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No aniversário de Almerice da Silva Santos, D. TETÉ, a nossa homenagem a todos que amam o CACURIÁ

Dona Teté faleceu em 2011, vítima de um AVC

24/06/2020 08h15 Atualizada há 1 semana
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Youtube.com
Foto: Nael Reis (O Imparcial)
Foto: Nael Reis (O Imparcial)

Dona Teté e a História do Cacuriá

 

NE: O jornalista Fernando Costa escreveu esta pérola de texto, publicado em O IMPARCIAL, matutino da capital maranhense, em 2017. Escreveu sobre Dona Teté e a história do Cacuriá e abre a matéria com o seguinte: "Inúmeras vezes Dona Teté repetia que, quando morresse, queria ser lembrada como aquela que ensinou ao povo a dança do cacuriá...". Um trabalho rico em informação e saudade.

NE1: Uma das músicas de grande sucesso de D. Teté e seu Cacuriá que obteve mais de 100 mil visualizações no Youtube, é CHORO DE LERA. Aqui reproduzo o link para quem quiser chorar de saudade: https://www.youtube.com/watch?v=HNXJQGA7Hvw

Em tempo: Rosa Reis, cantora e folclorista, é uma das que comandam, com muita beleza e estilo, o Cacuriá de D. Teté, após a morte dela, em 2011.

E por aí vai...

Almerice da Silva Santos, nascida em 1924, no bairro do Batatã/Coroadinho, em São Luís, ganhou no batismo, enquanto era batizada, nas mãos do padre, o apelido de Teté. Afinal, Almerice era um nome muito longo e forte para uma menininha que era tão pequena e parecia tão frágil, segundo o sacerdote.

Nascida em uma região que fervilhava cultura, Teté cresceu rodeada de ladainhas e batidas de caixeiras. Aos 8 anos de idade, a curiosidade infantil a fez aprender a tocar Caixa do Divino – instrumento que seria seu companheiro mais tarde.

Como ninguém da sua família gostava de participar de manifestações populares, ela teve que improvisar uma passagem na cerca do seu quintal para poder ter acesso à casa vizinha, onde ocorria as festas.

Para os desavisados, o cacuriá é uma dança típica do Maranhão. Ela surgiu como parte das festividades do Divino Espírito Santo –  festa que ocorre no dia de Pentecostes, sete semanas após a Páscoa, com a intenção de celebrar o dia em que o Espírito Santo teria descido para encontrar os doze apóstolos. Durante a festa, várias danças são apresentadas como o Tambor de Crioula e o Carimbó. Após as apresentações, como forma de extravasar e se divertir, as coreiras dançam o cacuriá.

Voltemos à história de Dona Teté. Criada com a avó paterna e a madrinha – pois perdeu a mãe aos quatro anos de idade e o pai aos quatorze – Teté passou a adolescência na rua do Cisco, hoje Riachuelo, no bairro do João Paulo. Aos 12 anos, começou a trabalhar como empregada doméstica.

Como precisava trabalhar, Tété estudava em casa, fazendo cartilha – livro que ensina os primeiros rudimentos de leitura –, e cursou apenas a 1ª série do ensino fundamental.

 Dona Teté. Reprodução/ Internet

A vida artística de Teté iniciou aos 50 anos de idade, quando começou a participar as festividades do Divino Espírito Santo, promovidas pelo folclorista Alauriano Campos de Almeida, o reverendo “Seu Lauro”, na Vila Ivar Saldanha. Dona – agora já uma senhora – Teté até chegou a participar de grupos de Tambor de Crioula, mas sua grande paixão era o cacuriá.

O rebolado sensual – e polêmico – da dança ganhou destaque por onde passava. O grupo de Cacuriá do Seu Lauro recebeu um convite do Laboratório de Expressões Artísticas (Laborarte) para ensinar o toque de caixa do Divino para uma peça teatral. Foi aí que Dona Teté assumiu o posto de mestre e passou a repassar seus ensinamentos.

(Veja neste vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=bTWxf7rGnH8&feature=youtu.be)

Em 1986, influenciados pelo Laborarte, nasceu o Cacuriá de Dona Teté. O grupo faz sucesso nacional, principalmente com apresentações em festejos durante o período junino, e internacional, com músicas como “Choro de Lera”, “Jabuti” e “Jacaré”.

Casada com Manoel dos Santos, a quem chamava carinhosamente de “seu Manoel”, Dona Teté teve uma filha. Da sua família, a única pessoa que herdou o gosto pelo cacuriá foi seu neto, Beto, que já foi caixeiro da brincadeira e seu grande parceiro em todas as apresentações.

Após o falecimento de sua matriarca, em 2011, vítima de um AVC, o Cacuriá de Dona Teté continuou o seu legado e não deixou a caixa silenciar. Hoje, é reconhecido pelo seu alto-astral, irreverência e é referência em produção cultural no Nordeste.

 

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