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De Fábio Previdelle: A história de Maria da Assunção de Bragança

Publicado na "Aventuras da História".

09/07/2020 20h01
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Por: Mhario Lincoln Fonte: FABIO PREVIDELLI
A filha bastarda de D. João VI?
A filha bastarda de D. João VI?

A história de Maria da Assunção de Bragança

FABIO PREVIDELLI/AH

"O erário público pagava a um apontador para apontar as datas do acasalamento real, mas ele tinha pouco trabalho. Isso não impedia D. Carlota Joaquina de ter filhos com regularidade e, ao mesmo tempo advogar inocência e dizer que era fiel a D. João VI, gerando assim filhos da Imaculada Conceição." [...] Mas uma coisa é saber-se que não era o pai, outra é dizer quem era o pai, porque D. Carlota Joaquina, não era fiel nem ao marido nem aos amantes".

 

Em 1785, aos 10 anos, Carlota Joaquina casou-se com Dom João VI, dando origem ao que a Europa inteira considerava o casal mais horrendo do continente. Era o preguiçoso príncipe barrigudo de olhos esbugalhados e a vaidosa menina, ainda jovem demais para gerar descendentes.

A união dos dois começou ser tramada dois anos antes, quando o Conde de Louriçal chegava na sede da Corte Espanhola para realizar o pedido oficial do himeneu, ou seja, o casamento entre o infante D. João e a primogênita do herdeiro do trono espanhol. Desde aquele instante, muitos perceberam que a união seria turbulenta e nada harmoniosa, afinal, o representante da Coroa Portuguesa de cara alegou antipatia com a pequena princesa.

Entretanto, a relação segui, marcada por traições e controversas, mas seguiu. Juntos, tiveram nove filhos: Maria Teresa, Francisco Antônio, Maria Isabel, Maria Francisca, Isabel Maria, Miguel, Maria Assunção, Ana de Jesus e o mais conhecido entre eles, Pedro de Alcântara, o Dom Pedro I.

O oitavo fruto do casal e uma das irmãs pouco conhecidas de dom Pedro I foi D. Maria da Assunção Ana Joana Josefa Luísa Gonzaga Francisca de Assis Xavier de Paula Joaquina Antónia de São Tiago de Bragança e Bourbon, que apesar do nome extenso tem uma trajetória não tão atraente assim, mas que não deixa der ser centro de uma controvérsia um tanto quanto debatida.

Nascida em 25 de junho de 1805, na cidade portuguesa de Queluz, foi batizada somente em 15 de agosto na capela do Palácio Real de Queluz, pelo Deão da Patriarcal, D. Antônio Xavier de Miranda.

Maria da Assunção esteve ao lado do irmão, Miguel, quando ele assumiu a coroa do Reino de Portugal, mas, quando os Liberais ocuparam Lisboa, teve de se retirar para Santarém junto com as tropas Miguelistas. Por lá, foi afetada pela grave epidemia da cólera-morbo que havia se espalhado por Portugal.

Apesar de tentar resistir, veio a falecer em 7 de janeiro de 1834, aos 28 anos. Seu corpo foi, primeiramente, sepultado na Igreja do Santíssimo Milagre, em Santarém, mas em seguida foi transladado para o Panteão da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Fruto de uma traição?

A maior discussão acerca de sua vida foi a respeito de suas origens. Muitos historiadores dão conta de que, assim como dom Miguel e Ana Maria de Jesus, Maria da Assunção Bragança seria apenas mais uma filha bastarda que foi reconhecida por Dom João VI, sendo fruto do adultério de Carlota Joaquina com um de seus amantes ou criados.

Há uma discussão que aponta que o casal ficou mais de dois anos e meio sem manter relações sexuais, no entanto, durante e após esse período, Carlota engravidou dos seus últimos três filhos. Nesse tempo, a relação dos dois já estava extremamente abalada e eles só se encontravam em raras ocasiões oficiais.

Uma dessas pessoas que ajudaram a debater a questão paternal de João VI foi a mulher do General junot, Laura Permon, a duquesa de Abrantes, que declarou publicamente: "O erário público pagava a um apontador para apontar as datas do acasalamento real, mas ele tinha pouco trabalho. Isso não impedia D. Carlota Joaquina de ter filhos com regularidade e, ao mesmo tempo advogar inocência e dizer que era fiel a D. João VI, gerando assim filhos da Imaculada Conceição." [...] Mas uma coisa é saber-se que não era o pai, outra é dizer quem era o pai, porque D. Carlota Joaquina, não era fiel nem ao marido nem aos amantes".

Dado isso, surge a pergunta: se não era filha de dom João VI, quem era o pai de Maria da Assunção? Para Raul Brandão, militar, jornalista e escritor português, tanto Maria Assunção quanto Ana de Jesus eram filhas do cocheiro e jardineiro da Quinta do Ramalhão, chamado João dos Santos. Já Dom Miguel era fruto das relações com o marquês de Marinalva.

Por outro lado, o prolifero escritor português Alberto Pimentel assegura que: "...passa como certo que dos nove filhos que D. Carlota Joaquina dera à luz, apenas os primeiros quatro tiveram por pai D. João VI”. A opinião é corroborada pela duquesa de Abrantes, que em suas “Memórias” não deixou de apontar uma certa “diversidade cômica” nos filhos do casal. "O que é notável nesta família de Portugal é não haver um único filho parecido com a irmã ou o irmão...". 

 

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