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Convidada Malu Simões: 'Como você avalia sua autoestima?'

16/05/2020 12h37
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Por: Mhario Lincoln

Como você avalia sua autoestima?

Convidada: Malu Simões
 
 

Falei dia desses, no Instagram, sobre como a nossa auto cobrança está completamente ligada às referências que nos inspiram. Se nos sentimos semelhantes àqueles que seguimos, que acompanhamos, consequentemente ficamos com a sensação de afinidade e dever cumprido. Se não, a pressão interna vem como uma avalanche para nos questionar as escolhas que fizemos por nós.

 

Isso tudo descrito acima é intrinsicamente relacionado com a nossa autoestima. Numa tentativa espontânea de melhora-la, buscamos por pessoas que provoquem essa sintonia conosco. O que não é percebido são os gatilhos que podem nos levar para o sentido oposto, ou seja, ao invés de fazer bem, nos deixa pior.

 

A autoestima nasce com base em crenças e consciência de uma pessoa (você mesmo, no caso).

 

A boa autoestima é responsável pela forma como nos relacionamos, seja no trabalho, com a família ou com o companheiro (a). A autoestima nos deixa seguro, confiante e forte a ponto de não se abalar com questões ínfimas. E esse é meu ponto: qual é o preço de se desestabilizar por algo que nunca agregou em sua vida? (como por exemplo, um relacionamento fadado ao fracasso).

 

Para a psicologia, a autoestima envolve uma série de características, como habilidade social, auto aceitação, capacidade técnica e cognitiva, assim como bem-estar. Mas antes disso, é preciso entender o que configura uma boa estima e uma baixa autoestima. Vamos nos desapegar dos conceitos que falam sobre "gostar de si mesmo", "valorizar quem você é", porque eu entendo que essa é a parte fácil e rasa. O difícil é praticar isso diante das situações conflitantes.

 

O autoconhecimento é o primeiro degrau dessa escada. Dessa forma, a gente não cria um personagem que nós gostaríamos de ser e, sim, entende como somos, como indivíduos imperfeitos: com qualidades e defeitos. Tendo essa consciência, fica muito mais prático saber o que fazer para atenuar o que é ruim e potencializar o que é bom dentro da sua personalidade. A autoestima, então, depende da forma como cada um se vê verdadeiramente.

 

O que pode influenciar você a não alimentar a autoestima? Se auto sabotar! Você vai se culpar por escolhas erradas, vai dar valor nas suas experiências com o fracasso, vai se intimidar, vai se comparar com o outro, achar que a "grama do vizinho é mais verde" e ficar vulnerável em relações com pessoas críticas e tóxicas. Conseguiu se enxergar em alguma dessas situações? É MUITO mais do que se olhar no espelho e achar que engordou 3 kg. Não há competição quando o protagonista já tem seu lugar de destaque.

 

Em meados dos anos 1563, o filósofo Michel de Montaigne já tentava diagnosticar as causas de nossa insegurança, além da relação que o ser humano tem entre corpo e a mente. Para ele, a origem da baixa autoestima está na capacidade humana de desfigurar o mundo artificial entre normal e anormal, criando uma idealização de nós mesmos que jamais será correspondida. Segundo ele, "uma ilusão que massacra e nos sujeita a uma culpabilização por não atingir os ideais criados".

Se isso nos gera extrema ansiedade por não atender aquilo que criamos, imagine dentro de um relacionamento? Transportamos as nossas cobranças no outro e cobramos nosso cônjuge por não atender a uma expectativa que nós produzimos.

O psicoterapeuta canadense-americano Nathaniel Branden, conhecido por seu trabalho focado em autoestima, descreveu nos anos 60 os 6 pilares da boa autoestima: viver consciente, intencionalmente (saia do automático), praticar a auto aceitação, auto responsabilidade, autoafirmação e integridade pessoal.

Veja que tanto para avaliar sobre a elevada autoestima ou baixa autoestima, a ideia é provocar uma reflexão de você mesmo: das suas aptidões, das suas crenças limitantes, do que é capaz de aceitar ou não, do que é capaz de melhorar e desenvolver. Ser consciente de você e de tudo o que vem nessa bagagem acumulada há anos, é a melhor forma de identificar o caminho que vai te trazer qualidade de vida.

Por fim, vale lembrar que o egocentrismo, arrogância e sentimento de superioridade não estão ligados à autoestima. Goste de si mesmo com convicções fortes e reais e não faça disso uma arma de defesa. Faça da sua autoestima uma aliada.

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