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Internacional Preconceito

A questão, portanto, não é "Existe preconceito?" mas antes: "Quanto deixamos que eles afetem nosso comportamento?"

Maria Konnikova é a autora

28/05/2020 13h15
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Por: Mhario Lincoln Fonte: Maria Konnikova/The New Yorker
Photograph by Saul Loeb / AFP / Getty
Photograph by Saul Loeb / AFP / Getty

"Susan Fiske e Steven Neuberg, então psicólogos da Universidade de Massachusetts, Amherst e Arizona State University, respectivamente, descreveram o processo pelo qual o viés (modelo contínuo de formação de impressões) influencia o comportamento. De acordo com o modelo deles, nossa dependência de estereótipos na tomada de decisões existe em um contínuo e muda gradualmente, em vez de operar em absolutos. Ninguém é livre de preconceitos, mas algumas pessoas deixam seus preconceitos influenciarem suas ações mais do que outros. A questão, portanto, não é "Existe preconceito?" mas antes: "Quanto deixamos que eles afetem nosso comportamento?"

Maria Konnikova é a autora de " The Confidence Game " e " Mastermind: Como pensar como Sherlock Holmes ".

 

Abaixo, alguns excertos dessa matéria publicada no The New Yorker, sob o título "Como as normas mudam/How Norms Change", com análise do jornalista Mhario Lincoln (tradução livre).

(1) -  Fazer por ouvir falar? Em 18 de novembro de 2016, dez dias após Donald Trump vencer a eleição presidencial, um grafite apareceu num playground no Brooklyn Heights, em homenagem a Adam Yauch, membro fundador dos Beastie Boys. Yauch, que morreu em 2012, era judeu. Esse vândalo pintou com spray duas suásticas e escreveu: "Fora Trump". Para a autora, Maria Konnikova, qualificada acima, as discussões americanas vão além de um debate odioso. Ela vê por um outro ângulo e escreve: "um dos aspectos mais perturbadores não eram as próprias suásticas, mas o fato de terem sido desenhadas incorretamente - uma estava invertida e a outra disforme. Aparentemente, a pessoa envolvida em discurso de ódio não sabia como era uma suástica nazista. Era alguém que tentava se incorporar ao papel de anti-semita em tamanho - alguém que não tinha sido um neonazista raivoso a vida inteira, mas que se sentiu encorajado pela eleição do novo presidente. Foi um novo comportamento solicitado por um novo evento. Foram tais incidentes, então, o novo "normal"? E, se essa mudança de normas pudesse acontecer com tanta velocidade, em um local improvável, com que rapidez e quanto as normas de toda a sociedade poderiam mudar?

(2) (A questão de nossas escolhas). Para entender a psicologia das normas em mudança há de se ter uma simples compreensão. Maria Konnikova explica:  "(...) embora desejemos ser perfeitamente racionais e imparciais, o viés é uma parte inevitável do que significa ser humano. Aos três meses de idade, já preferimos os rostos de pessoas que compartilham nossa cor de pele sobre os rostos daqueles que não. Aos cinco anos, estamos cientes do status de nosso grupo e absorvemos certas idéias da comunidade sobre como vários grupos são percebidos e tratados. À medida que envelhecemos, essas idéias são constantemente reforçadas pela cultura popular, nosso ambiente social e até mesmo nossa linguagem e simbolismo. A questão, portanto, não é "Existem vieses?" mas antes: "Quanto deixamos que eles afetem nosso comportamento?" Em 1990, Susan Fiske e Steven Neuberg, então psicólogos da Universidade de Massachusetts, Amherst e Arizona State University, respectivamente, descreveram o processo pelo qual o viés influencia o comportamento usando o que eles chamavam de "modelo contínuo de formação de impressões". De acordo com o modelo deles, nossa dependência de estereótipos na tomada de decisões existe em um contínuo e muda gradualmente, em vez de operar em absolutos. Ninguém é livre de preconceitos, mas algumas pessoas deixam seus preconceitos influenciarem suas ações mais do que outros. "Você não pode evitar se vive em uma certa cultura", Fiske, que agora está na Universidade de Princeton, me explicou. "Mas você está motivado para ir além do estereótipo?"

(3) - (Mais que derrepente, algo acontece). No texto, algumas observações muito interessante: "Betsy Levy Paluck, psicóloga da Universidade de Princeton, passou sua carreira estudando como as mudanças nas normas sociais afetam o comportamento. Nos primórdios, ela estudou a profunda mudança nas relações entre os hutus e os tutsis na época do genocídio de Ruanda. Antes da carnificina, Paluck me disse: "Os hutus relataram boas relações com seus vizinhos tutsis"; então, em um instante, um grupo massacrou o outro. O que Paluck observou durante seu tempo em Ruanda não foi o poder dos antigos ódios - Hutus e Tutsis sempre tiveram idéias estereotipadas um do outro -, mas de mudanças sociais rapidamente. Em grande parte, as normas em Ruanda mudaram tão rapidamente porque o fizeram do alto: estações de rádio influentes transmitem uma mensagem poderosa, persuasiva e de repetição constante, pedindo aos ouvintes que se juntem a esquadrões da morte e organizem bloqueios de estradas. "Essa era a voz da autoridade", explicou Paluck. De repente, as pessoas viam a violência como algo que não era apenas possível, mas normal".

(4) - (Tem solução?). "O que podemos fazer para combater o surgimento de novas normas violentas e odiosas? O psicólogo social Bibb Latané argumenta que as normas são mais prontamente transmitidas quando a pessoa que as modela tem um alto grau de influência pessoal e fica fisicamente perto da pessoa que as absorve; 'é mais provável que um aluno seja afetado por seu professor do que por um colega ou professor de outra escola'. Uma possibilidade, portanto, é convidar pessoas influentes em pequenas comunidades a combater o consenso percebido, criado por figuras de autoridade maiores".

Para ler a matéria na íntegra: https://www.newyorker.com/science/maria-konnikova/how-norms-change

 

 

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