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COLUNISTAS: Edomir Oliveira

28/04/2020 12h57
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Por: Mhario Lincoln

 

 

CASAMENTO NÃO REALIZADO

 Capítulo 06 

Do livro "FINALMENTE A NOIVA CHEGOU", de 

EDOMIR MARTINS DE OLIVEIRA, vice-presidente da Academia Poética Brasileira

 

 

                  Constantes atrasos da noiva às cerimônias do casamento têm gerado, muitas vezes, situações inusitadas. De certa feita, um sacerdote idoso, conhecido pela sua rigidez de decisões, não celebrou a cerimônia, pelo exagerado atraso da noiva sem nenhuma justificativa desta. Quando a noiva chegou, o Sacerdote já tinha se retirado para realizar outro compromisso sacerdotal com o qual se comprometera.

                 

A noiva, aos pés de uma imagem de Santo Antônio, cuja Igreja onde se realizaria o casamento levava o seu nome, entre lágrimas e apelos, implorava que ele fizesse o Padre voltar. - Eu nunca mais chegarei atrasada para qualquer compromisso. Confessava em viva voz. - Meu Santo, tu me mandaste este noivo, tu és o Santo Casamenteiro, eu te suplico que faças o Padre retornar para celebração do meu casamento.  - Tende piedade, meu Santo!

 

                  Em vão, o noivo e o seu futuro sogro telefonaram para o Padre pedindo-lhe que voltasse à Igreja, para celebrar o casamento. Como o sacerdote estava irredutível, a noiva usando ainda em seguida o mesmo telefone, tentou sensibilizá-lo com suas lágrimas, porém o sacerdote não se comoveu com o apelo que a noiva fez aos prantos.

 

       Os convidados, inquietos, viram o sacerdote sair do altar e jamais imaginaram que se tratasse de um abandono de cerimonia, quando outros acreditavam tratar-se de satisfação de uma algum compromisso sacerdotal de ordem interna.

 

                  Foi quando, finalmente, começou a correr um zunzunzum de que o Padre fora embora, ante o atraso da noiva.

 

                  Uns, de logo, compreendendo a gravidade da situação começaram a se retirar do templo. Outros, mais pacientes, acreditavam que o sacerdote voltaria. E como o tempo passou e isto não aconteceu, não restou outra alternativa também, a não ser retirar-se da Igreja.

 

                  Várias lamentações ocorriam. Nessas fileiras formavam os que pensavam nas coisas materiais, tais como, o que fazer com as delicias que um bufê, muito conceituado, providenciara para recepcionar os convidados.

 

 E o prejuízo, com o pagamento do que fora contratado? Muitos achavam que o noivo deveria indenizar tudo, pois fora incompetente não sabendo cativar e estimular a noiva para chegar na hora aprazada.

 

 Outros entendiam que o noivo, era uma vítima de noiva irresponsável e que ele se livrara em tempo, de uma mulher que seria péssima esposa.

 

                  Por outro lado, outros entendiam até que todo o prejuízo assumido pelos pais dos noivos, quem deveria indenizar era o sacerdote, causador da celeuma toda.

 

                  Mas, no campo espiritual, havia os que apenas condenavam o Sacerdote por não saber perdoar a noiva pelo seu atraso à cerimônia. Esquecera-se, diziam muito convidados, dos ensinamentos Bíblicos que recomendam perdoar até setenta vezes sete. (Evangelho de Mateus, capítulo 18, versículos 21 e 22).

 

                  Os pais da noiva, figuras importantes na cidade, diziam para quem quisesse ouvir, que tudo fariam para que o Reverendíssimo sofresse a punição que lhe pudesse ser imputada pelos seus superiores.

 

Afinal, abandonar uma noiva, deixando-a no altar não era comportamento de sacerdote, devia ele ter a tolerância suficiente e esperar mais um pouco por uma noiva atrasada, o que lhe era impossível fazer ante o outro compromisso assumido.

 

                  O Padre que se retirara da Igreja fazendo um sinal da cruz, teve o cuidado de mandar um recado à noiva pelo seu acólito, que como penitência rezasse 10 Ave-Marias e 10 Pais-Nossos.

 

                   Os noivos, por um gesto de nobreza, e em plena combinação com os pais, fizeram doação de tudo que estava preparado para bem recepcionar os convidados, a uma Instituição de Caridade que tudo recebeu com imensa alegria.

 

                  Soube-se, depois, que a noiva recebera as bênçãos sacerdotais, em outro dia, com outro sacerdote, sem convidados, sem belas flores naturais que adornassem a Igreja, passando ela mesma a ser a única flor, que a rigor, superava a beleza das flores e o perfume que elas exalavam.

 

 

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