Quinta, 04 de Junho de 2020
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Geral Luiza Cantanhede

LUIZA CANTANHEDE: poesia nasce de todos os cantos do Brasil

Entrevista exclusiva com a poetisa Luiza Cantanhede. Original de Marcos Ioshua.

12/04/2020 14h15 Atualizada há 2 meses
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Por: Mhario Lincoln
Poetisa Luiza Cantanhede, nascida em Santa Inês-MA
Poetisa Luiza Cantanhede, nascida em Santa Inês-MA

Entrevista ESPECIAL com Luiza Cantanhêde.

Original de: Marcos Ioshua

 

LUIZA CANTANHÊDE (Santa Inês-MA,).Reside em Teresina-Piauí. Possui formação em Contabilidade, membro fundadora da Academia Piauiense de Poesia. Membro da Academia Poética Brasileira. Membro da Associação de Jornalistas e escritoras do Brasil, coordenadoria Maranhão.  Tem poemas publicados em antologias nacionais e internacionais. Publicou “Palafitas” (poemas, Penalux, 2016)  “Amanhã, serei uma flor insana” (poemas, Penalux-2018)e Pequeno ensaio amoroso (Poemas,Penalux-2019) Recebeu menção honrosa no Prêmio poeta "H. Dobal" da Academia Piauiense de Letras, nos prêmios "Vicente de Carvalho" 2018,e "Álvares de Azevedo",2019 ambos pela União Brasileira de Escritores/RJ,recebeu em Pernambuco o prêmio "Destaque Nordeste".Tem poema traduzido para o italiano.

 

Marcos Ioshua- Como e quando você sentiu ou percebeu pela primeira vez que é uma poeta?

Luiza Cantanhêde - Já nasci com os olhos de "abarcar infinitos" e a poesia desabrochou em mim em diversas situações, mas me senti poeta de fato em dois momentos específicos: Quando percebi a facilidade de trabalhar a linguagem simbólica imprimindo-lhe elementos poéticos e quando publiquei meu primeiro livro.

 

Marcos Ioshua - Há quem diga que poetas não acreditam em "parto sem dor" se referindo a angústia do processo criativo. Com você também é assim?

Luiza Cantanhêde - Respondo,citando o trecho de uma música de Caetano Veloso: "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é". Cada poeta é dono de seu ofício de criação, sendo ele doloroso ou não; eu já me apego mais ao chamado que vem de dentro que tanto pode vir com ou sem dor.

 

Marcos Ioshua - Você acredita que a poesia é o inefável,o abstrato ou a poesia se encontra na materialidade do cotidiano?

Luiza Cantanhêde - Acho que se situa nos dois contextos; Guimarães Rosa já dizia:"Quando escrevo repito o que já vivi antes". No meu caso em particular,para criar eu preciso de uma provocação  do abstracionismo das  inquietações, mas meus olhos precisam se espantar com algo materializado: Um rio, o chão, um babaçual, um Machado, só pra citar alguns elementos do meu livro "Palafitas" onde no poema "Dois dedos abaixo do nível do mar" eu finalizo com os versos: A minha palavra é de coisa vivida"

 

Marcos Ioshua - Em tempos de uma pandemia, qual é a resposta que pode ser apresentada pela Literatura?

Luiza Cantanhêde - Lembrei-me de um trecho do poema "O sobrevivente" de Carlos Drummond de Andrade. "Impossível compor um poema a essa altura da evolução da humanidade" Nunca sairemos os mesmos de debaixo dos escombros das grandes crises que assolam a humanidade, mas a palavra é perene. Eu acho que a Literatura tem muito mais perguntas que respostas e como arte da palavra sempre cumprirá o seu papel de instigar, questionar, auxiliar no processo de transformação, denúncia e interação social. Só sei que a Literatura possui as fibras que compõem o código sensível na espécie  humana

 

Marcos Ioshua - Em "Amanhã, serei uma flor insana " você escreve: ''Anseio pela palavra que vem voando num cardume de metáforas" seria isso a busca por uma palavra que justifique a vida? Comente.

Luiza Cantanhêde - Apesar de ser um poema onde o eu lírico se "incomoda" com o silêncio, essa assertiva também cabe neste contexto, afinal de contas estamos sempre buscando algo, cada um com seu "signo e sentimento"

 

Marcos Ioshua - Se pudesse escolher um trabalho seu como representativo de tudo que você ama, qual seria?

Luiza Cantanhêde - Difícil escolha. Vicente Huidobro diz que " A poesia é um meio de ação indireta para possuir o Universo" e sempre encontro o que amo dentro do meu Universo literário. Posso dizer que tenho um carinho especial pelo livro " Pequeno ensaio amoroso" que dediquei à minha mãe.

 

Marcos Ioshua - Qual sua maior referência feminina?

Luiza Cantanhêde -Na vida: Minha mãe. Na literatura: Clarice Lispector 

 

Marcos Ioshua - O que faz a alma de Luiza feliz subir feliz aos olhos?

Luiza Cantanhêde - Muitas coisas. Dentre elas saber que fiz algo para melhorar o mundo

 

Marcos Ioshua - Se raspasse todas as tintas da face humana o que veríamos, um rosto angelical ou demoníaco ?

Luiza Cantanhêde - Os dois. Se há ambiguidade em tudo,com o ser humano não poderia ser diferente. 

 

Marcos Ioshua - Como você gostaria que fosse seu último poema, caso ele fosse ser escrito em sua lápide?

Luiza Cantanhêde - Como os versos de "lembrança de morrer " de Álvares de Azevedo: - foi poeta- sonhou- e amou na vida-.

 

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