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Há vinte e dois anos era lançado INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO, livro que desvenda os mistérios do afundamento do terceiro maior graneleiro sólido do Mundo

O navio graneleiro Hyundai New World (à serviço da Vale) é o vilão de um desastre monumental na baía de S.Marcos. em S. Luís.

04/04/2020 17h09 Atualizada há 2 meses
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Por: Mhario Lincoln Fonte: ML
Livro que desvendou os mistérios do afundamento do HNW
Livro que desvendou os mistérios do afundamento do HNW

   Às 18 horas do dia 31 de março de 1987, o navio coreano Hyundai New World, (foto da época) considerado o terceiro maior graneleiro do mundo, carregado  com 101.721,917 de carvão, trazida de portos americanos e 94.860TM de minério de ferro, carregado no Terminal da Ponta da Madeira (SLZ) somando 196.581.917 TM, destinados à Coreia do Sul, encalha em um dos bancos de areia que povoam a Baía de São Marcos, em São Luís-Ma.

 

 

O N/M HNW tinha 200 mil TPB, 309 metros de comprimento total, 50 metros de boca moldada e 24 metros de pontal moldado, com calando 17,19 m, avante e 17,79 m, à ré, localizando, quando do acidente, na posição 02".31'.7 de latitude sul e 044".24'.4 de longitude oeste. O fato causou repercussão nacional e São Luís virou atração midiática. Pela primeira vez ouviu-se falar em 'acidente ecológico', fato que vazou para a imprensa após pronunciamento do então deputado estadual do Maranhão, Mário Carneiro (legislatura 1987/90).

 

O livro do jornalista Mhario Lincoln, cujas pesquisas ao lado do Dr. Osvaldo Pereira Rocha, braço jurídico da publicação, levou mais de oito anos para ser concluída. Na obra, desde o primeiro grito do então presidente do Comitê de Defesa da Ilha, professor Nascimento Moraes Filho, até o enredo final com a publicação do ACÓRDÃO do Tribunal Marítimo (devidamente autorizado), a história trágica do M/N Hyundai New World foi esmiuçada, analisada, recuperada (de todas as fontes disponíveis na imprensa escrita, de TV e de rádio), na época.

 

Na verdade, o livro INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO é o único documento impresso e organizado sobre esse fato que ainda repercute nas lides marítimas mundiais.

O jornalista Mhario Lincoln pensa em recuperar essa história novamente (estão esgotadas as primeiras edições, com mais de 20 mil livros vendidos), após ocorrer, nas mesmas águas de São Luís, desastre parecido e que - agora com o fator ecológico em primeiro plano - tem causado muitas preocupações das autoridades pertinentes.

O novo acidente (foto google) ocorreu 33 anos depois (o HNW em 31.03.87) e o Stellar Banner (25.02.20) e quase nas mesmas condições. Leia o resumo do último acontecimento:

 

Equipes da Capitania dos Portos e da Vale foram alertadas sobre o acidente logo após o navio Stellar Banner sofrer duas fissuras no casco, após ter batido em algo ainda desconhecido, logo após ter saído do Terminal da Ponta da Madeira. O navio Stellar Banner tem cumprimento médio de 340 metros de comprimento e está carregado com 300 mil toneladas de minério de ferro. Segundo divulgou a Capitania dos Portos do Maranhão, logo após serem identificadas as fissuras no casco, o SB, contratado pela Vale, começou a afundar, acerca de 100 km da costa do litoral do Maranhão.

 

Diante desse perigo iminente de afundamento, o comandante do navio emitiu um alerta e levou o Stellar Banner para um banco de areia, onde deixou encalhar. O SB tinha 20 tripulantes, sendo 12 coreanos e oito filipinos. Desses, 14 tripulantes da embarcação já estão em terra firme e devem ser repatriados.

 

EXCLUSIVO:

Sob autorização do Dr. Osvaldo Pereira Rocha (foto), publicamos agora uma parte do Acórdão elucidativo do caso do afundamento do Hyundai New World, há 33 anos, nas mesmas redondezas das águas que banham São Luís do Maranhão e que são de uma lucidez impressionante.

Em tempo: Toda a história do HNW está no livro INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO, incluindo a íntegra do Acórdão do Tribunal Marítimo no caso desse acidente tornado mundialmente famoso e incluído na lista dos grandes acidentes marítimos (no que tange à ecologia) do Mundo.

O advogado Osvaldo Pereira Rocha, através de pedido do jornalista Mhario Lincoln, autor de INA A VIOLAÇÃO DO SAGRADO, chegou até cópia do Acórdão do Tribunal Marítimo (a sede é no Rio de Janeiro). Antes, aqui, uma rápida análise desse causídico sobre o referido Acórdão:

"Como se viu, até aqui. esta obra é um apanhado de artigos, notas, informações, notícias, depoimentos e conclusões publicados na imprensa de São Luís sobre o acidente marítimo com o Hyundai New World.

Tal pesquisa feita com muita dedicação e esmero pelo autor, jornalista e advogado Mhario Lincoln, traz, com exclusividade, o Acórdão do Tribunal Marítimo, proferido nos autos do Processo de número 13-084, de 21.12.89, autorizado pelo senhor Capitão dos Portos,  após obter permissão do aludido Tribunal Marítimo e de ter comunicado o fato, ao Exmo. Senhor Comandante do IV Distrito Naval.

Este levantamento visa a consolidar tudo o que foi amplamente divulgado sobre o encalhe, a água aberta, o naufrágio - sem vítimas pessoais - e a poluição do mar, com óleo combustível, pelo referido navio, em 1987. pelo que foi condenado o seu comandante por imprudencia e imperícia, à pena de multa de 10 vezes o maior valor de referência - MVR -pelo aludido TM.

A ementa do mencionado Acórdão enumera, obviamente de forma sintetizada, que a manobra do N/M Hyundai New World de grande porte, foi feita com o deslocamento a plena carga em área sujeita a forte correnteza, com o motor de combustão principal - MCP - apresentando sérias restrições em seu funcionamento e com aproximação do ponto de fundeio

em horário inadequado, considerando a forte corrente de maré pela popa e com velocidade excessiva.

Durante o inquérito instaurado na Capitania dos Portos do Estado do Maranhão - CPMA - e na fase processual no Tribunal Marítimo, as partes envolvidas e/ou indiciadas procuraram, em suas defesas, se eximirem de culpa pelo acidente de navegação, mas, no Relatório do Inquérito, já foi apontado como possível responsável direto pelo acidente, o comandante do N/M

H.N.W. o que restou confirmado pelo TM, que terminou por exculpar a Agência de Navegação e nem mencionar o prático, visto que, este sequer fora representado pela Procuradoria, prova do bom trabalho realizado pela CPMA.

Diante do apurado e constante do bem lançado relatório do encarregado do inquérito, foi o comandante da citada embarcação o único responsável pela investida do seu navio através do canal de acesso ao Terminal de Ponta da Madeira, sabendo que iria navegar na área sujeita à ação de forte corrente de maré. com navio deslocando cerca de 225 mil toneladas e apresentando sérias restrições em relação à manobra com uso de máquina, quando poderia, por medida de segurança, ter permanecido no ancoradouro externo até que um dos rebocadores do porto estivesse disponível para transportar as peças de que necessitava".

Dr. Osvaldo Pereira Rocha

Advogado

 

 

 

 

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