Segunda, 06 de Julho de 2020
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Educação PUTZ GRILA

EXPRESSÕES E GÍRIAS BRASILEIRAS

Veja o que diz o professor Luis Augusto Fischer

10/06/2020 18h24 Atualizada há 4 semanas
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Superinteressante
http://oblogdosnomes.blogspot.com/
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PUTZ GRILA

(Recuperado so site da Superinteressante)

A expressão surgiu no jornal "O Pasquim", o tabloide semanal criado em 1969 que se opunha à ditadura militar e foi um dos símbolos da contracultura da época.
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Os textos e charges do Pasquim inovaram na linguagem e popularizaram uma série de neologismos (isto é, palavras inventadas, como as de James Joyce e Guimarães Rosa) que acabaram sendo incorporados no vocabulário brasileiro. Alguns faziam referência a palavrões e outras expressões, digamos, pouco elegantes.
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É o caso do “putz grila”, cuja grafia usada no jornal era “putzgrila”. Assim como o típico “puxa vida”, ele faz referência a um xingamento bastante comum – e impublicável por aqui, mas cuja segunda palavra começa com a sílaba “pu” e termina em “ta”.
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Se a parte “putz” tem uma origem clara, o “grila” não é tão óbvio assim. De acordo com o professor Luis Augusto Fischer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) trata-se de uma brincadeira com expressão hippie “grilado”, que se refere ao estado de quem tem algum problema ou chateação (principalmente se a chateação em questão ocorreu na década de 1960). Em suma: “putz grila” é um termo artificial, criado para imitar um processo real: a mudança gradual na escrita e pronúncia dos xingamentos e interjeições. Um exemplo bom é “Virgem Maria”, que evoluiu para “Vixi Maria”, “Ixi”, “Xi…”.
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O fenômeno acontece em todas as línguas. Em inglês, a expressão de espanto “Jesus!” (que também existe por aqui) virou “gee” – em parte para evitar reprimendas por invocar nomes sagrados em questões desimportantes.
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Em espanhol, um dos xingamentos capitais é “me cago en Dios” (que não precisa de tradução e quer dizer basicamente fod#@-$&). A expressão mais usada hoje, porém, é uma versão suave do impropério: “Me cago en diez” – na qual o “dez” não significa nada; é só para abafar o lance de “Deus”, mesmo.
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