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Especial Mhario Lincoln: O DIA EM QUE ENTREVISTEI MARTHA ROCHA, A ETERNA MISS BRASIL

Em S. Luís-Ma

09/07/2020 16h36 Atualizada há 4 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: ML/ Fotos Google.
Martha Rocha e Mhario Lincoln
Martha Rocha e Mhario Lincoln

O DIA EM QUE ENTREVISTEI MARTHA ROCHA, A ETERNA MISS BRASIL

 

Mhario Lincoln

Jornalista e Presidente da Academia Poética Brasileira.

 

Tive a honra de fazer uma entrevista exclusiva com Martha Rocha, (foto) quando ela foi a São Luís do Maranhão participar, como convidada especial, da “Noite das Personalidades”, festa organizada pela colunista Flor de Lys, então coordenadora do concurso oficial do Miss Brasil, no Maranhão. Foram, na verdade, duas entrevistas. Uma, para a afiliada do SBT/MA e outra para publicação em minha coluna, na imprensa local. Hoje, reencontrei em meus arquivos o original da entrevista. Reproduzo abaixo as principais partes, já devidamente atualizadas.

 

Martha Rocha e Mhario Lincoln.

Perguntas:

1 – Antes de mais nada, muito obrigado por me receber. Soube que você não gosta de dar entrevistas. Então, agradeço mais uma vez esse privilégio.

MARTHA ROCHA: Não que eu não goste. Depende muito a quem falar sobre mim e sobre minha vida profissional. Mas me sinto bem à vontade para falar com você e com a Florzinha (Flor de Lys), sua mãe, que promove uma festa tão bela nesta cidade linda que é São Luís.

 

2 – Li que você não gosta muito de Carnaval. Mas você saiu em Escolas de Samba. Como explicar isso?

MR (Risos): A informação não é bem essa. Eu saí na Beija-Flor em razão da amizade que tinha com alguns de seus diretores. Na ocasião eles convidaram muitos amigos. Eu tinha chegado dos Estados Unidos e desfilei como Miss, na primeira vez. Foi muito bom!

 

Miriam Stevenson e Martha Rocha

3 – Mesmo não tendo ganho o Concurso Miss Universo, a sua fama foi imediata. Tanto que meio milhão de baianos foram às ruas recebê-la após o segundo lugar no concurso de beleza. Fale-me da emoção.

MR: É indescritível para uma baiana como eu. Não me abalou nem um pouco ter perdido o primeiro lugar para Miriam Stevenson. Tanto que voltando para minha terra, ao descer do avião, me senti como se houvera ganho. Essa foi minha emoção quando vi tanta gente. Pelo menos fiz muita gente feliz naquela ocasião.

 

4 - É verdade que você perdeu o Concurso por duas polegadas?

MR: Não foi isso. Acho que a reportagem da revista “O Cruzeiro” se equivocou ao divulgar essa informação. Isso porque, ninguém me tirou medidas. Mas, de certa forma, essa história virou marchinha de carnaval em 1955. O refrão, se bem me lembro, era assim: “Por duas polegadas a mais, passaram a baiana pra trás/Por duas polegadas, e logo nos quadris/Tem dó, tem dó, seu juiz”. (Risos). Mas nunca houve isso.

 

5 – Muita gente acredita que você foi realmente a primeira Miss Brasil. Você concorda?

MR: De certa forma, sim. Mas a história nos conta que, na verdade, houve uma miss Brasil antes. Chamava-se Yolanda Pereira, eleita numa fase muito difícil, a qual o Brasil passava em meados da década de 30. Ela ganhou o Concurso Miss Universo, realizado no Rio de Janeiro.

 

Yolanda Pereira, a 1a brasileira, eleita Miss Universo.

6 – Yolanda Pereira. Era de Pelotas e foi eleita no Rio de Janeiro, capital da República, em 14 de julho de 1930. Tornou-se Miss Universo concorrendo com 25 beldades estrangeiras e diante de um júri internacional. Foi a primeira Miss brasileira a arrebatar o título internacional.

MR: Sim. Uma história bonita, diante da embolia pela qual passava o Brasil. Isso deu nova vida a todos.

 

7 – Foram momentos de glória a sua vida. E sobre os percalços? Você se sentiria à vontade para falar disso?

MR: Um resumo. Pois andam falando tantas coisas na imprensa. A partir de 1996 fui convidada para júris de concursos de beleza e festas como esta aqui, de Florzinha querida. E cobro cachê.  Não gostaria, mas é necessário dizer que em 1995, com a fuga de meu cunhado, levando todo meu dinheiro que havia aplicado com a empresa dele, passei a vender os quadros pintados por mim. E para complementar minha renda, cobro cachê para abrilhantar as festas. Acho justo.

 

8 – Então, a sua vida não foi só glamour como muita gente pensa?

MR: Na verdade fiquei viúva do primeiro marido aos 23 anos, o empresário Álvaro Piano, pai de dois de meus filhos – Álvaro Luiz, e Carlos Alberto. Morreu tragicamente num acidente de avião na Argentina em 1960. A partir daí, notei que a vida de glórias não se resumiria a tanto glamour assim, por eu ter sido miss. E várias outras coisas aconteceram. Mas vamos falar de quadros e arte?

 

9 – (Desculpas). Seus quadros fazem sucesso hoje no mercado de arte, não é?

MR: Essa é a minha terapia. Minha paixão começou em 1993. E foi assim por acaso. Fui convidada pela UNICEF para pintar um quadro beneficente.  Gostei e a partir daí fui estudar para aprimorar minha técnica. Ano passado vendi um quadro para um político carioca. E continuo vendendo. Na verdade, minha inspiração não vem do exterior. Mares, praias e montanhas estão retratadas na tela exatamente como vêm do meu interior. Acho que isso tem agradado quem passa a conhecer meu trabalho.  

 

10 – É verdade que você foi convidada a posar nua para uma revista masculina?

MR: Puxa, o tempo voa e leva a notícia. Sim, fui convidada. Uma das diretoras me telefonou pessoalmente e me ofereceu um gordo cachê para posar, naquela época. Então falei que não aceitaria apesar de defender que todos devem ter suas liberdades respeitadas. Sendo assim, tomei essa liberdade para não aceitar esse tipo de convite. Até hoje não sei o que levou aquelas pessoas a me convidarem. (Risos).

 

11- Essa sua beleza tem algum segredo?

MR: Não. Muita gente me pergunta isso. Eu até gostaria de repassar um segredo de beleza se eu tivesse. Mas não possuo.

 

12- E sua vida, Martha?

MR: Sempre foi cheia de emoções. A sua mãe Flor de Lys me contou da vida dela também. É bem parecida. Somos 11 irmãos e tivemos uma criação de uma mãe caseira, dotada de peculiaridades muito grandes. Todos os momentos de minha vida, até aqui, têm sido importantes.

 

13 – Tem alguma decepção por ter sido Miss? Ter virado um Mito?

MR: De maneira alguma. Até hoje tenho recebido carinho por onde passo. Isso me deixa muito feliz. Essa atenção. Essa preocupação algumas vezes. E mito, não criei eu mesma. Foram outras pessoas que assim falam. Mas o que interessa mesmo é o carinho que recebo. Eu jamais esquecerei essa atenção.

 

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