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Convidado. Edomir Martins de Oliveira: CONSELHOS DA VOVOZINHA

14/09/2020 09h50
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Por: Mhario Lincoln

Capítulo 26

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira

Vice-Presidente Nacional da APB

 

CONSELHOS DA VOVOZINHA

 

- Vovó como a senhora conheceu vovô? Indagou a neta do alto dos seus 17 anos.

-“Ah!  Para chegarmos ao seu avô, a minha vida foi uma novela. Escute só: -Todos os dias, passava a cavalo pela minha casa um belo jovem pela manhã, e ao fim da tarde voltava. Habituei-me a vê-lo todos os dias e o admirava. Um dia, ele passou quando ia para o trabalho e me disse que queria me ver na janela à tarde quando voltasse, pois, desejava ter uma prosa comigo.

Quando ele chegou, apeou do cavalo e me disse de logo que queria namorar comigo.

-Vovó, a senhora esperava por isso?

-“Era o que eu mais desejava minha neta. Ver aquele garboso homem montado em um lindo cavalo, eu logo lhe disse sim. Naqueles idos, no interior, não havia carros. Quem possuísse um cavalo bonito como o dele, bem arreado, fazia sucesso. Pensava até que o amava.

 Passamos a nos ver todos os dias, mas só na janela. Meses depois de namoro ele me disse que queria conversar com meus pais, pois desejava noivar comigo e casar breve. Os casamentos eram muito simples naqueles tempos, diferentes dos espetáculos que se tornaram os casamentos atuais. Fazia-se em casa mesmo, com a presença das famílias e amigos. Quando ele conheceu meus pais, pediu-me em noivado e o casamento foi marcado para 4 meses depois.

Quem cismou com ele foi a minha avó, que nutriu antipatia desde o primeiro contato.  Aquele homem não me servia como marido, segundo ela. Um belo dia, depois de uma briga séria com ele, acabei o noivado.

Logo, depois envolvi-me em outro romance; verificando com cuidado o comportamento deste namorado, vi que deixava muito a desejar. Falava-se que ele não reunia as qualidades de homem em todos os sentidos. Só tinha beleza física e logo o deixei. –“ “Neta querida, só namore quando tiver certeza dos seus sentimentos. Não se impressione com beleza, nem riqueza.  Tenha certeza da presença do amor. Tenha cuidado com a paixão, pois é um fogo abrasador que logo se apaga”.

Comecei outro namoro e que meus pais não aprovavam. Fugi de casa com ele e me dei muito mal. Ainda não tínhamos chegado ao nosso destino, quando no meio do caminho, meu pai me apanhou arrancando-me da garupa do cavalo do namorado e aplicou-me uma surra espetacular, para não esquecer jamais, levando-me de volta para casa, e dizendo que o meu comportamento estava sendo irresponsável, leviano, comprometendo não só a minha honra como a da família.

Este com quem fugi, quando viu, a ira do meu pai, meteu as esporas no cavalo, devendo estar correndo até hoje. Vi, então, que estava realmente me comportando muito mal. Santa surra! Não cometa os erros que eu cometi. Naquela época, a “cintologia” funcionava muito bem. Eu tinha sua idade, neta querida. Dei muito trabalho para os meus pais.

ML com Google.

Minha avó tinha razão na sua santa sabedoria. Repito, não cometa os erros que cometi.

Devido às circunstâncias, lutei para reconquistar o meu primeiro noivo. Ele muito relutante a princípio, mas quando meu pai entrou em ação (para salvar a honra da filha) oferecendo-lhe uma fazenda com várias cabeças de gado, a ambição falou mais alto e ele prontamente aceitou casar comigo. Aqui, minha neta, as coisas complicaram. Não é fácil casar com um homem, que se deixou de amar, quando se descobriu nele interesses somente. Errei novamente! Nossa vida conjugal foi um desastre. Vivíamos apenas nos aturando mutuamente! Ele passou a me tratar muito mal chegando às agressões físicas.

Um belo dia, resolvi voltar para casa dos meus pais. Conheci seu avô, tempos depois, em uma visita que ele fizera a meus pais. Sentimos atração recíproca e um grande querer bem. Foi amor à primeira vista! Fui viver com seu avô, depois que ele falou com meus pais, dizendo da sua intenção de oferecer-me uma vida tranquila, embora não pudéssemos casar. Com este homem, sim, eu o amo, e ele me ama há 60 anos.

Custamos a casar, pois não existia divórcio, não querendo o marido interesseiro nem mesmo a separação através de desquite. Pensava que teria de dividir a fazenda que meu pai lhe dera com a separação Só muito mais tarde, com a aprovação da Lei do Divórcio, divorciei-me, o que eu fiz litigiosamente. Casei, regularizando nossa situação. Tivemos filhos e filhas e sua mãe, a caçula. Somos felizes, como vocês sabem: -  . Evite aventuras, neta querida.

-Por isso, estamos aqui conversando como avó e neta. O dia que chegar sua vez de namoro, se é que ainda não tem namorado, só o faça bem consciente, com a certeza de que existe amor recíproco, e mantenha bem acesa a chama deste amor. Foi aí, que a neta confessou à avó que estava iniciando um namoro que talvez não desse certo, pois eram de princípios religiosos diferentes. Ele era evangélico. Ela católica. Entre eles havia esta grande ponte.

A sábia avó, então, lhe disse que as pontes são para unir pessoas e não as afastar. “Conheçam-se melhor. Evitem discussões sobre religião, mas é importante que haja respeito mútuo. Deixe as coisas acontecerem normalmente”.

A neta, então, mais animada falou: - Vó, ele tem se mostrado muito educado e quer conhecer meus pais. A avó disse-lhe: -“apresente-o a seus pais; -vocês quatro conversem”. : - Vó, só  vou casar quando tiver certeza dos nossos sentimentos, de amor entre nós. Admiro você e vovô quando vejo no olhar de ambos o brilho do amor, que fala mais alto do que palavras.

Para surpresa da jovem, os pais não viram empecilhos por causa da religião. Ela que fosse a Igreja dele para ver como funcionava, e ele também se propôs ir à igreja dela, acompanhando-a. O amor permite e exige até renúncias. Foi o que aconteceu. Ele foi a Igreja da qual ela era paroquiana. Ela, foi a igreja onde ele se congregava. Tinham respeito a todo ensino fundamentado na Bíblia Sagrada.

O namoro prosperou. Marcaram noivado, e mais à frente data para casamento, que foi celebrado em Cartório. Tendo um tio levado uma sombrinha, para a cerimônia, como tradição dos seus ancestrais asiáticos, pois ela quando aberta, traz abrigo ao casal, livrando-os das intempéries da vida simbolizadas pelo sol e chuva. As bênçãos sacerdotais de Padre e Pastor, baseados no ecumenismo, convivência pacífica das religiões, foi na residência dos pais da noiva.

Durante a homilia do casamento, e das palavras Pastorais, estes lembraram ao casal o contido na Bíblia Sagrada, em I Coríntios, 7:14: “Porque o marido incrédulo é santificado no convívio da esposa, e a esposa incrédula é santificada no convívio do marido crente. Doutra sorte os vossos filhos seriam impuros; porém, agora, são santos”. E eles não eram incrédulos, ambos cristãos, apenas de diferentes religiões.

 E para sorte da recém esposa, o marido tinha bom humor, era de sorriso fácil e gentil para com todos, tinha muita garra e competência para o trabalho e, acima de tudo, amava e respeitava demais a sua jovem esposa, que pelo visto parece que assimilou bem os conselhos da vovozinha, e assim deverá o casal ser feliz para sempre.

 

Abaixo foto do autor, vice-presidente nacional da Academia Poética Brasileira.

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