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Convidado: Edomir Martins de Oliveira: MADRINHA NARCISISTA

31/08/2020 13h59
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Por: Mhario Lincoln

Capítulo 24

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

(*) Edomir Martins de Oliveira

Vice-Presidente Nacional da APB

 

 

Madrinha narcisista.

MADRINHA NARCISISTA

       O atraso deste casamento deu-se por causa de uma madrinha, o que aconteceu para decepção da noiva, pois era justamente sua madrinha de batismo.

       O fato aconteceu assim.

Desta vez, o casamento marcado para 19h00, a noiva chegara às 19h30, com um pequeno atraso de 0,30 minutos, sendo avisada pelo cerimonial que faltava ainda uma madrinha, muito especial para a noiva, pois era sua madrinha de batismo.    .

       Os noivos convidaram cada qual os seus padrinhos, em um total de 12 casais. A madrinha, conforme tinha combinado com a afilhada e sua comadre mãe da noiva, iriam juntas para um cabelereiro e excelente maquiador do salão onde eram clientes. Em que pese o combinado, a madrinha resolveu de modo diverso.         Iria a um cabelereiro que se constituía agora a última novidade na Cidade, que havia chegado de um centro mais adiantado, onde tinha aprendido métodos revolucionários de tratar cabelo feminino e fazer maquiagem, segundo propaganda do salão. 

       Iria experimentar os seus serviços, pois queria estar deslumbrante no casamento de sua afilhada. Marcou horário. Com certeza, pensou ela, aquele profissional que vinha com cursos do exterior faria um invejável trabalho. Nenhum outro faria melhor. E o espírito de competição indicava-lhe que assim ela seria a mais elegante da solenidade. 

       Enquanto isso, sua afilhada sem saber da decisão de última hora da madrinha, aflita por não ver esta chegar, angustiada, recebeu uma informação de que ela mudara de cabelereiro. 

       A noiva fizera com vários dias de antecedência as reservas no salão. A madrinha agendara seu outro salão à última hora, o que de antemão deveria ter levado a suspeitar que ele não era tão famoso como se anunciara, pois os salões sempre são reservados com antecedência. 

       No dia aprazado, a noiva e sua mãe foram atendidas pontualmente na hora combinada, pois avisara o cabelereiro e maquiador que não queria atrasar-se para a cerimônia do seu casamento. Ficou feliz quando viu os resultados. Cabelo bem arrumado e maquiagem perfeita.

       A madrinha, que tinha ido para outro salão, depois de ver o trabalho feito por seu “famoso cabelereiro”, não gostou dos resultados apresentados.  Meteu as mãos nos cabelos, desmanchou tudo e borrou propositalmente a maquiagem, pois lhe parecera que estava de máscara, tal a intensidade desta, e craquelada. Descontrolou-se emocionalmente com o cabelereiro e o dono do salão, dizendo que este contratara pessoal de quinta categoria e que o cabelereiro deveria voltar de onde viera para fazer cursos sérios, pois o que fizera deixava muito a desejar. 

Outras clientes mostraram-se também insatisfeitas com o trabalho que lhes vinha sendo executado e assim apontaram defeitos até onde não existia. O cabelereiro tudo fazia para acalmar os ânimos sem alcançar resultados positivos. Em poucos instantes encheu-se o salão de curiosos que desejavam saber o que estava acontecendo. 

       Não tendo saído nada do seu agrado, ali mesmo, imediatamente telefonou para o salão da afilhada pedindo ao cabelereiro que a atendesse pelo amor de Deus, pois se metera em apuros indesejáveis, no que foi atendida, graças à noiva que era muito benquista pela sua gentileza e educação, que por felicidade não puxou o temperamento e comportamento da madrinha. 

 Esclareceu-lhe que não queria chegar atrasada ao casamento da afilhada, mas na verdade o que ela estava pedindo era um milagre, pois nem se preocupou em ver o relógio, tamanho o seu narcisismo. Ao chegar ao salão já estava quase no horário do casamento. Ela tinha a certeza de que não deveria ter feito experiências de última hora. Os seus cabelos e a sua maquiagem deveriam ser feitos com salão que já conhecia. Errara. 

       Enquanto a noiva foi para casa, acompanhada da sua mãe para trajar-se com o seu belo vestido, a madrinha ficou no cabelereiro/maquiador, dando a arrumação do cabelo e de nova maquiagem. Enquanto isso, as horas iam passando.

       A despeito de todos os seus esforços, este profissional da beleza feminina, precisou de tempo para realizar seu trabalho. Teve que retirar a maquiagem que houvera sido feita, lavar cabelo novamente, enfim terminou. A madrinha deu-se por feliz pelo trabalho bem feito. Pegou seu carro para ir vestir-se adequadamente para o casamento. “Prata de casa era muito melhor do que se poderia imaginar” disse em solilóquio. A euforia foi tão grande, que ia saindo sem quitar o salão, o que lhe foi lembrado com toda delicadeza, tendo ela acertado suas contas. 

       Foi para casa arrumar-se trajando o vestido que comprara para a ocasião e depois de outra hora estava pronta para prestigiar a cerimônia,

chegando com considerável atraso de duas horas. Assim, por culpa de uma madrinha, a noiva não conseguira chegar no horário certo. Os demais padrinhos, após 01h00 de espera, já mostravam muita indignação com o fato, e por eles a noiva não deveria mais esperar.

O humor desses padrinhos, principalmente do noivo e seus pais, quando o atraso já estava batendo quase duas horas, estava péssimo. Maquiagem de várias horas já estavam se desmanchando pelo calor. Vários convidados já não tinham mais o que pesquisar no celular para não ver o tempo passar. O padre, pelo seu comportamento, já manifestava a sua insatisfação, pois era um Sacerdote zeloso e cumpridor de suas obrigações não admitindo o que ele considerava falta de respeito. Enquanto isso a noiva e seu pai continuavam dando voltas de carro. 

E eis que finalmente aparece a tal madrinha, coberta de joias e com vestido caríssimo, cheia de sorrisos e não os recebia de volta. Mas ela pensava: -“não tem problema, sou a mais elegante e todos estão com inveja”. Esqueceu-se da máxima em moda: “o menos é mais”. Pela sua cabeça não passava que alguém poderia estar zangada com ela apenas por um corriqueiro atraso. Afinal ela fora vítima de um cabelereiro incompetente e não tinha culpa.

       Seguindo o ritual, iniciou-se o cortejo. O noivo adentrou acompanhado de sua mãe, ao som de uma música por ele escolhida. Os padrinhos, idem, ocupando os lugares indicados pelo cerimonial. Cada casal ao som de uma música de sua escolha. Uns entraram ao som de uma valsa, outros ao som de boleros, samba e este aqui empolgou alguns convidados que ensaiaram dos seus lugares passos de dança, o que o padre interrompeu de pronto, lembrando que cada um contivesse os seus anseios, e não esquecesse que aquele era um momento solene na Igreja.  Outros casais entraram com músicas clássicas escolhidas.

       A mãe da noiva com o pai do noivo entrou em seguida, igualmente ao som de bonita música. As damas seis amigas da noiva, a precederam   antecedendo-a, também ao som de música escolhida.

       Finalmente, ao som da marcha nupcial, os convidados ficaram de pé para receber a noiva que adentrava, acompanhada do seu pai. 

       Todos os convidados que chegavam recebiam do cerimonial o Roteiro da Cerimônia Religiosa, envolvendo missa e casamento. E quando viram o volume impresso, que mais parecia uma tese de doutorado, com muitos cânticos, leituras e citações que constavam e textos para serem lidos, pensavam entre si que esse casamento iria demorar demais. 

       A cerimônia, para surpresa de todos foi breve. O sacerdote falou somente o necessário para realização de uma missa com casamento e seus ritos próprios. Normalmente, distribui a comunhão a todos, desta feita fez só aos noivos, deixando de lado todos os supérfluos que constavam do roteiro, tendo por fim declarado os noivos casados.

       A madrinha, (como sempre ela) tida muito religiosa, que organizara o roteiro, após a cerimônia foi indagar do padre porque ele omitiu partes, sendo até uma leitura que ela quem deveria fazer cortada, e ele respondeu que o fizera em virtude do grande atraso da cerimônia. O Sacerdote lembrou ainda que quem quisesse missa longa em um casamento, como a constante do Roteiro, tinha que chegar no horário. Ela então retirou-se baixando a cabeça porque sabia que tinha sido a culpada.

 Convidados sabedores do fato, começavam a dizer que era inadmissível alguém desmanchar cabelo e maquiagem por não ter gostado e começar tudo de novo. A afilhada deveria ter escolhido melhor sua madrinha, para que a cerimônia não sofresse atraso. Tinha muita graça: -  quando a noiva não atrasa, a madrinha faz esse atraso acontecer. 

 A madrinha com toda a sua vaidade, coberta de trajes ricos e joias, nem estava a mais elegante como pensava. Esqueceu-se do que lembra a Bíblia Sagrada no livro de Eclesiastes 1:2 – “Vaidade de vaidades diz o pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade”. 

 

 Foto abaixo: Edomir Martins de Oliveira com a esposa Elma Figueiredo de Oliveira.

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