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Cidades POESIA HÁ 80 ANOS

Convidada: LINDA BARROS escreve sobre o poeta José Maria Nascimento

80 anos de Nascimento e Poesia

09/07/2020 20h14 Atualizada há 4 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: ML/Linda Barros
Linda Barros, Professora e Atriz.
Linda Barros, Professora e Atriz.

JOSÉ MARIA: 80 anos de NASCIMENTO e POESIA

Convidada Especial:

Linda Barros, Professora e Atriz

 

O verdadeiro poeta segue a passos largos e lentos, sempre olhando para um horizonte longínquo, com a esperança de alcançar um porto e nele se abancar, sem preguiça e sem vergonha, com um único intuito: de nele seus versos mostrar. A solidificação de um grande nome das Letras Maranhenses alcançou sua mais de meia década de puro lirismo e harmonia das palavras para falar das mazelas da vida, assim também como para desenhar a própria vida de pura poesia.

José Maria Nascimento, ultrapassou fácilmente, apesar de muitos obstáculos pelo caminho, a marca de mais de 50 anos de sensibilida

de e primor nos versos e fincou seu nome nas prateleiras de bons leitores e grandes autores da poética milenar. Como bem desenhou nos versos abaixo, encontrados no poema “Mastigando a Palavra” e que pode ser encontrado no livro Recreio na Ilha.

“Mas tudo passa

como passou o trem

rumo ao maracanã

e não mais voltou

Poeta José Maria Nascimento.

 Nesse pequeno trecho, o poeta reflete sobre o tempo e sobre as coisas pelas quais passou durante a vida. E assim, como o próprio tempo que não volta, é possível entender que a bela trajetória desde grande autor recolhido em seu mundo particular é sobressaltada nas singelas palavras que vocifera com a agudeza de que lhe é mais peculiar. Os doces poemas, que com o passar dos anos viu sua poesia crescer e florescer nas ruas e becos da nossa bela Ilha do Amor, hoje ecoam nos quatro quantos da cidade.

José Maria Nascimento sempre “cantou” em suas obras sobre a cidade de São Luís, como seu verdadeiro chão, conhecendo cada canto, cada beco, seja ele sujo ou não. Como bem disse Raimundo Fontenele em seu prefácio sobre a obra mencionada anteriormente, “O poeta José Maria Nascimento sabe das coisas, conhece esta cidade, suas ruas, suas histórias, seus personagens de ontem e de hoje, como a palma de sua mão”. A exemplo disso está o poema “Ilha de São Luís”,

“O sol banha as ruas

Dos afogados e Alecrim

Luminárias e dos Amores

Na praça e no jardim”.

 

Nestes versos o poeta harmoniza as palavras em singelos versos para pintar um quadro de sua cidade natal, revelando o que há de mais puro e belo.

José Maria Nascimento é natural de São Luís, nascido no dia 18 de setembro de 1940, filho de um vigia de matadouro e de uma dona de casa. Como bem citou Assis Brasil em sua antologia “Poesia maranhense do século XX”, “os estudos em sua cidade natal, só vão até o primeiro ano ginasial, assumindo assim, o autodidatismo com leituras várias, apaixonando-se cedo pela poesia”. Despertando, ainda muito pequeno, interesse pelas palavras harmoniosamente denominada de poesia, o que lhe deu vários prêmios em concursos literários tanto na terra de Ferreira Gullar, quanto em Recife, cidade onde viveu alguns de seus oitenta anos.  José Maria também foi diretor do Suplemento Literário do Correio do Nordeste.

O autor tem como livro de estreia Harmonia do Conflito em 1960, anos de muitos acontecimentos, políticos, históricos e sociais. Em sua vasta obra, podemos encontrar os seguintes livros: Constelação Marinha, Ressonância do Barro, Viajantes do Entardecer e Os Verdes Anos da Maturidade, entre tantos outros.

Dentre tantas obras publicadas destacamos uma das mais importantes “Antologia Poética”, título que marca um divisor de águas, feito alcançado por poucos escritores. Essa obra marcou os 50 anos de poesia do autor. Neste livro, José Maria Nascimento faz um passeio lírico-poético de sua carreira literária desde 1960 a 2010. Segundo as palavras do também escritor José Neres acerca da referida obra, “José Maria Nascimento traduz em poesia momentos que oscilam entre o sublime e o desespero, em uma obra marcada pelo fortíssimo tom confessional, por um lirismo profundo e uma consciência social a respeito do mundo que o cerca”.

José Maria Nascimento traz à tona em suas obras o tom de denúncia social, ainda que, marcadas pela beleza de suas palavras como é possível observar nos versos do poema “A Cruz e o Credo”

                “Em quase tudo o que vemos

                existe a presença da cruz,

                Não, não podemos escapulir:

                Implantaram em nós uma cruz.

 

Suas pinceladas poéticas sobre diversos momentos de sua vida, podem ser vistas de forma harmônica ao longo de toda sua produção artística. Seus versos não são meramente palavras encontradas no vento e colocadas no papel para preencher vazios, mas sim, são transformadas em verdadeiras obras primas que ultrapassarão os espaços do tempo. José Maria Nascimento é daqueles autores que nos embevecem com o néctar de seus versos melódicos carregados de histórias e de poesia.

 

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