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Colunistas: Edomir Martins de Oliveira. "Apenas cumprimentos formais"

04/05/2020 22h14
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Por: Mhario Lincoln

 

 

 

 

 

APENAS CUMPRIMENTOS FORMAIS 

Capítulo 7 -

Do Livro: "Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira – Vice-Presidente da APB

 

 

 

 

Amem-se e sejam felizes para sempre. Estive presente. Abraços.

A maioria das crônicas deste livro foram vivenciadas por mim; outras, amigos contaram-me fatos presenciados.    

A crônica de hoje conta uma experiência que tive, depois de esperar por uma noiva na Igreja, em torno de duas horas de atraso.

Em papel timbrado do próprio Cerimonial, deixei a mensagem do primeiro parágrafo, mesmo contristado, por não poder cumprimentar de perto os noivos. Mas foi o único modo que tive de me solidarizar com o ilustre casal. Não podia mais esperar, pois, havia sido convidado para participar de outro evento.  

Quando recebi o convite, observei atentamente hora, data e local. O convite registrava:

“Casamento religioso com efeitos civis”. E entre parêntesis acrescentava em destaque: (os noivos chegarão pontualmente às 19:00 horas à cerimônia, que não sofrerá atraso)”.

Constava “também do convite:

Local – Igreja.....

Horário 19:00 horas.

Os noivos sentir-se-ão honrados com a presença de V.Sa. e esposa e agradecem a atenção ao convite ora formulado. ”

Ouvi de pessoas amigas que também foram convidadas, que o convite continha uma ameaça ao destinatário no tocante ao horário, pois intimava o convidado a não se atrasar à cerimônia. Era uma advertência, diziam, muito deselegante.

Habitualmente as noivas chegam atrasadas às suas próprias cerimônias de casamento (aleluia quando os atrasos são de poucos minutos).

Mesmo assim, animei-me para comparecer à cerimônia, pois, aí estava uma noiva que respeitaria seus convidados, comparecendo com pontualidade.

Não aconteceu, contudo, a esperada pontualidade. Para decepção minha, duas horas após a data aprazada, a noiva ainda não chegara e não se tinha qualquer notícia do porquê do atraso.

 Até as flores que adornavam o templo começaram a ressentir-se, não exalando mais o seu perfume natural, algumas até começavam a murchar ressentindo-se, do calor no templo.

Convidados  se remexiam nos bancos da Igreja, como se estivessem sentados em modo muito desconfortável.

O sacerdote, inquieto, finalmente recebeu notícias de que o atraso da noiva era devido a um casal de padrinhos que presos no trânsito, não conseguia chegar a Igreja. O Padre, incomodado porque um casal de padrinhos não tivera o cuidado de sair mais cedo de casa e por isso estava prejudicando o andar da cerimônia, com seu atraso, dizia com seus botões: o início da cerimônia está comprometido, dá-me paciência meu Deus.

Foi quando, frustrado ante o atraso, que considerei pouca atenção para com os convidados, dirigi-me ao Cerimonial indagando:

- A cerimônia estava prevista para 19:00 ou 09:00 horas? Será que eu li errado o que vinha expresso no convite?

                     Ao que as jovens que compunham o Cerimonial responderam-me:

- O senhor chegou na hora certa. O Convite reza 19:00 horas. ´

Nós estamos nos comunicando com a noiva por telefone e dizendo que retarde sua chegada pois a Igreja ainda está muito vazia. E para não abusarmos da paciência do Padre dissemos-lhe sobre a causa do atraso que era motivada por um casal de padrinhos, que pegando um engarrafamento de trânsito, não conseguia chegar a Igreja. Deus que nos perdoe! E ainda fizeram o sinal da cruz, como que a pedir perdão.

O sacerdote sem de nada desconfiar acreditava, piamente que o atraso da noiva era justificado, conforme estava chegando ao seu conhecimento.

 Nesse momento, indignado, comecei a dar as cartas.

Pedi ao Cerimonial que me cedesse um papel timbrado que precisava redigir poucas palavras aos noivos, e pedia ainda que fizessem a gentileza de entregar-lhes:

 

Lá estava escrito:

- Diletos amigos, “amem-se e sejam felizes para sempre. Estive presente”, palavras que todo casal gosta de escutar.

Retirei-me em seguida, prometendo a mim mesmo que evitaria ao máximo, comparecer a futuros convites para casamento.

Se fosse, por descuido, a qualquer evento do gênero, esperaria no máximo 30 minutos de atraso, e   me retiraria em seguida, quando porventura, por mera atenção aos pais da noiva resolvesse comparecer a um casamento.

         Parodiando o nosso poeta  Gonçalves Dias  no seu poema   I Juca Pirama,

“E à noite nas tabas, se alguém duvidava

Do que ele contava,

Tornava Prudente – “Meninos, eu vi”.

       Depois de presenciar todos os fatos acima narrados, eu vos digo:

-Leitores eu vi e vivi.

 

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