejam as interferências egóicas em minha concentração na onda em que eu surfo, pode ser fatal. Por isso, repito, passei e passo por essas experiências de forma cândida com um único objetivo: ainda aprender!

 

8 – Quais projetos estão guardados como "Ás na manga"?

ML: Em dois anos instalar em definitivo meu estúdio de TV e Rádio (ao vivo). Um canal especificamente de Literatura, Arte e Música.

 

9 – Defina a vida artística nessa Pandemia covidiana?

ML: Reaproximou-me do que minha família pensava. A grande arte foi essa. Tínhamos uma vida muito atribulada. Hoje, eu, minha esposa e filha, juntos nesse exílio, nos reavaliamos e aprendemos a respeitar cada espaço individualmente. A partir daí, tive tempo e consciência de que poderia continuar produzindo minhas músicas, meus poemas e administrando com afinco a Academia Poética Brasileira, da qual sou presidente, meu canal de vídeos no Youtube e o Portal MHLB, a joia da coroa, este, trazendo-me tantas alegrias por estar dando oportunidade gratuita a todos que um dia sonharam ser músicos ou poetas.

 

10 – A seu ver, como será a Vida, a Arte e o Mundo, pós pandemia?

ML: Não consigo vislumbrar com o mesmo romantismo das ligas religiosas, dos aglomerados sócio-humanísticos, dos profetas e astrólogos da vez. Com toda certeza, não será o capitalismo, a insegurança, a intranquila lei econômica que irá mudar. Mas sim, cada um, dentro de si. E como é difícil o Ser Humano, enquanto carne, se transformar, após milhares de anos vivendo nas incertezas cósmicas de nossos genes. E encerro, pedindo ajuda a Alan Kardec, (época da pandemia de Cólera, 1845 a 1860), cujo excerto é o que mais se aproxima do que eu penso, quando leio ‘espírita’, a seguir, na frase, como Fé Interior: “ (...) ser espírita não poderia ser um antídoto contra a cólera, mas faz uma excelente abordagem no sentido de que o conhecimento espírita propicia uma força moral que é capaz de nos preservar de muitas doenças, porquanto essa força moral repercute no corpo físico, inclusive no sistema imunológico. (...)”. Que assim seja!



[1] Excerto de "O URAGUAI", 1769.

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