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Já parou parapensar: " Qual heroína da literatura brasileira mais se parece com você?" Leia e Divirta-se!

Belo e interessante texto de Clarissa Corrêa

04/06/2020 19h50
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Recuperado do Blog de Clarissa Corrêa / Eu lia tu lias / - Revista Trip/2010
Diadorim, do Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa
Diadorim, do Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa

Qual heroína da literatura brasileira mais se parece com você?

 

Nota de Clarissa Corrêa:  Lendo a revista “Cláudia” me deparei com esta reportagem, achei interessante para compartilhar com as leitoras e leitores do nosso blog.

 

Espelho seu.

“As personagens mais famosas da literatura brasileira guardam traços de todas nós. O poeta e cronista Fabrício Carpinejar pinçou-as e descreveu o que elas têm de comum conosco. Aceite o desafio e responda: quem é você e como se relaciona com os homens?

O livro é um espelho portátil que podemos levar para qualquer lugar. Um espelho inclinado. Retrovisor de cama. Todo leitor vai procurar sua história em cada leitura. Rastrear sua infância, entender suas manias, ganhar argumentos para seus impasses. Tanto que acredito que há três tipos de escritor; aquele que faz a gente fugir de nossa vida, num movimento de evasão; aquele que faz a gente assumir nossa vida, produzindo identificação; e o melhor, aquele que nos devolve a própria vida, criando uma súbita e necessária intimidade. Nesta brincadeira, apresentamos oito personagens da literatura brasileira. São ficcionais somente para quem não acredita nelas. Será natural abraçá-las, enxergá-las na rua, no trabalho, dentro de casa. A pergunta que não tem como abafar será: “eu a conheço de algum lugar?” Sim, conhece, mesmo que ainda não tenha lido o livro de onde ela saiu. Talvez seja você mesma. Ou no passado. Ou no futuro. Essas mulheres representam comportamento, disposições sentimentais, brechas amorosas. São tipos psicológicos convincentes, que já entraram no imaginário popular. Ler é conversar com a própria imagem. Qual é a sua?

 

A Libertina C. L. B. (A Casa dos Budas Ditosos, João Ubaldo Ribeiro).

Sexo sem culpa? Sem arrependimento? É a proeza desta baiana de 68 anos, residente no Rio de Janeiro, que não tem medo de conhecer o prazer a fundo, o ritmo de sua nudez, e descreve seus principais tórridos casos. Picante, atrevida, sestrosa. Apresenta a força excitante da palavra, a sedução verbal, e realiza o sonho de viver ao máximo para depois ficar rindo à toa dos preconceitos dos outros.

 

CAPITU

A Enigmática Capitu (Dom Casmurro, Machado de Assis).

“Olhos de ressaca. Traziam não sei que fluido misterioso e enérgico, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca. Para não ser arrastado, agarrei-me às outras partes vizinhas, às orelhas, aos braços, aos cabelos espalhados pelos ombros; mas tão depressa buscava as pupilas, a onda que saia delas vinha crescendo e escura, ameaçando envolver-me, puxar-me e tragar-me.” Hipnotizante, de poucas palavras, faz Bentinho enlouquecer de ciúme. Encarna o mistério: até hoje se discute se ela traiu ou não o marido. Representa a sutileza feminina, o ardil de contar com a precipitação masculina para não precisar falar nada. Insinua e não confessa. Apaixonante, fiel a sim mesma, guarda segredos até o fim. E mostra que o homem é naturalmente paranóico, pois prefere adivinhar em ver de perguntar.

 

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A Teimosa Ana Terra (O Continente, Érico Verissimo).

Mulher que não se dobra fácil para a paixão. Absolutamente receosa, primeiro desconfia que está apaixonada e depois faz uma série de testes para ver se realmente o homem a merece. Ana Terra não facilitou a vida de Pedro Missioneiro, que chegou a trabalhar na estância da família. Antes de se entregar, infernizou a vida do pobre sujeito. Botou cinza fria em sua comida e encheu de sal seu pote de leite. Cuidado: ela tira o amor de dentro do ódio.

 

A Crédula Macabéia (A Hora da Estrela, Clarice Lispector).

História triste é bobagem perto de Macabéia. Nascida no sertão de Alagoas, seus pais morreram quando tinha 2 anos e ela morou com a tia beata, que dava cascudos em sua cabeça para não pensar em bobagem. Quis ter um cão, mas não podia. Não achava que merecia nem o amor de um cão, mas somente o amor das pulgas. Pode? Acreditava em tudo o que diziam: que o ovo faria mal ao fígado, que era feia, que iria para o inferno. Sua única esperança era pintar as unhas de vermelho. Colecionava anúncios de jornais, alimentando a ilusão de uma vida melhor. É aquela que tem medo de incomodar, que dificilmente confessará seu anseio. É tão carente que é capaz de se anular. Perdeu o namorado, Olímpico, para a amiga Glória. Nem brigou, aceitou o que o destino queria. Vai procurar uma cartomante para ouvir o que deve fazer.

 

A Separada Mercedes (Divã, Matha Medeiros).

Mercedes resolve fazer análise pela primeira vez. O livro todo é uma confissão dos segredos e dos medos de uma mulher com mais de 40 que enfrenta a separação depois de um longo casamento. Como reconquistar a confiança e recomeçar? Como não se sentir trocada? Ela tenta se adequar ao mundo de solteira, sair de novo, namorar, apoiando-se nas amigas para retomar sua vida sexual. Enfrenta situações engraçadas ao se envolver com um homem mais jovem. Operação difícil: vencer o pânico da mudança de costumes e superar a sensação de estar envelhecendo. Há na Mercedes um questionamento bem moderno: da mulher que, além de ser feliz, busca entender sua felicidade.

 

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A Disfarçada Diadorim (Grande Sertão: Veredas, Guimarães Rosa).

Diadorim é a mulher-neblina. Aquela que vai boicotar sua beleza, se esconder em figurinos toscos, tentar alisar os cabelos quando maravilhosamente crespos, passar máquina zero quando lisos. Sofre do complexo de Joana D´Arc: renuncia ao corpo por uma causa. Nunca está satisfeita com a aparência e pretende mostrar que é forte e viril e não precisa de casamento. Por mais que tente sufocar sua feminilidade, a doçura dos olhos verdes contraria o destino de jagunço. No romance de Rosa, Riobaldo se apaixona por Diadorim, colega de guerrilha no sertão, mas pensa que ela é ele: Reinaldo. A moça morre em combate contra Hermógenes, o assassino do pai dela.

 

 

 

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A Fiel Dona Flor (Dona Flor e Seus Dois Maridos, Jorge Amado).

Cor bronzeada, cabelos lisos e negros, olhos sensuais e lábios grossos, Flor se apaixonou por um canalha. Enfrentou a mãe, Rozilda, para casar de qualquer jeito com o malandro Vadinho. Sedutor, era um amante fogoso que pedia para ela se despir inteira, coisa incomum diante dos recatos de um casamento. Foram sete anos de união, em que Flor entregava-se com voracidade ao sexo e depois passava a noite em claro esperando seu amado voltar. Suportava suas galinhagens e gastanças. Vadinho morre e ela continua desejando-o, mesmo casada com Teodoro. Segue recebendo o fantasma em sua cama. Não larga um amor nem depois da morte.

 

A Injustiçada Lúcia (Vestido de Noiva, Nelson Rodrigues).

Nunca aceita a responsabilidade pelo seu destino, culpa a falta de sorte e o olhar gordo dos próximos. É a ciumenta, que julga sempre que teve seu amor roubado. Compete com as próprias conhecidas para conquistar alguém. Ao brigar com o namorado, vai desconfiar que foi outra. Não tem amigas, mas adversárias. Ela perdeu seu amor, Pedro para a irmã, Alaíde. Os dois casaram e experimentaram uma história de permanente suspeita de adultério.”

PS: Depois de ler a reportagem tentei me encaixar num desses perfis, quem seria eu? Qual heroína representaria? Cheguei a conclusão que sou uma mistura de Ana Terra com Macabéia. E você, cara leitora, qual delas faz mais a sua cabeça? E os leitores, qual destes perfis você escolheria como companheira? Se manifeste!!!!

Divirtam-SE

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