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SOHAM Jñana: "Eis a história que retrata bem o que todos os dias se vive nos meios espirituais"

Palavras Malas

29/05/2020 17h19
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Por: Mhario Lincoln Fonte: José Viegas
Original do texto
Original do texto

PALAVRAS MALAS?

Soham Jñana

(*) SOHAM Jñana

As palavras perderam sua vocação primeira, fizemos delas “palavras malas” em que cada um lá coloca o que bem quiser. A mesma coisa tem ocorrido com os símbolos de valor místico e sagrado.

Por exemplo, se duas pessoas estão falando sobre Deus numa amigável e aprazível conversa espiritual, poderemos pensar, ao ver a aparente sintonia de pensamento entre os dois, que falam a mesma linguagem, partilham do mesmo pensar... De fato a ilusão permanecerá enquanto não abrirmos as “palavras malas” usadas por ambos, como o são as palavras Deus, Amor, Vida, Morte, Alma, Espírito, Consciência, Eu, Ego, Outro, Unificar, Ser, Somos todos UM, Desapego, Entrega, Serviço, entre tantas outras.

Se abríssemos as respectivas malas que são, para cada um, cada palavra, nos surpreenderíamos com a constatação de conceitos, ideias, definições tão díspares.

Quantas vezes eu tive, e tenho, a nítida sensação, em partilhas espirituais faladas ou escritas, de viver, de certa forma, a história de “O Papa e o Rabino”.

 

Eis a história que retrata bem o que todos os dias se vive nos meios espirituais em que tantos irmãos e irmãs parecem concordar, entre eles, em torno dos mesmos assuntos:

"Há vários séculos, o Papa decretou que todos os judeus deveriam se converter ao catolicismo ou sair da Itália.

Com os protestos dos liberais católicos e a gritaria da comunidade judaica, o Papa propôs um acordo: Ele manteria um debate religioso com o líder da comunidade judaica. Se os judeus ganhassem, poderiam continuar na Itália; se o Papa ganhasse, eles teriam que se converterem ou saírem.

Os judeus escolheram o mais idoso e sábio da comunidade – o Rabino Moishe – para representá-los no debate. Porém, como Moishe não falava italiano nem o Papa falava yiddish, eles concordaram que seria um debate “silencioso”.

No dia escolhido, o Papa e o Rabino Moishe sentaram-se um em frente ao outro, com uma plateia ainda mais silenciosa e observadora de cada mínimo detalhe. Uns minutos depois de iniciar o debate Silencioso, o Papa levantou a sua mão, mostrando três dedos.

O rabino Moishe observa os três dedos do Papa com atenção, coça um pouco as sua longa barba e em seguida levanta um dedo.

O Papa passa alguns segundos em silêncio, pensativo… e, em seguida, circula seu dedo indicador em volta da sua cabeça.

Nessas alturas a plateia já não está entendendo nada… Mas, como só entraram com a condição de permaneceram em silêncio, todos continuavam sem pronunciar um único som…

O Rabino Moishe, mais uma vez pensativo, coçando sua longa e branca barba, apontou o chão onde estava sentado.

O Papa, que estava observando atentamente o Rabino, mostra-lhe logo em seguida uma hóstia e um cálice de vinho.

O Rabino Moishe, que desta vez não coçou sua barba, mostrou-lhe uma maçã.

Para surpresa da plateia que continuava sem entender nada o Papa levantou-se e declarou que havia sido derrotado, declarando que o Rabino Moishe era muito sabido e os judeus poderiam ficar na Itália!?

Mais tarde, os cardeais se encontraram com o Papa e perguntaram o que havia acontecido.

O Papa disse: Primeiro, eu levantei três dedos, para representar a Trindade. Ele respondeu “com um dedo”, para lembrar-me que, mesmo assim, há apenas um Deus, comum a ambas as nossas crenças. Então, circulei meu dedo indicador em volta de mim mesmo para mostrar-lhe que Deus estava totalmente à nossa volta. Ele respondeu “apontando o dedo para o chão”, para mostrar que Deus estava também bem aqui, junto a nós. Eu tirei o vinho e a hóstia para mostrar que Deus nos absolve de todos os nossos pecados. Ele “tirou uma maçã” para lembrar-me do pecado original. Ele me derrotou, e eu não pude continuar.

Nesse meio tempo, a comunidade judaica reuniu-se em volta do Rabino Moishe.

“Como você ganhou o debate?” perguntaram.

Não tenho a menor idéia, disse Moishe. Primeiro, ele me disse que teríamos “três dias para abandonar a Itália”, então eu mostrei-lhe o dedo, representando que isso era mais um ato atisemita, como tantos outros que ocorreu na história. Depois ele disse que “não haveria mais judeus em volta deles, em toda a Itália”, e eu lhe disse que Vamos permanecer bem aqui.

“Então o que aconteceu?” - perguntou uma mulher.

Ele tirou a merenda dele, então eu tirei a minha, disse Moishe".

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