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Na estreia do ensaísta LEOPOLDO GIL, 'O Brado de Reginaldo Telles de Sousa'. Simplesmente espetacular.

09/05/2020 15h24
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Por: Mhario Lincoln

O BRADO DE REGINALDO TELLES DE SOUSA:

“ACORDA MOCIDADE! ACORDA ATENIENSE!” E O ATENIENSE ACORDOU... 

 

(*) LEOPOLDO GIL DULCIO VAZ, IHGM, Academia Ludovicense de Letras, pesquisador, ensaísta, professor, escolhido para a Academia Poética Brasileira.

 

Escrevi, na apresentação do livro de poesias de Reginaldo Telles que sua nora, Denise Martins de Araújo, chamara-me à sua sala, na Academia Viva Água dizendo-me precisar que editasse um livro de poesias. De Reginaldo Telles... Perguntou-me se o conhecia. 

Ao que respondi que sim, conhecia-o pai do Osvaldo e da Regina; Sim, o político, ligado ao Dr. Jackson e ao Neiva Moreira; Sim, o jornalista brilhante, de uma geração em que se fazia um jornalismo sério, sem paixão – sem a paixão políticopartidária, a soldo de quem paga mais para ‘criar’ verdades e macular biografias... Não. Não conheço o poeta! Mas sei que todo maranhense nasce poeta. Que todo poeta busca no jornalismo um meio de sobrevivência, para poder poetar...  

Mais tarde, ao buscar material para a construção de uma Antologia Ludovicense, para a Academia Ludovicense de Letras, deparei-me com outro Reginaldo Telles... Aquele jovem liceista, da mesma geração de Tribuzzi, Lago Burnett, José Sarney, que bebiam de Neiva Moreira, Ignácio Rangel, Josué Montello, Oswaldino Marques, Franklin de Oliveira, Odylo Costa, filho, Antonio de Oliveira, Manoel Caetano Bandeira de Mello, Erasmo Dias, Mário Meireles e Nascimento Moraes. Rossini Corrêa (1989) 1 vai identificá-los como a Geração de 30. Daquela jovem Geração de 30, que se vai congregar no Cenáculo Graça Aranha, estimulada que foram pelo Mestre Antonio Lopes da Cunha, professor do Liceu Maranhense. Josué Montello foi o orador na solene fundação do Cenáculo) 2, 3. Terminada a década de 30, os principais entusiastas da mocidade intelectual maranhense estavam radicados no Rio de Janeiro, onde acreditavam ter perspectivas de reconhecimento nacional como escritores e estudiosos; outros permaneceram no Maranhão...  

Há que se destacar que, entre as décadas de 30 e 40, o fenômeno de aliciamento de poetas, romancistas e ensaístas foi um fenômeno nacional4. Com Paulo Ramos, a máquina do Estado foi expandida. Houve um crescimento das instituições públicas. Surgiu um mercado de trabalho mais típico dos intelectuais. Estes, antes “reclusos à existência vacilante da boemia, de mestre-escola e do jornalismo provinciano” passaram a “compartilhar das responsabilidades administrativas do Estado” (CORRÊA, 1993) 5. 

Para Corrêa (2001), talentos ressalvados, Edmo Leda e Sebastião Corrêa morreram precocemente, e Erasmo Dias e Paulo Nascimento Moraes não construíram, de maneira organizada, obras literárias. Cedo também desapareceu Viana Guará. E alguns, como costumeiro, não confirmaram a vocação matinal, não deixando vestígio na história da literatura maranhense.  Foi Corrêa da Silva quem sustentou o fogo do combate - afirma Corrêa (2001) 6 – minimizadas as fileiras da falange erguida por Antonio Lopes, nas páginas do Diário do Norte, com o suplemento “Renovação”, que substitui tanto o Cenáculo Graça Aranha, quanto o Centro Maranhense de Artes e Letras. “Renovação” extingue-se com a debandada de quase todos os seus fundadores para fora da ilha, não deixando maiores frutos, mas deve ser lembrado pelo que representou para um punhado de jovens talentosos.   Barros (2005, 2013?) 7, ao analisar a literatura maranhense num recorte temporal de 1930 a 1960, afirma que, politicamente, podemos afirmar a existência de dois momentos: Primeiro, entre fins da década de 30 e metade da década de 40.  

Em 1939 aparece o primeiro número da “Revista Athenas” – dirigida por J. Pires -, e, nas palavras de Nascimento Moraes (1939) 8, tratar-se-ia de “uma arrancada” comprovadora de que “A Athenas Brasileira vive. Não é menos vigorosa a sua expressão mental”. Este é um momento em que a noção de cultura – e tradição – indicada pelo desejo da afirmação do termo “Atenas” ainda continua a apontar, sobretudo para uma tradição que valoriza a Europa, um texto velho, mas continuamente revitalizado: 

 

[...] em se tratando de uma publicação maranhense, feita no Maranhão, levará os leitores daquela ‘Athenas’ do tempo de Perycles, de Sócrates, de Xenophonte, de Phidias [...] E dirão que ‘Athenas’ é hoje synonimo de escombros, de ruínas, e é o nome que forçará o espírito a recordar um passado de glórias e a physionomia moral de um povo que já deu o que podia dar. 

Entretanto [...] digam que se transmudam, que se reformam, que se reorganizam, e que tomam novas directrizes. Mas não se verificam desornamentos nas edificações feitas. O que ficou construído servirá de alicerce a novas edificações [...] A Athenas Brasileira vive. Não é menos vigorosa a sua expressão mental. (MORAES, 1939, 9p. 1-2, grifos nossos, citado por Barros, 2005, p. 80)10.

Nesse período, além da chamada Geração de 30, ou sob sua interferência/influencia, aparece o Centro Cultural Gonçalves Dias.  No dizer de Corrêa (1989)  11, organizada com a participação de intelectuais experimentados, como Luso Torres, Manoel Sobrinho, Clodoaldo Cardoso, Bacelar Portela e Nascimento de Moraes (pai), acrescido pelos representantes da mocidade, como Nascimento Morais Filho, Vera Cruz Santana, Arimatéia Atayde, José Figueiras, Agnor Lincoln da Costa, Antonio Augusto Rodrigues, José Bento Nogueira Neves e Haroldo Lisboa Olimpio Tavares. E, claro, Reginaldo Telles de Sousa... 

Corrêa (1989, p. 66) traz o depoimento de um dos fundadores do Centro: 

 

“Sentimos que a Academia Maranhense de Letras atravessava uma fase de silencio e que a juventude não recebia estímulos no plano literário. Resolvemos, por isso, fundar uma agremiação que pudesse acordar a Academia e, ao mesmo tempo, oferecer aos jovens, nos encontros semanais, oportunidade para o despertar de tendências. A entidade significou, assim, um movimento de reencontro com a tradição literária do Estado e de estímulo às iniciativas no plano das letras”. 

 

 Outro dos fundadores declara que, teoricamente, o Centro já estava fundado, pois se reuniam no Bar Paulista, e à noite, na Galeria do Carmo, para declarar poesias e discutir literatura. Não era um movimento de escola literária, declara outro integrante a Corrêa (1989): o movimento era cultural, portanto, global. Envolvia tudo – não havendo nunca antes no Maranhão, um movimento neste sentido.  

 Os encontros centristas aconteciam, então, já, no Casino Maranhense, no Clube Litero Recreativo Português, e na Escola Benedito Leite e, as solenidades mais representativas, no teatro Artur Azevedo. 

 A publicação de revistas, enquanto veículos culturais foram duas, abarcando os ângulos histórico – Caderno Histórico – e literário – Caderno Literário. A deferência de Sebastião Archer da Silva, possibilitando a publicação das revistas, significou um passaporte para a chegada ao aparelho de comunicação de Victorino de Britto Freire, então já senador da república. Assim foi que o Diário de São Luís, do extinto Partido Social Trabalhista, começou a circular seu suplemento literário, sob a direção de Nascimento Morais Filho. O suplemento cultural já estava com 40 números publicados quando Lago Burnett e Ferreira Gullar assumiram a sua direção. E diferentemente de Nascimento Morais Filho, passam a exercer censura, decidindo que “Toda a matéria que não for solicitada deverá passar pela nossa censura” (CORRÊA, 1989, p. 89): 

 

“Refletiam, decerto, o contexto do CCGD, relacionado com as exigências da redação do Diário de São Luis. Entretanto, sob disfarce, o sarcasmo da história se processava, e José Sarney, polemicando sobre o poético com os centristas, começava a escrever para o publico, sob beneplácito do Senador Victorino Freire, o qual na década seguinte, o lançaria na política e a quem viria a combater e suceder historicamente”.

José Sarney12, em entrevista a O Imparcial diz que, na sua geração eram formados dois grupos: no Centro Cultural Gonçalves Dias, onde se reuniam Nascimento Moraes Filho, Ferreira Goulart, Lago Burnet. 

 

[...] os ‘neo-modernistas’ nos encontrávamos na Movelaria do pintor Pedro Paiva. Éramos os escritores Bandeira Tribuzi, Evandro Sarney, Carlos Madeira, Domingos Vieira Filho, Bello Parga, Nivaldo Macieira, Lucy Teixeira e eu, e os pintores Floriano Teixeira, Figueiredo, Antonio Almeida, Cadmo Silva, Amorim. Gular e Burnett depois se uniram a nós e acabaram partindo para o Rio de Janeiro. 

[Sobre a criação do Suplemento Literário de São Luis] Foi o primeiro e por muito tempo não tive outro. Tínhamos colaboração do Brasil inteiro, fazíamos muito sucesso, dinamizamos o movimento cultural

  

Depois, de meados da década de 40 até meados da década de 60, período correspondente à oligarquia vitorinistai,13 que será substituída por outra, a oligarquia Sarney, em 1965. Informa Barros (2005)  14: 

Neste cenário, terão papel fundamental membros da chamada “Geração de 45” e, em ambos os momentos, vozes se levantarão para pintar o Maranhão como decadente, mas pronto para reerguer-se revivendo supostos tempos áureos e prósperos de Atenas.  

 

 Grêmios e centros estudantis  de escolas e faculdades davam sua parcela de contribuição no processo de tentativa de não esquecimento e de remomoração do Maranhão-Atena, através da publicação de jornais e de realização de cerimônias.  Barros (2005, p. 88)15 identifica, na Biblioteca Púbica Benedito Leite “A Juventude” com nove exemplares publicados em 1957, “Alvorada” também cm nove edições publicadas entre 1954 e 1955; “Êxito” teve dois números publicados em 1950; “Folha Escolar” com 12 publicações entre 1944 e 1949, “Folha Estudantil”, um exemplar em 1951; “O Grêmio”, um exemplar, de 1955; “Estudante de Atenas”, sete exemplares publicados entre 1956 e 1957; e “O Liceu” teve dois exemplares publicados entre 1957 e 1958. 

 O jornal “Folha Estudantil” tinha por redatora e gerente os alunos da Escola Benedito Leite, Margarida Ferreira e Mário S. Mesquita e a direção das professoras Benedita Rosa Soares e Silva e Elda Archer Serra Martins (FOLHA ESCOLAR, 1949, citado por BARROS, 2005, p. 81).  

Importante lembrar que “Alvorada”, jornal do “Liceu Maranhense”, então principal escola de Ensino Médio do Estado, é um dos principais jornais que significa a maranhensidade a partir dos motivos da velha Atenas de Gonçalves Dias.  

 Em sua primeira edição, em 10/05/1945, está a poesia “Alvorada”, de Reginaldo Teles de Sousa/16: 

 

Acorda Mocidade! Acorda Ateniense!

Alça teu vôo pelo espaço e nas alturas,

Recorda o teu passado e, em teu presente, vence,

Batendo o ostracismo e as sombras mais escuras

 

Acorda Ateniense! Acorda Mocidade!

Sobre glorias dormiste e glorias em dezenas...

É tempo de acordar, despertando a verdade,

Clareando o horizonte e iluminando Atenas!

 

Acorda Mocidade! Acorda Maranhão!

E mostra que depois de sonhos, despertado

Sorris, como um Gigante, um Gigante ateniense

Que vem haurir num templo imenso edificado

 

Desperta Ateniense! Os cânticos são belos! 

Desperta Mocidade!... É fresca a madrugada

O sol da inteligência enloira os teus castelos!

Há sorrisos e luz, cambiantes de alvorada!

 

(SOUSA, 1945, p. 1)17.

 Dois anos depois retoma o poema Alvorada, escrevendo um excerto: 

Acorda Mocidade! O mundo ouça teu grito!

O oceano se agira em convulsões tamanhas...

 [...]

Tens a força latente e o valor dos gigantes.

Em teu seio borbulha o esplendor dos teus anos,

 Ès mais forte que o forte em duelos constantes,

[...]

Do teu passado escuta a voz altissonante

Que te fala num brado e pela natureza.

(SOUSA, 1947, p. 4)18 . 

 

Além do “Alvorada’, o Liceu Maranhense tinha o órgão oficial de seu grêmio, o jornal “O Estudante de Atenas”. Os jornais que eram publicados, então, tinham vida curta. A cada nova tentativa, os mesmos órgãos reviam seus nomes, suas formas, mas, depois, sucumbiam aos dias (BARROS, 2005):

O poeta e, naquele momento, a dois anos de tonar-se imortal da AML, José Carlos Lago Burnett, salientava que um dos principais empecilhos para o desenvolvimento de escritores jovens era a falta de apoio das autoridades maranhenses que, ‘sem nenhuma originalidade, fazem o mesmo que as demais autoridades do Brasil: põem a cultura em plano secundário e desconfiam dos literários, justamente por sabê-los superiores’ (BURNETT, 195219)

[Continua Barros] Para o escritor, existiam apenas duas revistas ‘dignas de registro’ no Maranhão: ‘A Ilha’, dirigida por José Sarney Costa, Bandeira Tribuzi e Luis Carlos Belo Parga, e “Afluente”, dirigida por Ferreira Gular e ele próprio. 

 

Lago Burnett e Ferreira Gullar, agindo como autônomos em relação ao CCGD partem para a publicação da revista Saci – ilustrada por Cadmo Silva e o próprio Lago Burnett, com tiragem de 3.000 exemplares, aceitava colaboração...  

 

 

 A geração seguinte foi a “geração de 45”. Para Rego (2010) 20, também denominada de “Movimento da Movelaria Guanabara”, onde:  

 O contexto literário da capital maranhense vai-se dinamizar a partir de encontros realizados na Movelaria Guanabara, de propriedade do artista plástico Pedro Paiva. A Movelaria Guanabara servia como espaço para a realização de encontros e debates que, segundo Rossini Corrêa, ali eram traçados caminhos imediatos de intervenção intelectual na realidade maranhense. 

 

 Já o “Folha Estudantil”, órgão do Grêmio Liceista, publicado em 1951, tem um primeiro número paradigmático, rememorando um passado miticamente construído, denunciando um presente supostamente decadente e vislumbrando um futuro pelo espectro daquele passado: 

Avante, MOCIDADE ATENIENSE 

Volvendo a memória ao passado, revivemos os dias áureos dos nossos ascendentes, quando a gleba maranhense se sobressaiu, pelas letras, entre as demais glebas do solo pátrio. [...] Não podemos esquecer a vida e os relevantes serviços de nossos primeiros irmãos que honraram o nome e a história de nossa gente [...] para frente! Mocidade Maranhense! Com a mesma cadencia que desenvolviam os maranhenses de ontem; para que a tua plaga não só patenteie esta tradição que é o orgulho do Maranhão, mas de todo o Brasil (BASTOS, 1951, p. 2, citado por BARROS, 2005, P. 82) 21

 Nos anos 50/60, Cruz (Machado) (2006) 22 refere-se à Galeria dos Livros, do emblemático Antonio Neves, onde eram lançados os livros, nas famosas noites de autógrafos. Era Arlete Cruz quem organizava as ‘noitadas’, distribuindo os convites, o coquetel, no espaço cedido, sem custos, para aqueles então jovens literatos, artistas, intelectuais: 

Formávamos, assim, um grupo de artistas, ou de pessoas ligadas à arte, com várias tendências e gerações, não chegando a se constituir um movimento organizado (nem sequer éramos da Academia Maranhense de Letras, excetuando-se um ou dois), com alguns mais participativos do que outros, mas todos amigos: Bernardo Almeida, José Chagas, Antonio Almeida, Nauro Machado, João Mohana, Carlos Cunha, Paulo Moraes, Venúsia Neiva, Luiz de Mello, Bandeira Tribuzzi, Manoel Lopes, Fernando Moreira, Henrique Augusto Moreira Lima, Olga Mohana, Ubiratan Teixeira, Bernardo Tajra, Déo Silva, Lourdinha Lauande,, Murilo Ferreira, Sérgio Brito, Reynaldo Faray, José Frazão, Maia Ramos, José Maria Nascimento, Jorge Nascimento, Helena Barros, Antonio Garcez, Fernando Braga, Moema Neves, José Caldeira, Erasmo Dias, José Martins, Yedo Saldanha, Domingos Vieira Filho, Lucinda dos Santos, Márcia Queiroz minha mãe Enói, que me  acompanhava sempre), Dagmar Desterro, Mário Meireles,  Nascimento Morais Filho, José Sarney – e, claro Reginaldo Telles [... continua] alguns mais tarde se juntariam a nós, como Pedro Paiva, e Ambrósio Amorim (ambos de volta a São Luis), Chagas Val, Virginia Rayol, Alberico Carneiro, Lucia e Leda Nascimento, Othelino Filho, Aldir Dantas, Carlos Nina, Péricles Rocha, José de Jesus Santos, Laura Amélia Damous, Luis Augusto Cassas, Lenita de Sá, Luiz Carlos Santos, Nagy Lajos, Aurora da Graça,, dentre outros. (p. 97)

 

Embora ainda freqüentando os meios literários, dedica-se mais ao jornalismo. Adormece o poeta? Não, mas guarda suas produções, que só agora aparecem. Com o titulo POESIAS NECESSÁRIAS: Ontem & Hoje…  

 De nossas conversas, diz que os guarda de muitos anos, desde os tempos de Liceu, e os escreve toda vida...  Leu-me alguns. Emocionado. Aos do tempo da juventude, com lágrimas a rolar as faces marcadas pelo tempo. Mas as lembranças permanecem vivas, como se tivessem acontecendo naquele momento, o encantamento... 

 Pergunto: - “quem foi Elis?” sorri, disfarça, olha para a nora e o neto... os olhos marejam... E em resposta diz: “como sabes de Elis?” Respondo: “já li seus poemas...” e fiquei intrigado: “quem foi Elis?” retomo... sorri, pega o calhamaço de poesias, e seleciona uma: fala de Elis; outra, que também fala de Elis... Mas não responde: “quem foi Elis?” ou “o que foi Elis...” 

 Não precisa responder. Basta sentir a emoção em declamar “Agora, é a frustração [...] agora, é o fracasso [...] agora, é a sensação de viuvez [...] agora, é o sino sem som [...] agora, é a solidão...” ou ‘está dando cupim dentro de mim [...] é assim na “ausência de Elis...” 

 Mar, sol, sal, solidão... Uma constante. 

Uma vez Poeta, sempre Poeta…

 

 De nossas conversas, diz que os guarda de muitos anos, desde os tempos de Liceu, e os escreve toda vida...  Leu-me alguns. Emocionado. Aos do tempo da juventude, com lágrimas a rolar as faces marcadas pelo tempo. Mas as lembranças permanecem vivas, como se tivessem acontecendo naquele momento, o encantamento... 

 Pergunto: - “quem foi Elis?” sorri, disfarça, olha para a nora e o neto... os olhos marejam... E em resposta diz: “como sabes de Elis?” Respondo: “já li seus poemas...” e fiquei intrigado: “quem foi Elis?” retomo... sorri, pega o calhamaço de poesias, e seleciona uma: fala de Elis; outra, que também fala de Elis... Mas não responde: “quem foi Elis?” ou “o que foi Elis...” 

Não precisa responder. Basta sentir a emoção em declamar “Agora, é a frustração [...] agora, é o fracasso [...] agora, é a sensação de viuvez [...] agora, é o sino sem som [...] agora, é a solidão...” ou ‘está dando cupim dentro de mim [...] é assim na “ausência de Elis...” 

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1 CORRÊA, Rossini. O MODERNISMO NO MARANHÃO. Brasília: Corrêa & Corrêa, 1989. 2 CORRÊA, Rossini. ATENAS BRASILEIRA; A CULTURA MARANHENSE NA CIVILIZAÇÃO NACIONAL. Brasília: Thesaurus; Corrêa & Corrêa, 2001 3 CORRÊA, Rossini. ATENAS BRASILEIRA; A CULTURA MARANHENSE NA CIVILIZAÇÃO NACIONAL. Brasília: Thesaurus; Corrêa & Corrêa, 2001 4 BARROS, Antonio Evaldo Almeida. INVOCANDO DEUSES NO TEMPLO ATENIENSE: (Re) inventando tradições e identidades no Maranhão (1940-1960). Outros Tempos, www.outrostempos.uema.br, volume 03, p.156-181 5 CORRÊA, Rossini. FORMAÇÃO SOCIAL DO MARANHÃO: O PRESENTE DE UMA ARQUEOLOGIA. São Luis: SIOGE, 1993. 

6 CORRÊA, Rossini. ATENAS BRASILEIRA; A CULTURA MARANHENSE NA CIVILIZAÇÃO NACIONAL. Brasília: Thesaurus; Corrêa & Corrêa, 2001 7 BARROS, Antonio Evaldo Almeida. INVOCANDO DEUSES NO TEMPLO ATENIENSE: (Re) inventando tradições e identidades no Maranhão (1940-1960). Outros Tempos, www.outrostempos.uema.br, volume 03, p.156-181, O tema enfocado neste artigo foi discutido na monografia “Renegociando Identidades e Tradições: cultura e religiosidade popular ressignificadas na maranhensidade ateniense”, defendida no curso de História da UFMA, em julho de 2005 (BARROS, 2005) e também em eventos (BARROS, 2004a, 2004b, 2004c). As fontes históricas citadas podem ser localizadas na Biblioteca Pública Benedito Leite (Setor Arquivo), em São Luís/MA. Disponível em  http://www.outrostempos.uema.br/volume03/vol03art10.pdf, acessado em 02/05/2014 8 MORAES, José Nascimento de. Uma arrancada. REVISTA ATHENAS, São Luís, p. 1-2, jan. 1939, citado ,por BARROS (S.D.). 9 MORAES, Nascimento de. Uma arrancada. REVISTA ATHENAS, São Luis, n. 1, p. 1-2, jan. 1939, citado por BARROS, Antonio Evaldo Almeida. “ACORDA ATENIENSE! ACORDA MARANHÃO!”: identidade e tradição no Maranhão de meados do século XX (19401960). In CIÊNCIAS HUMANAS EM REVISTA, São Luis, v. 3, n. 2, dezembro de 2005, p. 73-92 10BARROS, Antonio Evaldo Almeida. “ACORDA ATENIENSE! ACORDA MARANHÃO!”: identidade e tradição no Maranhão de meados do século XX (1940-1960). In CIÊNCIAS HUMANAS EM REVISTA, São Luis, v. 3, n. 2, dezembro de 2005, p. 73-92 

11 CORRÊA, Rossini. O MODERNISMO NO MARANHÃO. Brasília: Corrêa & Corrêa, 1989. 

12  CUNHA, Patrícia. “O IMPARCIAL MARCOU MINHA VIDA” – ENTREVISTA COM José Sarney. O IMPARCIAL, São Luis, 1º de maio de 2015, Caderno Especial. 13 COSTA, Wagner Cabral da. O SALTO DO CANGURU: DITADURA MILITAR E REESTRUTURAÇÃO OLIGÁRQUICA NO MARANHÃO PÓS-1964. CIÊNCIAS HUMANAS EM REVISTA, São Luís, UFMA/CCH, v. 2, n. 1, p. 183-192, 2004.  14 BARROS, Antonio Evaldo Almeida. INVOCANDO DEUSES NO TEMPLO ATENIENSE: (Re) inventando tradições e identidades no Maranhão (1940-1960). Outros Tempos, www.outrostempos.uema.br, volume 03, p.156-181 15 BARROS, 2005, p. 88-89, em nota (9), p. 89. 

16 VAZ, Leopoldo Gil Dulcio. UMA APRESENTAÇÃO NECESSÁRIA ÀS POESIAS NECESSÁRIAS, de ontem e hoje: REGINALDO TELLES. In ALL EM REVISTA, V. 2, N. 1, 2015, SÃO LUIS – MARANHÃO – JANEIRO A MARÇO, p. 306-311. 17 SOUSA, Reginaldo Telles de. Alvorada. ALVORADA, São Luis, 10 de maio de 1945, citado por BARROS, 2005, obra citada, p. 83. 18 SOUSA, Reginaldo Telles de. Alvorada - excerto. ALVORADA, São Luis, 14 de jul. de 1947, citado por BARROS, 2005, obra citada, p. 83. 

19 BURNETT, José Carlos Lago. Novidades transcreve uma entrevista dada pelo poeta à “Revista Branca”, do Rio de Janeiro. NOVIDADES, São Luís, 02 de agosto de 1952. 20 REGO, Rosemary.  A “geração de 45” - (Ou o Movimento da Movelaria Guanabara), In GUESA ERRANTE, edição 221, publicado em 10 de setembro de 2010, disponível em http://www.guesaerrante.com.br/2010/10/13/Pagina1235.htm  21 BASTOS, J. Avante, mocidade ateniene. FOLHA ESTUDANTIL, São Luis, 13 de jun. De 1951, citado por BARROS, 2005, p.82. 22 CRUZ (MACHADO), Arlete Nogueira da. SAL E SOL. Rio de Janeiro: Imago, 2006. 

i Após o declínio do Estado Novo, a história maranhense foi marcada pela ascensão política de Victorino Freire, um dos principais articuladores da campanha do General Dutra à presidência e responsável pela organização do PSD no Maranhão, partido que tinha fortes ligações na esfera federal e mantinha-se internamente baseado em mandonismos locais e no uso sistemático da “Universidade da Fraude” nos processos eleitorais (in COSTA, Wagner Cabral da. O SALTO DO CANGURU: DITADURA MILITAR E REESTRUTURAÇÃO OLIGÁRQUICA NO MARANHÃO PÓS-1964. CIÊNCIAS HUMANAS EM REVISTA, São Luís, UFMA/CCH, v. 2, n. 1, p. 183-192, 2004. 

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