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O DESPERTAR DA POESIA PLENA DE ROSAS

Dione MS Rosa

08/06/2020 19h02
171
Por: Mhario Lincoln Fonte: ML
Convidada Especial: Dione MS Rosa
Convidada Especial: Dione MS Rosa

 

O DESPERTAR DA POESIA PLENA DE ROSAS

DIONE M. S. ROSA

[…] D’un beau rouge sont les roses. Enigmático verso ressoou na alma durante toda a minha existência, encontrado na canção francesa Aranjuez, mon amour, cantada pelo imortal Richard Antonny.

Depois de ouvir os versos e a canção imergi em rosas debruçadas por beirais apocalípticos. É o lugar em que fontes secam e só se escutam os murmúrios do vento...

No espaço de um suspiro reverberando no turbilhão de inspiração, nasceram meus sonetos.  

De vermelho e de sangue é a canção; todavia é com vermelho e sangue que componho meus sonetos para o livro O segredo da rosa – sonetos sobre as quatro estações e os quatro elementos.

 

Rosas de paixão

 

Lua entre nuvens brancas. A noite está linda

Sobre o casto jardim. Ela esconde o reflexo

Para o pequeno lago. Oculta estrela vinda

Da longa escuridão ilude o luar perplexo.

 

Os aromas de mirra espalham-se nos ares

Às rosas em botão. Os rubros lábios quentes

Inflamados por beijos... Habitados mares

De amor e de ilusão: são desejos ferventes.

 

Poetas buscam a boca em pétalas guardadas

Sedentas de paixão. O fogo arde em delícias.

Caem frutos maduros. E cedem, atadas.

 

Albores da manhã num êxtase sufocam

Em perfumes de sândalo.  Aura em carícias

Que espraia azul na luz. Os suspiros se tocam...

 

 

                                     Amor proibido

Muito longe a madeira arde. Junto ao fogo

A dançarina ri: véus esvoaçantes roçam

O etéreo vento sobre o Nilo. Muito adoçam

As madrugadas sem luz. Ela treme em rogo.

 

Um violino que toca música serena.

Ela dança feliz. O poeta aspira e lê 

As linhas dum destino. Ele a quer.  E vê

Na sombra a alma só, delicada e morena.

 

Fulgores penetram a tenda, confessando

O desejo no olhar. Crescem arcos de flores

Pelos sinuosos gestos. Ele está amando.

 

Beijos proibidos tão sonhados e esperados

Supondo ser cerejas em tantos licores

São bem toques de amor em luares extasiados.

 

 

                               Cascata de rosas

Fugaz encontro espia o pôr-do-sol

Serenando o pranto das despedidas.

Amores proibidos brincam no atol

Deleitando-se em paixões prometidas.

 

Uma lua brinca entre suaves sonhos

Enquanto o oásis armazena o som d’ água

Supondo seduzimentos tardonhos...

Brota poesia em fonte que deságua.

 

Poetas buscam aromas inspirados

No refúgio de areias que remansam

Em sagrados relicários fechados.

 

Cascatas vão penetrando interiores,

Tão repletos de rosas que balançam

Na suave sombra dum arco-de-flores.

 

 

                                      Rosas de areia

Silentes águas mornas duma fonte

Escondem lágrimas da lua cheia,

Pelos amores que choram defronte

De sonhos feitos em rosas de areia...

 

Espraiam folhas levadas ao vento

para os exóticos jardins cativos.

Suspiram os amores sem alento

Em tantos segredos inspirativos.

 

Mil rosas despetalam de arrepio.

Uma triste bruma noturna anseia 

Pela quintessência longe do estio...

Frágeis rosas dos lábios purpurina

Escondem tanta dor que desnorteia.

É o coração roto da dançarina.

 

 

                                        Caem as folhas secas

Silenciosas folhas em taciturnos

Bosques falam da tristeza de outrora

Em lágrimas derramadas. A aurora

Sai do horizonte entre sonhos noturnos...

 

Vagando na desvairada ilusão

Amores buscam os encantamentos

Na sutileza do desejo em lentos

E suaves aromas no ar de paixão.

 

As desnudadas árvores esquecem

A mutação espalhada na relva

Dourada, até que luares anoitecem...

 

O vento carrega as folhas além,

Esquecendo-as numa longínqua selva

Onde pássaros sondam o vai-e-vem...

 

 

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