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Convidado: Edomir Martins de Oliveira. ("O Inferno Astral do Noivo")

24/08/2020 11h10
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Por: Mhario Lincoln
ML, montagem.

Capítulo 23

Do Livro: “Finalmente a Noiva Chegou"

Edomir Martins de Oliveira

Vice-Presidente Nacional da APB 

 

 

O Inferno Astral do Noivo

                    

        

A semana tinha mesmo começado aziaga para um homem casado que abandonara sua família, não só a esposa, como suas duas filhinhas menores. Sofrera um acidente automobilístico, no seu veículo, único bem que possuía, escapando ileso, contudo, tendo o carro sido dado como irrecuperável.

 

         Deixara duas filhas menores de idade ao abandono, e resolvera irresponsavelmente constituir nova família, vivendo com uma namorada, funcionária pública.

 

Tudo ia até muito bem com esta nova namorada/companheira, não fora um belo dia a justiça ter mandado prendê-lo por inadimplência no pagamento de pensão alimentícia devido às filhas menores, que estavam desassistidas.

 

A mãe das crianças abandonadas pelo pai que se recusara a voltar ao lar conjugal, acionou-o na justiça para que pagasse a pensão devida, o que não vinha sendo feito, havendo a justiça, determinado por sentença, que ele cumprisse suas obrigações paternas, que a estas alturas já estavam acumuladas em seis meses de atraso.

 

Um verdadeiro pandemônio aí se iniciou. Este marido inadimplente esboçou reações as mais variadas para não ser preso. Chorava, pedia ao Oficial de Justiça, que vinha cumprir a decisão judicial acompanhado de policial, que não o prendessem que ele reconhecia como vinha sendo displicente para com as suas filhas menores e que também nunca havia sido preso. Prometia, naquele momento, que tudo faria para cumprir suas responsabilidades paternas.

 

Fora o sinistro do carro sem seguro, agora para concluir a semana, recebeu ordem de prisão por falta de pagamento das devidas pensões alimentícias.

 

E tal foi o choro e as lamentações que a vizinhança foi até sua casa, pensando tratar-se de algum problema de saúde gravíssimo, que precisasse de atenção imediata. Ele, a estas alturas, não teve com quem dividir suas lágrimas e apreensões. Estava sozinho em casa tendo a companheira saído para trabalhar.

 

De nada adiantaram suas lamentações. ‘A Ordem Judicial, era para ser cumprida’, explicou-lhe o Oficial de Justiça. E ele estava ali, como representante da Justiça para cumprir o que tinha sido determinado por sentença. Foi conduzido para a penitenciária e recolhido a uma cela. Pediu, então, que lhe deixassem dar um telefonema para a sua namorada/companheira comunicando-lhe o que estava acontecendo. Dizendo ser uma vítima da ex-mulher, pois jamais admitia ser preso, embora já o tivessem advertido que a falta de pagamento de pensão alimentícia implicaria em prisão.

 

Aí, começou outro calvário: os companheiros de cela admitiam tudo, menos que ele deixasse seus filhos à míngua. Não adiantaram seus protestos para que o tratassem com respeito, o que eles ignoraram e aproveitaram para lhe aplicar um corretivo. Choros e impropérios os presos ignoravam a tudo, dizendo-lhe que era muito pouco a tunda que lhe estavam aplicando considerando o que as pobres filhas vinham sofrendo.

 

Os ânimos só se acalmaram quando outros policiais se envolveram para restabelecer a ordem, tendo o preso que ser transferido para outra cela.

 

Quando sua namorada/companheira, atendendo seu telefonema chegou, este lhe rogou para que ela se esforçasse o máximo para tirá-lo das grades o mais rápido possível. Que ela arrumasse um empréstimo que desse para pagar a pensão em atraso e que solto, lhe pagaria tudo, e casaria com ela.

 

A saída da prisão levou tempo. Não pode ser resolvido imediatamente, pois ela teve que fazer um empréstimo bancário, porque ambos eram funcionários públicos e não tinham valores disponíveis, porque ele como “bon vivant” gostava de jantares em bons restaurantes, curtir as noites em baladas, e não se preocupava com pagamento de pensão alimentícia, nem com saldo em conta bancária.

 

Enquanto esse tempo decorria, a esposa já propunha uma ação de divórcio contra o marido, agora prisioneiro de justiça. Desejava efetivar o divórcio com brevidade, pois um cidadão de bem, antigo namorado, que ainda a amava, sabendo da situação dela, desejava que ela estivesse livre para que pudessem casar, propondo-se criar e educar as crianças como se suas filhas fossem.

 

Assumiu as despesas judiciais para com o processo de divórcio, inclusive os honorários de um advogado amigo para que impetrasse a ação, o que foi feito até com certa celeridade, correndo o processo à revelia do marido, pois não houve qualquer manifestação de sua parte.

 

A atual companheira conseguiu o sonhado empréstimo. Pagou o que era devido à justiça, e ficou no aguardo da liberdade do namorado o que realmente logo foi feito. Agora só faltava o cumprimento da promessa de casamento, e o pagamento do valor do qual ele era, agora, devedor à companheira.

 

As emoções foram muitas para ele. Perda total do veículo, prisão, pagamento de pensão, empréstimo feito pela companheira, promessa de novo casamento, tudo isso, pensou ele: -“ está mexendo com os meus nervos, ”-  confessou à sua namorada/companheira, que não sentiu nele a firmeza necessária para cumprir o prometido.

 

Nestas circunstâncias, ele pensou em separar-se por algum tempo da atual namorada. Esta, que muito lutou para tirá-lo da prisão, não concordou em absoluto, pressentindo que ele queria fugir às suas responsabilidades. Disse-lhe, então, que se lembrasse que ela fez um empréstimo bancário e teria que honrar o compromisso.

 

Pediu a colaboração do seu pai para exigir deste irresponsável que o chamasse às falas, para que cumprisse o que prometera, ao que ele imediatamente, atendeu o pedido da filha.  Não tinha a mínima simpatia pelo namorado e nunca o achou confiável.

 

Chamou-o para uma conversa, dizendo que se não cumprisse à risca o que prometera, ele, como pai, teria que agir, e a paciência dele era curta. Contrataria um cara muito conhecido na cidade para dar-lhe uma boa sova, pois o que apanhara na prisão não havia sido suficiente.  Ele que já apanhara no xadrez por outros companheiros de cela, comprometeu-se em cumprir fielmente o que prometera.

 

. Foram todos ao cartório de Pessoas Naturais, na vara cível e ali, pagando as despesas processuais para o novo casamento, sendo testemunha duas pessoas amigas. Apresentaram a documentação necessária para que o casamento fosse celebrado e assim foram iniciados os trabalhos para que os proclamas do casamento fossem cumpridos.

 

Tudo feito nos termos da lei. No dia e hora combinada, dirigiram-se para o Fórum de Justiça, para a sala onde os casamentos são celebrados e onde devem os candidatos aguardar, até serem chamados pela escrivã. Entretanto, a noiva encontrou-se na antessala com uma amiga e parou para informar do seu casamento e por isso chegando atrasada, estando presente apenas as testemunhas e o noivo torcendo para que ela não chegasse a tempo.

 

Novo martírio sofreu o noivo quando um segurança do Fórum veio chamá-lo. E pensou: - “Será que o meu futuro sogro levou o caso para a Polícia e serei novamente preso? ” -  Ele que já estivera em prisão, não gostava de conversa com policiais, mas foi obrigado a segui-lo. Pensava seriamente que iria de novo parar na cadeia.

 

 A noiva vendo que este estava demorando muito a retornar, queria saber urgentemente o que tinha acontecido e saiu para ver. Quando retornaram, a vez passara, e a escrivã estava casando o último casal. A noiva suplicou que a escrivã a casasse e explicou-lhe o que ocorrera. A escrivã, que representava o Juiz, ainda com sua veste talar, atendeu ao que lhe pedia a noiva.

 

Casamento simples, em cartório, sem vestido costumeiro de noiva, nem paletó ou gravata, sem cerimonial, com despesas mínimas e que ocorreu graças a generosidade profissional da escrivã.

 

Soube-se depois, que o noivo saíra acompanhado pelo policial, segurança do Fórum, que entendia que um carro estacionado em local proibido era do noivo.  Quando este lhe explicou que nem carro possuía, o policial ainda o advertiu que iria ficar de olho naquele veículo e que se ficasse comprovado não ser mesmo dele, ele de já lhe pedia mil desculpas.  

 

Um segurança mal informado, que não apurou de logo quem era o legítimo proprietário de um veículo estacionado em local proibido, resultou em um casamento por pouco não realizado, o que não aconteceu, por boa vontade da escrivã representando Sua Excelência, o Juiz.

 

         Foi então que o noivo se lembrou do que contém no Livro de Provérbios 10:9 na Bíblia Sagrada, que tão sabiamente sua mãe sempre lhe dizia: “Quem anda em integridade anda seguro; mas o que perverte os seus caminhos será conhecido, dizendo em solilóquio que sua vida mudaria a partir de agora. Será???

 

Foto abaixo: Edomir Martins de Oliveira com a esposa Elma.

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